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Português

Preposição

Alice Martins
Publicado por Alice Martins
Última atualização: 11/10/2018

Introdução

Preposição é a palavra invariável responsável por relacionar dois ou mais termos da oração que sozinhos não fariam sentido.

O primeiro termo dessa relação é chamado termo antecedente, enquanto o termo seguinte é chamado consequente. O termo antecedente rege o consequente, que, por sua vez, explica o sentido do termo antecedente.

Exemplo:

  • “Minha dor de cabeça não me deixa estudar”.

Os termos “dor” e “cabeça” estão relacionados pela proposição “de”. O termo “dor” pede a preposição “de”, ou seja, rege o termo consequente “cabeça”, que vem para explicar o sentido do primeiro termo.

Valor semântico das preposições

As preposições não têm um sentido fixo e, portanto, podem gerar diferentes significações, dependendo da relação que estabelecem entre os termos que liga.

Dessa forma, só é possível compreender o valor semântico das preposições, isto é, o sentido, se analisarmos o contexto em que ela está sendo empregada em cada caso.

Apesar disso, alguns dos usos possíveis e recorrentes das preposições são para indicar:

  • Assunto: “Estavam falando sobre a aula”.
  • Causa: “Com a chuva, muitos se atrasaram para o trabalho” (nesse caso, “com” = “por causa de”).
  • Companhia: “Fui à festa com a minha amiga”.
  • Direção: “Mudou-se com a família para o sul”.
  • Distância: “O restaurante fica a 100 metros”.
  • Finalidade: “Estou juntando dinheiro para viajar no fim do ano”.
  • Instrumento: “Fixou o quadro na parede com fita”.
  • Modo: “Fui trabalhar com disposição”.
  • Posse: “Aquele é o irmão de Ana”.
  • Tempo: “Não me espere acordada, pois chegarei de madrugada”.

Locuções prepositivas

Chamamos locução prepositiva o conjunto de duas ou mais palavras que exercem a função de preposição, no qual a última palavra do conjunto é uma preposição de fato.

Algumas locuções prepositivas:

  • além de;
  • a respeito de;
  • graças a;
  • a fim de;
  • abaixo de;
  • acima de;
  • antes de;
  • depois de;
  • ao invés de;
  • ao lado de;
  • à custa de;
  • em via de;
  • a par de;
  • perto de;
  • por causa de;
  • através de.

Exemplos:

  • “Voltei para casa mais cedo a fim de ver você”.
  • “Ficou abaixo de duas pessoas no ranking”.

Classificação

As preposições podem ser essenciais ou acidentais. Ou seja, existem palavras usadas exclusivamente como preposições e palavras de outras classes gramaticais que no contexto em que são usadas assumem a função de preposição.

Preposições essenciais

As palavras que funcionam apenas como preposições e recebem o nome de preposições essenciais são:

  • a;
  • ante;
  • após;
  • até;
  • com;
  • contra;
  • de;
  • desde;
  • em;
  • entre;
  • para;
  • per;
  • perante;
  • por;
  • sem;
  • sob;
  • sobre;
  • trás.

Exemplo:

  • “Vamos para Campos do Jordão na próxima semana”

Preposições acidentais

São as palavras de outras classes gramaticais que, em certas situações, podem funcionar como preposições, tais como:

  • consoante;
  • conforme;
  • como;
  • durante;
  • exceto;
  • mediante;
  • segundo;
  • tirante.

Exemplo:

  • “Montou o equipamento segundo as instruções do manual”.

“Segundo” é um numeral que, nesse caso, está funcionando como preposição.

Observação: As preposições essenciais pedem a forma oblíqua tônica dos pronomes pessoais, enquanto as preposições acidentais pedem a forma reta desses pronomes. Veja:

  • “Usou as mensagens contra mim”. (“contra”: preposição essencial; “mim”: pronome pessoal oblíquo tônico)
  • “Fez tudo conforme eu orientei”. (“conforme”: preposição acidental; “eu”: pronome pessoal do caso reto)

Combinações e contrações

As preposições também podem aparecer unidas a outras palavras da língua, como os artigos e os pronomes. Nesse caso, concordam em gênero e número com as palavras a que se ligam, por exemplo:

  • de + o = do
  • de + a = da
  • de + os = dos
  • de + as = das

Observe que as preposições são palavras invariáveis, isto é, que não sofrem flexão, e a variação em gênero e número se dá por conta da palavra a qual a preposição está ligada.

Essa união pode ser feita por combinação (quando, na junção das palavras, não há perda alguma) ou contração (quando, ao juntar-se a outra palavra, a preposição sofre uma modificação na estrutura fonética).

Exemplos de Combinação:

  • a + os = aos
  • a + diante = adiante
  • a + onde = aonde

A preposição se junta com as outras palavras, sem perdas, e se mantém inalteradas na junção.

Exemplos de Contração:

  • em + a = na
  • de + os = dos
  • por + o = pelo
  • em + aquela = naquela

Perceba que houve mudança na estrutura fonética das preposições quando se juntaram  às outras palavras.

As contrações “pra” (para + a) e “pro” (para + o) também podem aparecer na linguagem do cotidiano, mas não na norma culta.

Atenção: Quando acontecer de a preposição “a” se juntar a uma palavra iniciada também pela letra “a”, essa junção receberá o que chamamos de crase. Por exemplo:

  • a (preposição) + a (artigo) = à
  • a (preposição) + aquela = àquela

Imagem ilustrativa de um homem procurando palavras em um livro.Imagem ilustrativa de um homem procurando palavras em um livro.


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2002)

A crônica muitas vezes constitui um espaço para reflexão sobre aspectos da sociedade em que vivemos.
 
 Eu, na rua, com pressa, e o menino segurou no meu braço, falou qualquer coisa que não entendi. Fui logo dizendo que não tinha, certa de que ele estava pedindo dinheiro. Não estava. Queria saber a hora.
 Talvez não fosse um Menino De Família, mas também não era um Menino De Rua. É assim que a gente divide. Menino De Família é aquele bem-vestido com tênis da moda e camiseta de marca, que usa relógio e a mãe dá outro se o dele for roubado por um Menino De Rua. Menino De Rua é aquele que quando a gente passa perto segura a bolsa com força porque pensa que ele é pivete, trombadinha, ladrão. (...) Na verdade não existem meninos De rua. Existem meninos NA rua. E toda vez que um menino está NA rua é porque alguém o botou lá. Os meninos não vão sozinhos aos lugares. Assim como são postos no mundo, durante muitos anos também são postos onde quer que estejam. Resta ver quem os põe na rua. E por quê."
 (COLASSANTI, Marina. In: Eu sei, mas não devia. Rio de Janeiro: Rocco, 1999)

 
 No terceiro parágrafo em “... não existem meninos De rua. Existem meninos NA rua”, a troca de “De” pelo “Na” determina que a relação de sentido entre “menino” e “rua” seja:  

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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