B55 Conference: 1º dia coloca líderes de Nubank, XP, Waze e Stone no palco; confira os destaques
Evento reúne mais de 3 mil empresários em São Paulo para debater as dores do crescimento, sucessão estratégica, a revolução da IA e a importância de focar na resolução de problemas
Guilherme Benchimol, André Street, Cristhiano Faé e David Vélez abriram o evento desconstruindo o glamour do empreendedorismo.
Nomes de peso como Ram Charan e Uri Levine defenderam que a escala de uma empresa depende de se apaixonar pelo problema real do cliente e de treinar a equipe para alcançar um padrão de execução.
A transição do papel de fundador para o conselho de administração foi detalhada por David Feffer e André Street como um marco para gerenciar a companhia e preservar a mentalidade de dono.
O impacto da Inteligência Artificial foi debatido por líderes como Diego Barreto, que ressaltaram como a adoção da tecnologia exige governança de custos e uma gestão de mudança cultural.
Nesta terça-feira (29), mais de três mil empresários se reuniram no Suhai Music Hall em São Paulo para o 1º dia da B55 Conference, evento voltado ao empreendedorismo realizado pelo Instituto B55.
A conferência levou ao palco nomes consagrados do ecossistema empresarial, incluindo Guilherme Benchimol (da XP), André Street (da Stone), Cristhiano Faé (CEO da B55), David Vélez (do Nubank), Diego Barreto (CEO do iFood), Mariana Dias (CEO da Gupy) e Uri Levine (cofundador do Waze).
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Em painéis próprios e em salas de mentoria, os gestores compartilharam suas experiências com o público e trataram de temas como formação de lideranças, aperfeiçoamento de equipes, cultura organizacional, transição de governança e a integração de inovações.
Como foi o 1º dia da B55 Conference?
O evento foi aberto às 9h30 pelo CEO do Instituto B55, Cristhiano Faé. Em sua primeira saudação, o líder tratou do propósito do evento.
A gente acredita que o conhecimento precisa ser transmitido de fundador para fundador. Se olharem a agenda dos nossos dois dias, construímos coisas muito relevantes no Brasil: gente com histórias incríveis.
Faé também apontou a relação do crescimento da empresa com o crescimento do próprio empreendedor.
São várias histórias de vários empreendedores que vão estar aqui compartilhando com vocês. E o responsável por ter essa virada são vocês, que são os fundadores. Porque, no final do dia, de fato, a empresa cresce conforme o fundador cresce, afirmou.
Após o encerramento da abertura, os fundadores do instituto subiram ao palco para dar início às palestras.
Ao longo do dia, os convidados tiveram acesso a sete compromissos no palco principal, além de mentorias individuais e encontros simultâneos.
Construindo negócios que mudam mercados
No primeiro painel “Construindo negócios que mudam mercados”, Guilherme Benchimol, André Street, Cristhiano Faé e David Vélez, fundadores do Instituto B55, debateram os desafios reais de escalar empresas no Brasil.
Os gestores desconstruíram a visão romantizada do empreendedorismo, destacando que a jornada exige resiliência e foco extremo.
“A jornada é dura, é desafiadora muitas vezes, tem pressão, mas você tem que gostar dela porque a somatória disso vai te permitir ter uma empresa sólida ao longo de muitos anos”, destacou Guilherme Benchimol.
Durante a sessão, os executivos partilharam lições nos seguintes eixos:
Sobrevivência financeira e foco: Em um cenário em que o capital é restrito, a missão prioritária é garantir o caixa para o longo prazo.
Cultura e recrutamento: A identidade da empresa deve ser documentada logo nos primeiros meses de operação. Além disso, a contratação exige critérios para procurar uma verdadeira diversidade psicológica.
Meritocracia autêntica: A avaliação da equipe não pode basear-se apenas em números. É preciso cruzar a entrega de resultados com o comportamento para impedir a ascensão de profissionais que atingem metas financeiras, mas que corroem o ambiente de trabalho.
Para que a operação ganhe escala, os fundadores lembraram que a gestão de capital requer extrema cautela, alertando que “o Brasil é um lugar de dinheiro caro” e que o foco da gestão deve ser “chegar vivo daqui a 50 anos”.
Para encerrar o debate com inspiração, David Vélez recordou a importância de ignorar o ceticismo do mercado.
“Você só se transforma em líder se você é capaz de fazer o seu time acreditar em coisas impossíveis e depois você chegar lá”.
Sonhar grande e executar rápido
Às 11h foi a vez de Ram Charan subir ao palco. O consultor de gestão, palestrante e autor best-seller tratou, em seu painel, do aspecto humano essencial para o crescimento de qualquer empresa.
O palestrante foi categórico ao definir o que realmente move uma operação.
“Somente as pessoas constroem negócios. As pessoas constroem sistemas, executam as ideias e sonham”.
A partir dessa premissa, Charan destacou os seguintes aprendizados práticos para os fundadores:
Treinamento para a autonomia: Não basta apenas recrutar bem, é preciso repassar a intuição do líder. “Você tem que treinar pessoas que vão aprender com você e ser capazes de fazer as coisas sem você”.
