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Literatura

Sagarana

Alanis Zambrini
Publicado por Alanis Zambrini
Última atualização: 12/3/2019

Introdução

Sagarana” é um livro escrito por Guimarães Rosa, publicado em 1946. Ele é composto por nove contos no total e pertence ao modernismo, principalmente por três características principais: 

  • regionalismo, pois a obra se passa no interior de Minas Gerais);
  • por sua linguagem, que mistura diferentes neologismos e linguajar popular;
  • e pelo resgate do imaginária e da cultura popular.

É importante sabermos que o regionalismo de Guimarães Rosa em “Sagarana” é universalizante, pois a leitura do que é regional pode ser vista pelo leitor em um ângulo universal, já que não traz elementos exóticos, e sim humanos (que poderiam ser qualquer pessoa em qualquer lugar, mas estão em Minas Gerais). 

Além disso, o tempo do livro é indeterminado e sua narração é feita, na maioria dos contos, em terceira pessoa por um narrador onisciente e onipresente, com exceção de “Minha Gente” e “São Marcos”, que são narrados em primeira pessoa, e “Corpo Fechado”, que é narrado por um narrador-personagem.

O próprio título do livro (‘Sagarana”) é um neologismo feito por Guimarães, que vem das palavras “saga” (que significa “narrativa épica”) e “rana” (sufixo tupi que significa “à moda de” ou “à maneira de”). 

Abaixo, vamos ver o resumo dos nove contos que estão presentes no livro.

O burrinho pedrês

O primeiro conto do livro conta a história do burrinho Sete-de-Ouros, que já está velho e esquecido numa fazenda. Lá, o fazendeiro Major Saulo ordena aos seus vaqueiros que levem uma grande quantidade de bois para vender em uma cidade distante. 

Os melhores vaqueiros vão montados em cavalos jovens e fortes, porém, o vaqueiro menos importante acaba indo montado no burrinho, pois todos os outros homens se sentiam humilhados em usar como montaria um bichinho tão acabado.

Um tempo depois, quando voltavam de viagem, os cavaleiros foram surpreendidos por um rio que havia transbordado por causa de uma grande enchente, e acabam se afogando junto com suas montarias.

Os únicos sobreviventes foram o vaqueiro que montava o burrinho e um outro homem, pois agarraram-se no rabo do burro, que por haver passado por situações como essa antes (já que era velho e possuía muita experiência), poupou suas forças e se deixou levar pela correnteza, vencendo o alagamento.

A volta do marido pródigo

O segundo conto de “Sagarana” nos mostra a história de Lalino Salãthiel, que vive no interior de Minas, mas sonha com aventuras amorosas no Rio de Janeiro. Ele acaba juntando um dinheiro e viajando, deixando a esposa Maria Rita sozinha. 

Depois de um tempo, seu dinheiro e sua energia acabam, e ele decide voltar para sua Cidade, onde encontra Maria Rita envolvida com o espanhol Ramiro.

Lalino, em meio a essa situação, acaba se envolvendo nas disputas políticas locais e, com a vitória do candidato que apoiou, consegue a expulsão dos estrangeiros. Com isso, é perdoado pela esposa. 

Sarapalha

O terceiro conto traz a história dos primos Ribeiro e Argemiro, que vivem isolados com seu cachorro Jiló em Sarapalha, no interior de Minas Gerais.

Os dois sofrem com a malária, doença que faz com que eles tenham febre e tremedeiras. 

Enquanto está doente, Ribeiro sofre por sido abandonado pela esposa Maria Luísa, que fugiu com outro homem. Em meio a isso, os primos vão conversando para se distraírem dos sintomas dolorosos da malária, e numa dessas conversas, Argemiro confessa ter sido apaixonado por Maria Luísa, mas garante a ele que nunca havia faltado ao respeito com a moça e com ele.

Ribeiro, decepcionado com Argemiro, considera que ele tenha traído sua confiança e acaba expulsando o primo de sua propriedade.

Duelo

Voltando de uma pescaria mal sucedida, Turíbio Todo flagra sua esposa, Dona Silivana, com o ex-militar Cassiano Gomes. Em meio a isso, decide reprimir sua raiva e planejar uma vingança.

Porém, quando vai se vingar, acaba matando o irmão de Cassiano e foge logo em seguida, sendo perseguido por todo o interior do Minas, até que consegue se refugiar em São Paulo.

Cassiano, por conta de seu problema no coração, acaba interrompendo a perseguição ao assassino do irmão e decide se hospedar num lugarejo chamado Mosquito. Lá, ele faz amizade com Timpim Vinte-e-Um, homem simples a quem acaba dando dinheiro (pois o homem precisava comprar remédio para sua família).

Cassiano piora do coração, e, quando está quase morrendo, pede para Timpim que vingue a morte do seu irmão.

Em meio a isso, Turíbio fica sabendo que Cassiano morreu, e decide voltar para Minas Gerais. No caminho para a casa de sua esposa, encontra Timpim, que mata-o, cumprindo a promessa que havia feito a Cassiano.

