O que disse o ministro da Educação?
No vídeo divulgado em suas redes sociais, Camilo Santana classificou o Enem como um “patrimônio do Brasil”, destacando seu papel na democratização do acesso ao ensino superior.
“O Enem está acima de qualquer questão política ou partidária. […] Eu quero aqui tranquilizar a cada um de vocês: o Enem não será cancelado.”
O ministro reforçou que quase 5 milhões de pessoas se inscreveram no exame; que a aplicação contou com 585 mil colaboradores nos dois dias de prova; e que, pela primeira vez, houve detectores de metal em todas as salas, totalizando mais de 120 mil ambientes monitorados.
O ministro também confirmou que os gabaritos já foram divulgados e o resultado final sai em janeiro de 2026. Segundo ele, a decisão do Inep de anular três questões foi tomada “por isonomia”, para evitar qualquer prejuízo aos participantes.
Entenda o caso: suspeita de vazamento e atuação da PF
A polêmica começou quando um estudante de Medicina exibiu em uma live questões muito semelhantes às que apareceram no Enem 2025. O jovem afirmou ter participado dos pré-testes do Inep, etapa utilizada para calibrar itens que podem ou não entrar no exame oficial.
A repercussão levou o Inep a anular três questões da prova, como medida preventiva. Camilo Santana classificou o episódio como um “caso de polícia”:
“A Polícia Federal já foi acionada e tomará todas as providências com o rigor da lei.”
Movimento “Anula Enem” convoca manifestações pelo país
Apesar do posicionamento do MEC, grupos de estudantes organizados pelo perfil @anulaoenem convocaram protestos em diversas cidades brasileiras. Os atos pedem a anulação total do Enem 2025, alegando perda de credibilidade após a divulgação antecipada de questões.
Segundo o movimento:
- As manifestações ocorrerão principalmente no dia 22 de novembro, com alguns atos antecipados para o dia 21;
- Os protestos acontecerão nas cinco regiões do país, incluindo capitais e grandes centros urbanos.
Por que há pressão pela anulação do Enem 2025?
Os organizadores das manifestações argumentam que:
- A semelhança das questões exibidas na live com itens do exame compromete a confiabilidade do processo;
- A anulação de apenas três perguntas seria insuficiente para “restabelecer a isonomia”;
- A investigação ainda em andamento justificaria suspender ou repensar a edição 2025.
No entanto, o MEC e o Inep sustentam que a continuidade do exame preserva os milhões de candidatos que dependem do Enem para programas como Sisu, Prouni e Fies, os protocolos de segurança foram seguidos e a a anulação foi suficiente para resolver o problema.
Pré-testes do Inep: como funcionam?
Os pré-testes são aplicações experimentais feitas com estudantes convidados para medir:
- dificuldade das questões;
- comportamento estatístico;
- clareza e funcionamento pedagógico dos itens.
Os itens utilizados nos pré-testes podem ou não ser selecionados para compor o Enem em anos seguintes. Não há acesso público aos itens, e todos os participantes assinam termos de sigilo.