Mentalidade de excelência: A régua da empresa precisa estar sempre no nível máximo. A recomendação dele para os empresários foi um mantra em três passos: “Nós devemos ser os número um em qualquer coisa que fizermos. Número dois: selecione as pessoas certas. Número três: treine as pessoas certas”.
Visão global e longo prazo: Ao incentivar os negócios a pensarem além do mercado brasileiro, Charan provocou a plateia: “Qual é o seu produto ou o seu serviço que vai mudar o mundo? Você não precisa ser grande no começo”. A meta é imaginar e criar algo “que o mundo vai precisar, não apenas agora, mas daqui a 20 anos”.
Empresas que duram no tempo
O painel “Empresas que duram no tempo” trouxe David Feffer, presidente da Suzano Holding, para refletir sobre a jornada de transformar um negócio familiar em uma potência global centenária.
Ele resgatou a história de seu avô, que chegou ao Brasil no início do século passado sem recursos, orientado por um só propósito. “A única coisa que ninguém tira de você e que você leva com você é o conhecimento”.
Os principais pontos da apresentação foram:
Sucessão e respeito: Feffer sublinhou que assumir a liderança na empresa da família exige muito trabalho de base. Ele recordou a época em que “batia cartão às 7 horas da manhã” na fábrica, deixando o conselho: “Você não pode achar que vai ganhar o respeito de todo mundo de graça. O respeito você ganha no dia a dia”.
Governança e o papel do conselho: Ao deixar a presidência executiva, Feffer confessou ter sentido a “síndrome de raiz nua”, com o telefone parando de tocar subitamente. Contudo, entendeu a nova função: “o líder não tem que fazer, ele tem que inspirar, puxar o time para encontrar o norte, harmonizar o time, como o maestro na orquestra”.
Coragem para escalar: A consolidação da empresa exigiu riscos gigantescos, como a assinatura do contrato de R$ 35 bilhões para a aquisição da Fibria. Para sustentar empresas longevas, a lição foi clara: é preciso estruturar a governança, sonhar grande e não ter medo de competir com os melhores do mundo.
Construindo grandes negócios
O painel “Apaixone-se pelo problema, não pela solução” com Uri Levine, cofundador do Waze, abordou princípios para a sobrevivência e sucesso de startups e projetos inovadores.
Desmistificando o caminho linear para o sucesso, Levine cravou:
Construir uma startup é uma viagem de montanha-russa no escuro. Você sequer sabe o que vem a seguir.
A partir de sua vivência, o executivo compartilhou lições cruciais para quem deseja escalar:
Apaixone-se pelo problema: A grande armadilha dos fundadores é criarem tecnologias sem utilidade prática. Levine alertou de forma categórica: “Mais da metade das startups que falham, falham porque não resolveram nenhum problema. Constroem algo e ninguém se importa, porque não estão resolvendo um problema”.
A armadilha do perfeccionismo: Para inovar, é preciso testar no mercado o quanto antes. O palestrante ressaltou que “o maior inimigo do ‘bom o suficiente’ é o ‘perfeito'” e deixou uma de suas regras de ouro: “Se você não tem vergonha da primeira versão do seu produto, você lançou tarde demais“.
Decisões difíceis e equipe: A gestão de talentos exige coragem, pois “demitir é uma decisão difícil, contratar é uma decisão fácil“. Sua métrica para avaliar se a equipe está no caminho certo baseia-se em uma pergunta honesta ao próprio gestor: “Sabendo o que sei hoje, eu contrataria essa pessoa?”.
De founder ao chairman: o que muda quando você passa a cadeira?
André Street, da Stone, foi o responsável por conduzir o painel “De founder ao chairman: o que muda quando você passa a cadeira?”.
Em sua apresentação, ele aprofundou o desafio emocional de deixar a operação diária para assumir o conselho de administração.
A discussão evidenciou que a passagem de bastão não é uma perda de poder, mas uma readequação para a sobrevivência do negócio a longo prazo.
Os principais aprendizados e reflexões foram:
A liderança tem prazo de validade: As competências que constroem uma startup não são as mesmas que gerenciam uma gigante corporativa. O painel trouxe que “não necessariamente a pessoa que leva a empresa do ponto A para o B vai levar a empresa do ponto B para o C”.
O choque da transição: Deixar a presidência executiva gera um impacto descrito como a “síndrome da raiz nua”. Ao mudar para o conselho, “o telefone para de tocar” e surge o “sentimento de que o seu tempo se foi. Mas, na verdade, ali você tá recomeçando”.
Preservar a “cultura de dono”: O maior desafio ao entregar a cadeira para um novo CEO é institucionalizar a essência da empresa. A missão do conselho é garantir que “a companhia precisa ser uma companhia de dono”, mantendo o esforço diário para “não abrir mão de princípios que fazem a nossa companhia ser a nossa companhia”.
