Como usar a pesquisa sobre o apagão dos professores como repertório?
A própria pesquisa do Instituto Semesp pode funcionar como repertório sociocultural em uma redação sobre educação. O candidato não precisa memorizar todos os números. Um dado representativo já pode ajudar a sustentar a argumentação.
Um exemplo é a inversão geracional observada no ensino médio: enquanto o número de professores com até 24 anos caiu 31,1% entre 2015 e 2023, o de docentes com 60 anos ou mais cresceu 104,5% no mesmo período.
O dado poderia aparecer no desenvolvimento para comprovar uma tese sobre a dificuldade de renovação do quadro docente.
Outra possibilidade é utilizar a projeção para 2040. Segundo o estudo, a Taxa de Renovação Docente pode cair para 0,17, chegando a uma relação aproximada de um professor jovem para cada seis professores com 60 anos ou mais.
Nesse caso, o repertório estatístico deve ser seguido de análise: o candidato pode explicar que o envelhecimento do quadro, quando combinado à baixa entrada de novos profissionais, cria dificuldades para substituir os docentes que deixarão a carreira.
Qual proposta de intervenção usar para o apagão dos professores?
No modelo do Enem, o participante precisa apresentar uma proposta de intervenção articulada ao que foi discutido no texto e que respeite os direitos humanos. Luciana Patrocínio lembra que uma proposta completa pode contemplar agente, ação, meio, efeito e detalhamento.
Entre os possíveis agentes relacionados ao tema, a especialista cita o Ministério da Educação (MEC), governos estaduais e municipais e empresas do setor educacional. Segundo ela, “a proposta interventiva não deve aparecer de forma isolada no texto, ela precisa estar relacionada aos problemas e às discussões desenvolvidas ao longo da redação.”
Se o estudante argumentou, por exemplo, que a baixa atratividade da carreira decorre de remuneração e condições profissionais, a conclusão pode propor políticas públicas voltadas à valorização da categoria e à entrada de novos docentes.
Caso o eixo escolhido seja a formação profissional, outra possibilidade é propor programas de incentivo às licenciaturas e de formação continuada.
As possíveis soluções para o apagão dos professores não se restringem à entrada de novos profissionais. Os relatos também apontam para a necessidade de criar condições para manter os docentes na carreira.
Sobre essa alternativa, a professora de Língua Inglesa, Bárbara Liz, destaca que é necessário melhorias na remuneração, na infraestrutura escolar, na formação continuada e no bem-estar profissional.
“Isso torna esse profissional visto, capacitado e muito mais seguro do que ele tem que fazer. E muito mais seguro, inclusive, de como ele vai fazer, porque ele sabe que vai estar assistido”, conclui Liz.
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