
Aceleração centrípeta: o que é, fórmula, direção e exercícios
| 08/10/26Entenda o que é aceleração centrípeta, por que ela existe no movimento circular, suas fórmulas, direção, unidades e como resolver exercícios passo a passo.
Entenda o que é aceleração centrípeta, por que ela existe no movimento circular, suas fórmulas, direção, unidades e como resolver exercícios passo a passo.
Um corpo pode percorrer uma trajetória circular com o módulo da velocidade sempre igual e, ainda assim, estar acelerado. Essa é a dúvida que costuma travar quem está revisando cinemática e dinâmica para a prova: se a velocidade não varia em intensidade, por que existe aceleração? A resposta está na natureza vetorial da velocidade e dá origem a um dos conceitos mais cobrados em exercícios de movimento circular: a aceleração centrípeta.
Este artigo explica por que esse tipo de aceleração surge mesmo sem variação de velocidade escalar, para onde ela aponta dentro da trajetória, como calculá-la a partir de duas fórmulas equivalentes e em que situações cada uma é mais prática. Também mostra como diferenciar aceleração centrípeta de aceleração tangencial e da chamada "força centrífuga", e traz um exercício resolvido passo a passo para fixar o raciocínio.
Em física, velocidade é uma grandeza vetorial: tem módulo (a "velocidade escalar" que aparece no velocímetro) e também direção e sentido. A aceleração, por definição, mede a variação da velocidade em relação ao tempo — e essa variação pode ocorrer tanto no módulo quanto na direção do vetor velocidade.
Em um movimento circular uniforme, o módulo da velocidade permanece constante, mas a direção do vetor velocidade muda a cada instante, porque o corpo está sempre mudando de posição ao longo da curva. Como a direção varia, o vetor velocidade varia, e isso já é suficiente para caracterizar aceleração, mesmo sem nenhuma mudança na "velocidade do velocímetro". É esse raciocínio — separar módulo de direção — que resolve a aparente contradição entre "velocidade constante" e "existência de aceleração".

A aceleração responsável por mudar a direção da velocidade em uma trajetória circular aponta sempre para o centro da curva, na direção radial. É por isso que ela recebe o nome de aceleração centrípeta ("que busca o centro"). Em qualquer ponto da trajetória, o vetor aceleração centrípeta é perpendicular ao vetor velocidade naquele instante e está orientado para dentro da curva, nunca para fora e nunca "para a frente" do movimento.
No diagrama de forças de um exercício, essa aceleração não aparece isolada: ela é o efeito de uma força resultante também orientada para o centro, chamada força centrípeta. Essa força não é um tipo novo de força da natureza, e sim o resultado de outras forças já conhecidas — tração de um fio, atrito, normal, gravitacional — que, somadas, produzem a resultante radial. Identificar corretamente qual força (ou combinação de forças) desempenha esse papel em cada situação é o que costuma diferenciar uma resolução correta de um erro conceitual.
A própria ideia de força como causa de variação de movimento é fruto de um desenvolvimento conceitual histórico, e pesquisas em ensino de física mostram que professores e estudantes nem sempre descrevem esse conceito da mesma forma usada nos livros-texto, o que ajuda a explicar por que a identificação da força centrípeta em um diagrama costuma gerar confusão em sala de aula, como discute um estudo sobre as concepções de força manifestadas por professores de física publicado em periódico de ensino de ciências.
Existem duas formas equivalentes de calcular a aceleração centrípeta, e a escolha entre elas depende do que o enunciado fornece.
Quando o exercício dá a velocidade escalar (v) e o raio da trajetória (r), use:
a_c = v² / r
Quando o exercício dá a velocidade angular (ω) e o raio (r), use:
a_c = ω² · r
As duas fórmulas estão conectadas pela relação entre velocidade linear e velocidade angular, v = ω · r, que permite substituir uma variável pela outra quando necessário.
| Grandeza | Símbolo | Unidade no SI |
|---|---|---|
| Aceleração centrípeta | a_c | metro por segundo ao quadrado (m/s²) |
| Velocidade linear | v | metro por segundo (m/s) |
| Velocidade angular | ω | radiano por segundo (rad/s) |
| Raio da trajetória | r | metro (m) |
Um exemplo numérico simples ajuda a fixar a unidade: se um corpo percorre uma trajetória circular de raio 2 m com velocidade constante de 4 m/s, a aceleração centrípeta é a_c = v²/r = 16/2 = 8 m/s². Se, em vez da velocidade linear, o enunciado informasse velocidade angular de 2 rad/s para o mesmo raio, o cálculo seria a_c = ω²·r = 4 × 2 = 8 m/s² — o mesmo resultado, por caminhos diferentes.