O novo mundo de negócios com IA
O painel “O novo mundo de negócios com IA” explorou o impacto prático da Inteligência Artificial na operação e a complexa gestão de mudança cultural que a adoção em massa dessa tecnologia exige.
Com a participação de líderes como Diego Barreto (iFood) e Daniela (Pismo), a discussão abrangeu desde a transformação da infraestrutura de bancos globais até a rotina de pequenos restaurantes.
Os principais insights debatidos foram:
Gestão de mudança implacável: Diego Barreto lembrou que a neurociência prova que “o ser humano não gosta de mudança”, mas destacou que a evolução tecnológica é inegociável. Ele detalhou o ciclo de um ano e meio do iFood para adaptar o time: seis meses de comunicação intensa, seis de treinamento e seis de alinhamento de metas, culminando na demissão de quem não se adapta.
O perigo de automatizar problemas: Ao falar sobre a modernização de sistemas financeiros, Daniela alertou que usar ferramentas de IA sem arrumar a base do negócio significa apenas replicar problemas em outra dimensão. Para ela, a transição tecnológica “é muito mais sobre reinventar do que refazer”.
IA no dia a dia do varejo: No iFood, a IA já democratiza soluções para restaurantes comuns, desde o ajuste automático de luz em fotos ruins de cardápio até o uso de IA conversacional para substituir planilhas de gestão diária.
Governança e o “susto” dos tokens: A escala da IA gerou um novo gargalo financeiro para as grandes empresas. Barreto revelou que o iFood consumiu “31 trilhões de tokens” em dois anos e que a curva de custo dessa tecnologia estava prestes a ultrapassar a fatura global de infraestrutura na nuvem (AWS) da empresa.
Sala de mentoria e Lounge Stone
Fora do palco principal, a B55 Conference ofereceu espaços paralelos para discussões mais próximas.
Nas salas de mentoria, o evento promoveu encontros simultâneos e mentorias individuais, nas quais os gestores compartilharam as suas experiências diretas com o público, tratando de temas práticos como formação de lideranças e aperfeiçoamento profissional.
Já no Lounge Stone, uma arena dedicada aos processos de atração e relacionamento, a programação contou com os seguintes painéis ao longo do dia:
12h às 12h45:Employee Experience (Experiência do Colaborador)
13h às 13h45:Customer Experience e Customer Centric (Experiência do Cliente e Foco no Cliente)
15h às 15h40: Comportamento do Consumidor
Co-founders da Qeevo marcam presença no primeiro dia do evento
O 1º dia da B55 Conference também contou com a presença de representantes do grupo Qeevo. Bruno Passarelli (CEO da Qeevo), Milos Fonseca (COO da Qeevo) e Guilherme Mancilha (CFO da Qeevo) acompanharam as palestras na íntegra.
“Uma das provocações que levei do painel com David Vélez (Nubank), André Street (Stone), Guilherme Benchimol (XP) e Cris Faé (B55), é que ser bom em resolver problemas pode fazer você adiar as mudanças que a empresa precisa. Quando você resolve tudo, pode parecer que está sendo um ótimo líder. Mas talvez esteja apenas fazendo o trabalho do time, enquanto adia decisões sobre pessoas, responsabilidades e direção”, relata Passarelli.
Bruno Passarelli (CEO do grupo Qeevo), Guilherme Mancilha (CFO do grupo Qeevo) e Milos Fonseca (COO do grupo Qeevo)
Programação do 2º dia da B55 Conference
O 2º dia da B55 Conference acontece nesta quarta-feira (30) e reúne novos convidados para debater estratégias para um empreendimento de sucesso. A agenda inclui:
8h – 9h: Abertura do credenciamento
9h – 9h30: Abertura (Palco Principal)
9h30 – 10h20: Como se tornar líder de mercado (Palco Principal)
10h20 – 11h20: GTM, canais e funil de vendas (Sala de Mentoria)
11h10 – 12h10: Construindo marcas fortes no Brasil: Canais, distribuição e crescimento de marca (Palco Principal)
11h30 – 12h25: Geração de Demanda (Sala de Mentoria)
12h15 – 13h00: Como escalar negócios sem perder a proximidade com o cliente (Lounge Stone)
13h30 – 14h30: Construindo um time de vendas que bate meta (Palco principal)
13h30 – 14h30: Produto e Tech (Sala de Mentoria)
14h30 – 15h35: Retenção e experiência do cliente em IA (Sala de Mentoria)
14h35 – 15h45: Formação de lideranças: Gente como centro do crescimento (Palco Principal)
16h – 17h00: Cultura e Modelo de Gestão (Sala de Mentoria)
16h – 16h55: Décadas de Empreendedorismo (Palco Principal)
17h – 17h45: Cultura e impacto no recrutamento nas empresas (Sala de Mentoria)
17h – 17h45: Construindo para 2027: o que esperar do próximo ano (Palco Principal)
17h45 – 18h30: O futuro da relação de empresas e clientes com IA (Lounge Stone)
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