Por que o ChatGPT não consegue calcular a nota do Enem?
Para o autor de Língua Portuguesa do Sistema de Ensino pH, Diogo D’ippolito, o Chat GPT não é uma ferramenta confiável para calcular a nota do Enem.
A explicação é que a TRI utiliza um modelo estatístico complexo, baseado em dados que não são públicos. De acordo com o especialista, “ela depende de parâmetros estatísticos sigilosos, definidos a partir do comportamento de milhões de candidatos em cada edição do Enem. Esses dados não são públicos e não podem ser estimados individualmente”.
Além disso, o cálculo da nota não considera apenas o desempenho individual. Isto é, a nota de um estudante depende do desempenho de todos os outros candidatos, e não apenas do número de acertos individuais, esclarece D’ippolito.
Outro ponto central é a forma como as respostas são analisadas. O autor de Língua Portuguesa explica: “acertar muitas questões difíceis e errar fáceis pode reduzir a nota, algo que não pode ser corretamente modelado sem os dados oficiais”.
Segundo ele, a prova só é estatisticamente finalizada após a aplicação com base nos resultados reais. Sem acesso a essas informações, a conclusão é direta: “sm esses dados, nenhuma IA, planilha ou simulador externo consegue reproduzir a nota oficial com precisão”.
Quais erros os estudantes cometem ao usar o ChatGPT?
Conforme a ansiedade para o resultado do Enem aumenta, mais estudantes recorrem a diversas ferramentas de simulação de notas.
Para Diogo D’Ippolito, um dos equívocos mais comuns ao utilizar o ChatGPT e outras inteligências artificias é acreditar que mais acertos garantem uma nota mais alta, já que na TRI isso não é verdade.
Também é comum desconsiderar a coerência das respostas. “Errar fáceis e acertar difíceis costuma penalizar a nota”, alerta o especialista. Ainda assim, muitos estudantes tratam estimativas como se fossem oficiais. “Confiar em simuladores genéricos como se fossem oficiais é um equívoco. Nenhum simulador externo replica a TRI real”.
Nesse contexto, D’ippolito reforça: “o ChatGPT pode explicar a TRI, mas não calcula a nota do Enem”. Ele também chama atenção para comparações equivocadas entre edições diferentes do exame, considerando que cada edição tem uma calibragem própria.
Como ter uma noção do desempenho no Enem?
Embora não exista forma de prever a nota exata, algumas estratégias ajudam a criar uma referência. O autor de Língua Portuguesa do Sistema de Ensino pH, Diogo D’ippolito aconselha: “comparar o número de acertos com médias históricas, sabendo que isso é apenas uma referência, não uma previsão exata”.
Outra dica do D’ippolito é observar o padrão de respostas, vendo se houve mais acertos em questões fáceis e médias, o que tende a favorecer a TRI. Simuladores também podem ser usados, desde que com cautela: “eles ajudam a saber se o aluno está mais próximo de 600, 700 ou 800 pontos, mas não a nota exata”, aponta o especialista.
Mesmo com a ansiedade típica do período pós-prova e a disponibilidade de ferramentas de IA, quando o assunto é o resultado do Enem “a única nota real e válida é a divulgada pelo Inep”, destaca Diogo D’ippolito.