Possíveis temas sobre mulheres na redação do Enem
De acordo com o especialista, alguns eixos temáticos relacionados às mulheres aparecem com frequência em debates sociais e podem aparecer nas propostas de redação.
A violência contra a mulher, por exemplo, já foi tema da prova. Em 2015, o Enem trouxe uma proposta de redação sobre violência contra a mulher na sociedade brasileira.
Além disso, discussões sobre igualdade no trabalho e participação feminina em cargos de liderança também aparecem frequentemente em debates sobre desenvolvimento social e econômico.
Confira abaixo os assuntos que o especialista Thiago Braga apontou como promissores para caírem na redação do Enem:
- Violência doméstica e feminicídio
- Desigualdade de gênero no mercado de trabalho
- Representação política feminina
- Saúde reprodutiva e direitos das mulheres
- Acesso das mulheres à ciência e tecnologia
- Desigualdade de gênero e raça no Brasil
Repertórios socioculturais para temas sobre mulheres
Para desenvolver uma boa redação no Enem, é importante utilizar repertórios socioculturais relevantes, como dados, leis, conceitos teóricos e referências históricas ou literárias.
Dados e pesquisas sobre desigualdade de gênero
Informações estatísticas ajudam a contextualizar o problema e fortalecer a argumentação. Segundo Thiago Braga, alguns exemplos que podem ser utilizados são:
- Atlas da Violência (Ipea) — apresenta dados sobre taxas de feminicídio no Brasil
- IBGE — aponta que mulheres dedicam quase o dobro de horas ao trabalho doméstico em comparação aos homens
- Fórum Econômico Mundial — estima que a paridade de gênero no mercado de trabalho global pode levar mais de um século para ser alcançada
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Leis e acordos internacionais
Outro tipo de repertório valorizado são as referências legais e institucionais relacionadas aos direitos das mulheres.
Entre os exemplos estão:
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Conceitos e teorias
Citar conceitos importantes pode ajudar a aprofundar a discussão sobre desigualdade de gênero.
Um dos exemplos mais conhecidos é o da filósofa Simone de Beauvoir, que escreveu em O Segundo Sexo (1949) que “não se nasce mulher, torna-se”, indicando que papéis de gênero são construções sociais.
“Essa formulação é poderosa porque mostra que os papéis de gênero são uma construção social e histórica, não um destino biológico”, explica Thiago Braga.
Outro conceito relevante é o de interseccionalidade, desenvolvido pela jurista Kimberlé Crenshaw, que explica como diferentes formas de desigualdade — como gênero, raça e classe — podem se cruzar e intensificar a exclusão.
O especialista Braga justifica: “o conceito mostra como diferentes formas de opressão, como gênero, raça e classe, se cruzam e se intensificam. Para falar sobre a situação da mulher negra no Brasil, esse conceito é praticamente indispensável”.
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Referências históricas e literárias
Obras literárias e personagens históricos também podem ser usados como repertório na redação. Entre os exemplos citados pelo especialista estão:
- Carolina Maria de Jesus — autora de Quarto de Despejo (1960), obra que aborda pobreza, desigualdade social e marginalização
- Bertha Lutz — liderança fundamental na conquista do direito ao voto feminino no Brasil em 1932
- ODS 5 da ONU — objetivo da Agenda 2030 que trata da igualdade de gênero e empoderamento das mulheres
Essas referências podem ser aplicadas em diferentes temas ligados a cidadania, democracia, direitos humanos e desigualdade social.
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