Um dos erros mais comuns em exercícios de movimento circular é tratar aceleração centrípeta, aceleração tangencial e "força centrífuga" como se fossem a mesma coisa ou substitutas entre si. Elas respondem perguntas diferentes:
| Termo | Direção | O que mede | Existe como força real? |
|---|---|---|---|
| Aceleração centrípeta | Radial, para o centro | Variação da direção da velocidade | Não é uma força; é um efeito cinemático causado pela força centrípeta resultante |
| Aceleração tangencial | Tangente à trajetória | Variação do módulo da velocidade | Não é uma força; aparece quando o movimento circular não é uniforme |
| "Força centrífuga" | Radial, para fora | Sensação de ser empurrado para fora da curva | Só aparece em referenciais não inerciais (que giram junto com o corpo); não existe no referencial do solo |
Em um movimento circular uniforme, só existe aceleração centrípeta, porque o módulo da velocidade não varia. Quando o módulo da velocidade também varia — por exemplo, um carro que acelera enquanto faz uma curva —, soma-se a aceleração tangencial à centrípeta, e a aceleração total do corpo é a resultante vetorial das duas. Já a "força centrífuga" não aparece no diagrama de forças de quem observa a curva do lado de fora (referencial inercial); ela só é usada para descrever a sensação de quem está dentro do veículo, em um referencial que gira junto com o movimento.

Para fixar o uso da fórmula a_c = v²/r em uma situação com várias etapas, vale acompanhar um problema clássico de cinemática seguido de movimento circular.
Considere uma maca de 80 kg que é empurrada por uma força horizontal constante de 40 N durante 4 segundos, partindo do repouso em linha reta, e que, ao final desse intervalo, passa a descrever um arco de trajetória circular de raio 2,0 m mantendo a velocidade atingida. A pergunta típica desse tipo de exercício é: qual o coeficiente de atrito estático mínimo entre a maca e o piso para que ela não deslize ao entrar na curva? Considere g = 10 m/s².
O primeiro passo é calcular a aceleração durante o trecho em linha reta, usando a segunda lei de Newton: a = F/m = 40/80 = 0,5 m/s². Com essa aceleração constante por 4 s, a velocidade final é v = a·t = 0,5 × 4 = 2 m/s.
O segundo passo é usar essa velocidade na fórmula da aceleração centrípeta para o trecho curvo: a_c = v²/r = 2²/2 = 2 m/s². Essa é a aceleração que a maca precisa ter, direcionada para o centro do arco, para não derrapar.
O terceiro passo é identificar qual força fornece essa aceleração centrípeta: no plano horizontal, é o atrito entre a maca e o piso. A força de atrito necessária é f = m·a_c = 80 × 2 = 160 N. Como a força normal nesse plano é igual ao peso, N = m·g = 80 × 10 = 800 N, o coeficiente de atrito estático mínimo é μ = f/N = 160/800 = 0,20.
Esse exercício mostra a lógica geral de qualquer problema de movimento circular: primeiro encontrar a velocidade disponível (direta ou por etapas anteriores do enunciado), depois aplicar a_c = v²/r com o raio informado, e por fim identificar qual força real do diagrama desempenha o papel de força centrípeta.

