
Dia do Administrador 2026: 20 frases para homenagear esses profissionais
| 09/09/26Homenagear esses especialistas é valorizar quem, diariamente, organiza o presente para projetar o futuro
Descubra como funciona a urna eletrônica brasileira. Entenda o processo de votação, os mecanismos de segurança e como a apuração é auditada
Em resumo:
Em outubro de 2000, o Brasil definia um novo marco no desenvolvimento tecnológico. Pela primeira vez, um dispositivo de registro de voto era utilizado integralmente em uma eleição, marcando a nova era dos pleitos 100% informatizados.
Batizada de urna eletrônica, a ferramenta era capaz de contabilizar votos em uma velocidade incomparável, eliminando fraudes comuns na distribuição de cédulas e agilizando a apuração e o resultado.
Desde então, o país já soma 13 eleições ordinárias, três presidentes eleitos e milhares representantes políticos nomeados com o auxílio da tecnologia. Em 2026, a urna eletrônica completa seu 30º ano, e para te ajudar a compreender essa ferramenta única, veja, a seguir, como ela funciona.

A urna é um microcomputador projetado para uma única finalidade: registrar e contabilizar votos de forma segura.
Ela é composta por dois terminais que garantem a identificação do eleitor e o registro de seu voto:
Para sustentar toda a operação, a urna não usa sistemas convencionais. Ela roda o Uenux, um sistema operacional baseado em Linux e desenvolvido sob medida pelos engenheiros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Seu funcionamento depende de dispositivos físicos semelhantes a pen drives, chamados de mídias de memória. A “Mídia de Aplicação” instala o sistema operacional e a lista oficial de candidatos na máquina dias antes da eleição.
Já a “Mídia de Resultado” é o compartimento blindado onde os votos são gravados e lacrados no final do dia.
Não. O isolamento físico é a principal barreira de segurança da urna. A placa-mãe do equipamento é fabricada sem qualquer componente de rede: não há placa de Wi-Fi, módulo Bluetooth, entrada para cabo de rede (Ethernet) ou antena de rádio.
Como o equipamento opera 100% offline, é inviável que um hacker ou um programa malicioso invada a urna remotamente pela internet para alterar o sistema operacional ou computar votos falsos.
A única forma de inserir dados na máquina é fisicamente, por meio do teclado do eleitor ou da porta USB protegida por lacres de segurança e restrita aos técnicos do TSE.
O sistema eleitoral brasileiro é reconhecido como um dos mais seguros. Ao longo de 30 anos de uso, desde a sua primeira implementação parcial em 1996, nunca houve registro de fraude comprovada na contabilização dos votos.
A confiabilidade da urna baseia-se em uma arquitetura de segurança construída em camadas. O pilar central desse modelo é o isolamento físico: por não possuir nenhum tipo de componente de conexão à internet, Wi-Fi ou Bluetooth, a máquina é totalmente blindada contra invasões externas.
Além da segurança física e criptográfica, a transparência do processo é validada por auditorias públicas e independentes.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abre o código-fonte para a perícia da Polícia Federal, partidos e universidades meses antes do pleito. Durante a votação, o Teste de Integridade cruza dados de cédulas de papel com registros digitais em urnas sorteadas.
Por fim, a impressão obrigatória do Boletim de Urna (BU) ao término da votação descentraliza a conferência, permitindo que a própria população audite os números locais antes mesmo de os dados chegarem à central de apuração em Brasília.
Para que o voto seja inviolável, a urna eletrônica separa completamente a identificação do eleitor do voto digitado, utilizando uma tecnologia chamada Registro Digital do Voto (RDV).
O RDV funciona como uma urna de lona virtual. Quando o eleitor confirma o seu candidato, o sistema não grava a informação em uma lista sequencial. Em vez disso, o voto é criptografado e jogado aleatoriamente dentro de uma tabela matemática.
O sistema mistura as posições dos votos constantemente. No final do dia, a Justiça Eleitoral consegue contabilizar a soma total de votos de cada candidato, mas é matematicamente impossível reconstruir o caminho para descobrir qual eleitor digitou cada voto.
Às 17h, o presidente da seção eleitoral digita uma senha específica no terminal do mesário e encerra a votação. A urna consolida todos os votos criptografados e os grava na Mídia de Resultado.
Essa mídia é retirada da urna, colocada em um envelope lacrado e transportada fisicamente (sob escolta) até um cartório eleitoral ou polo de transmissão.
Apenas nesse local a mídia é conectada a um computador oficial da Justiça Eleitoral. Esse computador utiliza uma Rede Virtual Privada (VPN) para transmitir o pacote de dados diretamente ao supercomputador do TSE em Brasília, que realiza a totalização nacional.
O Boletim de Urna (BU) é a prova física da apuração digital. Imediatamente após o encerramento da votação, a própria urna eletrônica imprime um extrato em papel termossensível, semelhante a um recibo bancário.
Este documento contém:
Uma via do BU é assinada pelo mesário e colada na porta da seção eleitoral. Isso permite que qualquer cidadão, fiscal de partido ou jornalista fotografe o resultado local antes mesmo de os dados chegarem a Brasília.
O sistema passa por etapas de auditoria obrigatórias e públicas antes, durante e depois das eleições para atestar a sua integridade.
As três principais frentes de auditoria são:
Para garantir a transparência e a segurança de cada voto, a Justiça Eleitoral adota um protocolo rigoroso que começa antes mesmo de o primeiro eleitor chegar à seção e só termina após a transmissão segura dos dados.
O ciclo completo de funcionamento no dia da eleição segue este passo a passo:
A história da informatização do voto no Brasil começou muito antes da implementação oficial da urna.
O primeiro passo ocorreu em 1989, na cidade de Brusque, em Santa Catarina, quando um juiz eleitoral organizou a primeira votação com um protótipo de computador.
No entanto, o equipamento como conhecemos hoje começou a ganhar forma em 1995, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) instituiu comissões técnicas para desenvolver um modelo de abrangência nacional.
O equipamento fez a sua estreia oficial nas eleições municipais de 1996, atendendo inicialmente a um terço do eleitorado (municípios com mais de 200 mil habitantes), até alcançar a totalidade das cidades do país no ano 2000.
A urna eletrônica não foi inventada por uma única pessoa ou patenteada por uma empresa privada. Ela é uma criação genuinamente brasileira, desenvolvida pelo próprio Estado.
Em 1995, o TSE formou uma comissão de especialistas composta por pesquisadores e engenheiros de órgãos, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Comando Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), o Exército Brasileiro e o Ministério das Comunicações.
Juntos, esses profissionais desenharam o projeto arquitetônico, os requisitos de segurança e o software original do equipamento.
O Brasil é o único país do mundo que utiliza um sistema eletrônico de votação e apuração em todo o processo eleitoral. Contudo, a tecnologia é adotada de forma parcial por outras nações, embora em formatos distintos:
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