Índice
Introdução
A teoria malthusiana é a ideia que sugere que a população tende a crescer mais rápido do que a produção de alimentos.
Thomas Malthus observou que, se nada interferir, as pessoas aumentam em progressão geométrica (multiplicando), enquanto os alimentos aumentam em progressão aritmética (somando). Com isso, a pressão por comida cresceria até surgir fome, doenças ou guerras.
Malthus expôs essa hipótese no livro Ensaio sobre o princípio da população (1ª edição em 1798, versão ampliada em 1803).
Não tardou para que a teoria desse origem a um debate que perdura há séculos: a população cresce “rápido demais”? Ou a tecnologia e a organização social resolvem a escassez?

O que é a teoria malthusiana?
A teoria malthusiana propõe que duas velocidades diferentes guiam demografia e alimentos: a população tende a dobrar com o tempo (ex.: 1, 2, 4, 8…), enquanto a produção de comida cresce em passos constantes (ex.: +2, +2, +2…).
Se as duas curvas correm soltas, a população ultrapassa a comida e surgem pressões como fome. Essa é a ideia central, não um destino inevitável.
Para visualizar, pense em uma cidade com 1.000 pessoas e comida para 1.000. Se a população dobra a cada período (1.000 → 2.000 → 4.000), mas os alimentos sobem apenas 200 por período (1.000 → 1.200 → 1.400), a diferença entre bocas e pratos fica maior.
Malthus chamou as saídas de “freios”: os preventivos (decisões que evitam a expansão populacional desenfreada) e os positivos (eventos duros que reduzem a população).
Essa formulação foi apresentada por Thomas Malthus no fim do século XVIII, num contexto de pobreza urbana, mudanças econômicas e medo de escassez na Inglaterra.
Contexto histórico: Inglaterra (1798/1803) e a preocupação com a fome
Malthus publicou seu Ensaio em 1798, revisando e ampliando em 1803. À altura, a Inglaterra vivia efeitos da Revolução Industrial: crescimento urbano, salários irregulares e custos de vida instáveis.
O medo de falta de alimentos vinha de colheitas fracas e de como os preços subiam quando a oferta apertava.
Malthus via com ceticismo políticas que, ao aliviar a pobreza sem frear nascimentos, poderiam piorar o problema populacional no longo prazo. Seu argumento teve enorme impacto no pensamento econômico, influenciando discussões sobre políticas de assistência e controle de natalidade.
Como Malthus explicou o equilíbrio: freios preventivos e positivos
Malthus dividiu os “freios” em dois tipos:
- Freios preventivos: atitudes antes do nascimento para reduzir o crescimento:
- Casamento mais tardio (menos anos férteis em casal).
- Planejamento familiar (decidir ter menos filhos; em termos modernos, uso de métodos contraceptivos).
- Comportamentos que adiam a formação de família quando a renda está baixa.
- Freios positivos: forças que reduzem a população já existente:
- Fome (escassez forte de alimentos).
- Doenças (epidemias ou condições sanitárias ruins).
- Guerras (mortes e destruição de estoques).
Na lógica malthusiana, se os freios preventivos não ocorrerem, a pressão cresce até sobrar apenas freios positivos, que são dolorosos. Por isso o autor via com preocupação políticas que ignoram incentivos demográficos. Para ele, equilibrar nascimentos com capacidade de sustento era chave para evitar crises.
Críticas e contrapontos importantes
- Distribuição de renda (Marx): o problema não é só “falta total”, mas quem tem acesso. Se poucos concentram renda e terra, muitos passam fome mesmo com comida suficiente.
- Inovação agrícola (Boserup): mais gente pode estimular novas técnicas (irrigação, rotação de culturas), elevando a produtividade.
- Revolução Verde: sementes melhoradas, adubos, mecanização e extensão rural multiplicaram safras no século XX, alterando o “limite” percebido.
- Criatividade humana (Julian Simon): pessoas são “recursos” que inventam soluções; o conhecimento amplia a fronteira do possível.
- Democracia e fome (Amartya Sen): fomes em massa estão ligadas a falhas de acesso, informação e políticas; democracias com imprensa livre evitam catástrofes pela resposta rápida.
Comparações: malthusianismo, neomalthusianismo e transição demográfica
- Malthusianismo: foco na pressão populacional sobre recursos; solução central em freios (preferivelmente preventivos).
- Neomalthusianismo: retoma a preocupação com limites ambientais (água, solo, clima) e defende planejamento familiar, educação e acesso a contraceptivos como políticas públicas amplas.
- Transição demográfica: descreve fases pelas quais países costumam passar:
- Alta natalidade e alta mortalidade (crescimento baixo).
- Queda da mortalidade (crescimento acelera).
- Queda da natalidade (crescimento desacelera).
- Baixa natalidade e baixa mortalidade (crescimento muito baixo ou negativo).
Aplicações e limites hoje (Brasil e mundo)
No mundo, a população ainda cresce, mas o ritmo diminui. Isso ocorre porque muitos países avançaram na transição demográfica: mortalidade caiu primeiro, natalidade caiu depois.
No Brasil, a urbanização, o acesso à educação e a participação feminina no trabalho reduziram a natalidade ao longo de décadas. Ao mesmo tempo, a produção agrícola cresceu com tecnologia tropical, logística e mercados — o que afasta um cenário malthusiano simples.
Lembre-se: a teoria malthusiana é um alerta útil, mas não prevê sozinha o futuro. Precisamos colocar na equação tecnologia, políticas, distribuição e ambiente para entender cada caso.
Conclusão: como usar Malthus sem cair em fatalismo
A teoria malthusiana é um farol de cautela: ela lembra que população e produção precisam caminhar juntas. Mas o mundo real mostrou que tecnologia, instituições e distribuição de renda podem mudar a curva.
Para estudar e decidir políticas, o melhor é combinar o alerta de Malthus com a transição demográfica, a atenção aos limites ambientais e o foco em acesso e inovação. Assim, evitamos fatalismo e buscamos soluções práticas.
Exercício de fixação
Exercícios sobre Teoria Malthusiana para vestibular
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Qual é a premissa fundamental da Teoria Malthusiana sobre o crescimento da população e a produção de alimentos?