O procedimento destrutivo é adotado devido à sua escala e rapidez. Ao invés de usar métodos convencionais de preservação, a técnica consiste em cortar a lombada do livro para soltar todas as páginas.
Em seguida, as folhas soltas são inseridas em escâneres industriais de alta velocidade. Uma vez que o livro é “desmembrado”, não pode ser montado novamente, e os restos da obra original são descartados para reciclagem.
A fome insaciável por dados e a busca pelo “underground”
Os grandes modelos de linguagem (LLMs), como o ChatGPT e o Claude, dependem do processamento maciço de textos para funcionarem corretamente e aprenderem a prever o raciocínio humano.
Nos últimos anos, as gigantes da tecnologia já esgotaram praticamente todas as fontes abertas de informação na internet: a Wikipédia, milhões de blogs, bancos de dados acadêmicos e até transcrições de vídeos.
Sem novas fontes de dados online para “alimentar” suas IAs, essas empresas voltaram suas atenções para o formato físico, buscando livros não comerciais e fora de catálogo.
Risco ao patrimônio e perda de contexto histórico
O avanço desse processo de digitalização forçada acende alertas entre historiadores, colecionadores e pesquisadores.
O risco iminente é que, ao comprar estoques inteiros de forma indiscriminada, essas empresas destruam exemplares de tiragens limitadas, obras raras e, principalmente, materiais que nunca receberam um registro oficial (ISBN), como manifestos políticos e a literatura underground.
Além do risco de apagamento físico de obras esgotadas, especialistas alertam para a “perda de metadados”. Ao destruir o livro e preservar apenas o texto bruto em bancos de dados privados, elementos físicos utilizados para a pesquisa histórica são descartados.
Anotações nas margens, o tipo de costura da encadernação, a textura do papel e ilustrações exclusivas se perdem para sempre na conversão digital.
Sem novos livros físicos para consumir, o mercado já teme o próximo passo da tecnologia: o treinamento de IAs baseado em textos gerados por outras IAs.
Segundo os pesquisadores, esse ciclo pode levar a uma degradação do conhecimento humano, transformando a informação no “resumo do resumo”, cada vez mais distante das fontes reais.
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