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Literatura

José de Alencar

Laisa Ribeiro
Publicado por Laisa Ribeiro
Última atualização: 21/8/2018

Introdução

Você conhece um escritor que consegue escrever três tipos de enredos diferentes? José de Alencar, no romantismo, conseguia! Suas obras são separadas entre romance urbano, indianista e regionalista.

Esse autor tão versátil nasceu no Ceará. Sua história pessoal já daria um enredo para um de seus livros: o pai de Alencar era padre, mas se apaixonou por sua prima. Ele desistiu da vida religiosa para poder se casar com a mãe do escritor. Logo seguiu carreira política, a mesma carreira que José de Alencar seguiria.

Romances urbanos

Como o título explica, esses romances se passavam nas grandes cidades. José de Alencar escrevia sobre a sociedade citadina da época e utilizava seus romances para criticar e analisar diversos comportamentos e relações humanas, como o casamento por interesse.

Um de seus livros mais famosos é “Senhora, de 1874, que foi publicado no formato de folhetim. Se você gosta de histórias sobre vingança, vai gostar dessa.

Aurélia e Fernando estão noivos, contudo, naquela época, as famílias das noivas davam um dote ao noivo, um valor em dinheiro. O rapaz, vendo que Aurélia não era muito rica, troca o noivado apaixonado por um de puro interesse com uma moça rica que lhe daria um dote maior.

O que Fernando não esperava é que Aurélia receberia uma herança de um parente distante. Ela ficou muito rica, tornou-se a moça mais popular da sociedade. Mas não aceitou muito bem a rejeição. Com um plano minucioso, Aurélia paga um dote maior e se casa com Fernando sem ele saber que ela é a noiva misteriosa.

Na noite de núpcias, Fernando fica muito feliz ao ver Aurélia, afinal, o amor havia vencido. Mas será? Aurélia se vinga de Fernando, dizendo que o comprou e que ele deveria chamá-la, obrigatoriamente, de “senhora”.

Não daremos mais spoilers, mas saiba que esses dois passam por uma longa jornada até a redenção, até o momento em que o amor vence. Porque essas são características marcantes da estética literária romântica.

As heroínas de Alencar são fortes e comandam suas vidas. Aurélia é até mesmo considerada como uma personagem feminista, uma vez que ela é independente, não se casa para ser submissa e administra sua própria fortuna sozinha.

Apesar disso, todas as heroínas do autor sempre possuem uma alma romântica dentro de si.

Lucíola é outro grande exemplo desse período e conta a história de uma moça que se prostituía para ajudar a família.  

Romances indianistas

Completamente influenciado pelo forte nacionalismo romântico, José de Alencar escreveu diversos romances em que o indígena é o protagonista.

Ele quer mostrar que nossas origens e nossa natureza devem ser objetos de orgulho e louvor.

Ele até mesmo faz uma linha do tempo com sua obra: “Ubirajara retrata a vida do povo indígena antes da chegada dos portugueses; “Iracema” mostra o embate entre esses dois povos e “O Guarani” mostra uma sociedade brasileira em que a colonização portuguesa já está adiantada.

Alencar quer ajudar a construir a literatura nacional, usando o povo indígena e a natureza brasileira como identidades do país. O índio, para ele, era a união perfeita entre o povo nativo e os valores burgueses predominantes em sua época.

O romance indianista inicia-se com “O Guarani”, em 1857. Aqui, conhecemos uma grande figura de nossa literatura: o índio Peri.

Ele é um herói completamente idealizado. Possui todas as qualidades possíveis, é belo, jovem, forte, veloz, bondoso... E modesto, porque todas essas qualidades ele vê na mulher amada.

Peri é completamente apaixonado por Cecilia, uma moça portuguesa, filha de um importante fidalgo. Cecilia é uma personagem idealizada, beirando à perfeição.

Diante de alguns perigos que não revelaremos aqui para não estragar a surpresa, Peri até mesmo torna-se cristão por causa dela. Quando eles fogem rumo a um destino incerto, é como se Alencar quisesse fazer uma metáfora sobre a união dos povos.

Essa é uma típica história do romantismo: uma história de amor cheia de obstáculos e uma natureza esplêndida. A floresta, aqui, torna-se símbolo nacional e cenário de muitas ações. O rio Paraíba é coroado como o rei das águas.

Outro romance muito famoso é “Iracema”. Você já ouviu falar da virgem dos lábios de mel? Iracema é tão idealizada como Peri. Também é jovem, bela, forte...

Essa índia tabajara se apaixona por um dos colonizadores portugueses. As dificuldades para concretizar esse amor são muitas, logo, eles fogem. O filho desse amor, Moacir – que significa “filho da dor” – é um símbolo do nascimento do povo brasileiro, fruto da miscigenação entre o povo indígena e o português.

Romances regionalistas

Cidade, floresta... José de Alencar não para por aí não. Falta falar sobre o interior do país, a zona rural, o sertão.

Em seus romances regionalistas – como “O Gaúcho”, “O Tronco do Ipê” e “O Sertanejo” –, o autor constrói a figura do herói sertanejo, que enfrenta as dificuldades da vida e da natureza, mas supera todos os obstáculos.

As mulheres, que foram protagonistas fortes nos romances urbanos, tornam-se se submissas nesse cenário.

Os homens são os principais personagens, sempre fortes e velozes. Apesar de não terem acesso à educação formal, eles foram educados pela natureza e sabem tudo sobre ela.

“O sertanejo” é um dos livros mais famosos desse período. Aqui, o vaqueiro nordestino Arnaldo é completamente idealizado: forte, jovem, veloz... Assim como Peri.

Além disso, até as onças têm medo dele. Os heróis desse tipo de romance tem uma relação muito sincronizada com a natureza.

Sua maior paixão é a filha do fazendeiro que é seu patrão, contudo, esse amor nunca poderá se concretizar, uma vez que as pressões econômicas e sociais são muitas – a diferença de classes sociais já havia sido abordada em “Senhora”.

O romance “O gaúcho” conta a história de outro herói que beira ao sobrenatural devido à sua força. Manuel Canho quer se vingar da morte do pai, que fora assassinado.

O romance se passa em plena Guerra dos Farrapos e evidencia a importância do cenário nesse tipo de romance. Além disso, há muitos termos típicos da região sulina do país, mostrando que Alencar se preocupava com os regionalismos.

José de Alencar não se contentou com apenas um campo: ele ajudou a construir o romantismo brasileiro de três maneiras diferentes. Seus heróis jovens, livres, belos, fortes e apaixonados reverberam até os dias de hoje e são influência para muitos outros romances.


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2012)

“Ele era o inimigo do rei”, nas palavras de seu biógrafo, Lira Neto. Ou, ainda, “um romancista que colecionava desafetos, azucrinava D. Pedro II e acabou inventando o Brasil”. Assim era José de Alencar (1829-1877), o conhecido autor de O guarani e Iracema, tido como o pai do romance no Brasil. Além de criar clássicos da literatura brasileira com temas nativistas, indianistas e históricos, ele foi também folhetinista, diretor de jornal, autor de peças de teatro, advogado, deputado federal e até ministro da Justiça. Para ajudar na descoberta das múltiplas facetas desse personagem do século XIX, parte de seu acervo inédito será digitalizada.

(História Viva, n. 99, 2011.)

Com base no texto, que trata do papel do escritor José de Alencar e da futura digitalização de sua obra, depreende-se que

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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