Minha gente

Neste conto, o narrador é um inspetor escolar que, de férias, visita a fazenda de seu Tio Emílio no interior de Minas. Lá, reencontra a prima Maria Irma, namorada de infância, a qual tenta conquistar novamente. A moça consegue fazer com que o primo sinta-se atraído por sua amiga, Armanda, noiva de Ramiro, rapaz com quem ela queria casar. 

O narrador, que gostava muito de xadrez, se vê vítima de uma exímia estrategista nas questões de amor, pois a moça consegue fazer com que Armanda se interesse pelo narrador, deixando Ramiro livre para ela.

No final, temos um duplo casamento, Armanda se casa com o narrador e Ramiro se casa com Maria Irma, sinal de que todas as estratégias da moça deram certo.

São Marcos

Izé, o narrador, faz pouco caso das crendices populares, não perdendo a oportunidade de passar diante da casa do João Mangolô, negro tido como feiticeiro, para zombar de sua cultura e do que diziam que ele havia feito.

Durante um passeio, acaba ficando cego. Seguindo uma lenda que conhecia, tenta rezar a oração de São Marcos, que tinha fama de ser poderosa, mas continua cego.

Acaba utilizando os outros sentidos (o olfato, a audição e o tato) para se orientar, e consegue chegar na casa de João Mangolô.

Lá, ele vai para cima do feiticeiro, e acaba recuperando sua visão no momento em que o negro retira a venda dos olhos de um boneco. 

No final, Izé se despede de Mangolô e parte, agora um pouco mais crédulo em relação às crendices populares que tanto zombava. 

Corpo fechado

Em Laginha vive Manuel Fulô, que tem duas paixões: sua noiva Das Dores e uma mulinha de estimação, a Beija-Fulô, cobiçada por Antonico das Pedras, que tem fama de ser um feiticeiro.

Targino, um valentão local, acaba vendo a noiva de Manuel e fala para o homem que quer dormir com ela antes de seu casamento. Para impedir que isso acontecesse, Manuel decide enfrentar o brutamontes, mas é fraco comparado ao outro.

narrador, médico local e amigo de Manuel, não consegue ajudá-lo de nenhum jeito, então o rapaz acaba pedindo a Antonico que feche seu corpo com um feitiço.

Durante o duelo com Targino, Manuel escapa por milagre dos tiros que lhe são dirigidos e fere mortalmente o rival com uma faquinha, vencendo e tornando-se o novo valentão do lugar. 

Conversa de bois

O conto narra uma conversa entre os bois de um carro de bois durante a viagem que fazem levando o corpo do pai de Tiãozinho para ser enterrado. Nessa viagem, acabam comentando a situação de Tiãozinho, menino que guia o carro que estão puxando.

Pela conversa dos bois, ficamos sabendo que o rapaz está amargurado por diversos motivos: seu pai havia morrido por uma doença e ele era maltratado por Agenor Soronho (seu patrão), que tinha um caso com a mãe do rapaz mesmo quando seu pai era vivo (aliás, o pai sabia da traição, mas como estava doente nunca pôde fazer nada a respeito).

Também descobrimos que a mãe nunca o protegeu de Agenor porque ele mantinha a casa em que eles viviam.

Nessa situação, percebemos que os bois sentem muita raiva do homem, e, em meio a isso, decidem bolar um plano para matar o patrão de Tiãozinho.

Quando Agenor tira um cochilo, os bois sacodem o carro e derrubam-no, passando com as rodas sobre ele. Sem desconfiar de nada, Tiãozinho fica desesperado por ver seu chefe morto, enquanto os bois lançam berros contentes. 

A hora e a vez de Augusto Matraga

No último conto de “Sagarana” acompanhamos a história de Augusto Esteves, um fazendeiro que gasta dinheiro com jogos e prostitutas, maltrata a esposa Dionóra, despreza a filha e enfrenta seus opositores com capangas muito violentos.

Em uma noite, sua esposa acaba fugindo com outro homem e seus capangas o abandonam porque seus salários estavam atrasados. Augusto vai tirar satisfações e é espancado por eles, atirando-se de um barranco.

Acaba sendo dado como morto pelos outros, mas, na realidade, é encontrado por um casal de negros, que cuidam de seus ferimentos.

Enquanto está se recuperando, Augusto reflete sobre sua vida e decide se livrar dos pecados cometidos para buscar redenção. Quando melhora, viaja para uma casa que possui no Tombador, ajudando o casal de negros e trabalhando arduamente todos os dias.

Depois de um tempo, ele conhece o hospedado cangaceiro Joãozinho Bem-Bem, com quem faz amizade, e acaba sendo convidado a participar do bando do cangaceiro.

Augusto recusa o convite, apesar de gostar muito da ideia de viver aquela vida cheia de violência, mas com o passar do tempo, acaba sentindo um enorme desejo de partir do Tombador.

Segue sem rumo, até reencontrar o bando de cangaceiros no lugarejo do Rala-Coco. Quando vê a ameaça de Joãozinho Bem-Bem de fazer mal à família de um velho, Augusto sente que chegou sua hora de se redimir de seus pecados. Enfrenta o bando e mata Joãozinho, morrendo em seguida pelo ferimento de bala que o outro havia feito nele.


Exercícios

Exercício 1
(UPF)

Nos contos de Sagarana, Guimarães Rosa resgata, principalmente, o imaginário e a cultura:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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