A mesma lógica do exercício anterior se repete em situações bem diferentes, sempre com o mesmo núcleo: velocidade, raio e uma força real fazendo o papel de força centrípeta.
Como exercício de fixação, vale repetir o cálculo direto da fórmula: um ponto da borda de um disco gira com raio de 0,5 m e velocidade angular de 4 rad/s; qual é a aceleração centrípeta desse ponto? Aplicando a_c = ω²·r, o resultado é a_c = 16 × 0,5 = 8 m/s². Um segundo exercício: se esse mesmo ponto tivesse velocidade linear de 2 m/s no mesmo raio de 0,5 m, a aceleração seria a_c = v²/r = 4/0,5 = 8 m/s² — o mesmo valor, confirmando que as duas fórmulas descrevem o mesmo fenômeno a partir de dados diferentes.
Quer praticar mais problemas desse tipo? O Preparadão Física reúne conteúdo para você treinar movimento circular e outros tópicos de Física com foco em prova.
A aceleração centrípeta é o efeito cinemático: a variação da direção da velocidade em um movimento circular, medida em m/s². A força centrípeta é a causa desse efeito — a força resultante, radial e voltada para o centro, que surge da soma de forças reais como atrito, tração ou normal, de acordo com a segunda lei de Newton (F = m·a_c).
Sim, desde que "constante" se refira ao módulo da velocidade, não à sua direção. Em um movimento circular uniforme, o módulo não varia, mas a direção do vetor velocidade muda a cada instante, e essa mudança de direção é justamente o que a aceleração centrípeta mede.
As duas fórmulas equivalentes são a_c = v²/r e a_c = ω²·r. No Sistema Internacional, a_c é medida em metros por segundo ao quadrado (m/s²), v em metros por segundo (m/s), ω em radianos por segundo (rad/s) e r em metros (m).
Basta elevar a velocidade angular ao quadrado e multiplicar pelo raio da trajetória: a_c = ω²·r. Se o enunciado só fornecer a velocidade linear, é possível converter usando a relação v = ω·r antes de aplicar essa fórmula, ou simplesmente usar a_c = v²/r diretamente.
Como força real atuando sobre o corpo em um referencial fixo (por exemplo, alguém observando a curva do lado de fora), não. A sensação de "força centrífuga" aparece apenas para quem está dentro do sistema que gira — um referencial não inercial — e é usada ali como um recurso para descrever essa percepção, sem corresponder a uma força física real no diagrama do corpo.
Use a_c = v²/r quando o exercício fornecer a velocidade linear (escalar) e o raio da trajetória. Use a_c = ω²·r quando o exercício fornecer a velocidade angular e o raio. Como as duas grandezas estão ligadas pela relação v = ω·r, qualquer uma das fórmulas leva ao mesmo resultado.
Resolver um problema de movimento circular começa sempre pela mesma pergunta: a trajetória é circular e o que o enunciado oferece — velocidade linear, velocidade angular, período ou força — permite chegar ao raio e à velocidade necessários para aplicar a_c = v²/r ou a_c = ω²·r? Depois disso, o passo decisivo é identificar, no diagrama de forças, qual força real (atrito, tração, normal ou peso, isoladas ou combinadas) está fazendo o papel de força centrípeta naquele referencial.
O método é direto: encontre a velocidade, calcule a aceleração radial e relacione esse resultado à força que mantém o corpo na curva. Para continuar treinando, acesse o Preparadão Física e aprofunde seus estudos de Física com exercícios e conteúdos organizados.


Entenda o que é aceleração centrípeta, por que ela existe no movimento circular, suas fórmulas, direção, unidades e como resolver exercícios passo a passo.

Entenda os sinais de uso problemático dos jogos online, os cuidados com chats, compras e apostas e como equilibrar os games com a rotina escolar e familiar. Em resumo: Os jogos online para crianças já fazem parte da rotina de muitas famílias. Seja no celular, no computador ou no videogame, jogar online pode ser uma […]

Rede popular apoiada pelo MEC amplia o acesso à preparação gratuita para o Enem; estudantes também podem reforçar os estudos com o Preparadão da Quero Bolsa Em resumo: A preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) entrou na reta final. Em 6 de outubro, a pouco mais de um mês da prova, o […]