
Orçamento departamental: como montar o plano anual da área
| 04/11/26Aprenda a montar o orçamento anual da área com metas, histórico, premissas, custos recorrentes, iniciativas, prioridades e cenário de corte.
Descubra o que caracteriza uma equipe de alto desempenho, segundo estudos do Google, Amy Edmondson e Patrick Lencioni, e como desenvolver essas equipes na prática.
Em resumo:
Veja mais informações a seguir!

Contratar profissionais talentosos não é suficiente para garantir bons resultados. Embora as competências individuais sejam importantes, o desempenho de uma equipe também depende de como seus integrantes trabalham juntos, compartilham conhecimentos e lidam com desafios.
Uma equipe de alto desempenho é aquela que consegue atingir seus objetivos de maneira consistente, adaptar-se às mudanças e produzir resultados superiores aos que seus integrantes alcançariam trabalhando individualmente.
Isso significa que a eficiência coletiva depende de fatores como comunicação, confiança, organização e colaboração.
Outro aspecto importante é que uma equipe de alto desempenho não é necessariamente aquela em que todos concordam ou evitam conflitos. Pelo contrário, divergências podem contribuir para decisões melhores quando são conduzidas de maneira construtiva.
Nesse contexto, existem dois tipos de conflito:
A diferença está na maneira como os profissionais lidam com as discordâncias. Uma equipe eficiente consegue questionar ideias e discutir decisões sem transformar divergências profissionais em conflitos pessoais.
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Entre 2012 e 2016, o Google desenvolveu o Projeto Aristotle, uma iniciativa interna para identificar quais fatores estavam associados ao desempenho de suas equipes.
A empresa analisou 180 equipes e investigou diferentes características, como perfis de personalidade, habilidades individuais, organização dos processos e formas de interação entre os profissionais.
A expectativa inicial era encontrar uma combinação específica de talentos ou características individuais que explicasse o sucesso dos melhores grupos.
Entretanto, os resultados apontaram para outra direção: a maneira como os integrantes interagiam tinha mais relevância para a eficácia coletiva do que a composição individual das equipes.
O principal fator identificado foi a segurança psicológica, conceito desenvolvido pela pesquisadora Amy Edmondson.
Na prática, isso significa que os profissionais precisam se sentir seguros para:
Além da segurança psicológica, o Projeto Aristotle identificou outros quatro fatores relacionados à eficácia das equipes:
Esses fatores mostram que o desempenho coletivo depende de um ambiente no qual as pessoas conseguem colaborar, compreender suas responsabilidades e reconhecer a importância das próprias entregas.
Suas equipes executam atividades ou geram valor estratégico?
O consultor e escritor Patrick Lencioni apresentou outro modelo importante para compreender o funcionamento das equipes no livro The Five Dysfunctions of a Team (2002).
A obra descreve cinco disfunções que dificultam a construção de equipes eficientes. Organizadas em uma estrutura piramidal, elas demonstram como problemas de relacionamento e organização podem comprometer os resultados coletivos.
A base do modelo é a confiança entre os integrantes da equipe.
Quando os profissionais não confiam uns nos outros, tendem a esconder erros, evitar conversas difíceis e demonstrar receio de reconhecer limitações.
A falta de confiança também dificulta a colaboração, pois os integrantes passam a interpretar questionamentos e divergências como ameaças pessoais.
Sem confiança, os profissionais evitam discussões que poderiam melhorar o trabalho.
Em vez de apresentar opiniões divergentes, passam a concordar superficialmente para preservar a harmonia do grupo.
O resultado é uma equipe que não explora diferentes possibilidades e pode tomar decisões sem avaliar adequadamente os riscos.
Quando os integrantes não participam efetivamente das discussões, podem ter dificuldade para se comprometer com as decisões tomadas.
Isso acontece porque a ausência de debates reduz o envolvimento dos profissionais com os caminhos escolhidos.
Consequentemente, a execução das atividades pode perder consistência, mesmo quando existe um planejamento definido.
A falta de comprometimento também prejudica a responsabilização coletiva.
Quando os integrantes não se sentem envolvidos com os resultados, deixam de cobrar responsabilidades uns dos outros e passam a depender exclusivamente do líder para acompanhar o desempenho.
Esse comportamento dificulta a identificação de falhas e a correção de problemas durante a execução das atividades.
No topo da pirâmide está a falta de atenção aos resultados coletivos.
Nesse cenário, os profissionais priorizam interesses individuais, reconhecimento pessoal e disputas internas em vez dos objetivos da equipe.
O desempenho coletivo deixa de ser prioridade, comprometendo a capacidade do grupo de alcançar resultados consistentes.
+ Segurança psicológica: o que Amy Edmondson descobriu e o que o Google confirmou
Os estudos sobre segurança psicológica, o Projeto Aristotle e o modelo de Patrick Lencioni ajudam a identificar características recorrentes em equipes eficientes.
A partir dessas contribuições, cinco aspectos merecem atenção dos gestores.
Todos os integrantes precisam compreender o que a equipe pretende alcançar e quais critérios serão utilizados para avaliar os resultados.
Não basta reunir metas individuais. É necessário estabelecer objetivos compartilhados que dependam da colaboração entre os profissionais.
Essa clareza também ajuda a orientar prioridades e evita que diferentes integrantes trabalhem em direções incompatíveis.
Cada profissional precisa saber quais atividades estão sob sua responsabilidade e como seu trabalho se relaciona com as entregas dos demais integrantes.
A definição de papéis reduz dúvidas, evita sobreposição de tarefas e facilita o acompanhamento dos resultados.
Isso não significa criar uma estrutura rígida. Uma equipe eficiente também precisa de flexibilidade para compartilhar conhecimentos, ajudar colegas e reorganizar atividades diante de mudanças.
A segurança psicológica permite que os profissionais participem das discussões sem receio de punições ou constrangimentos.
Esse ambiente favorece a comunicação, o compartilhamento de informações e a identificação antecipada de problemas.
Entretanto, não é suficiente estabelecer uma política de portas abertas. Os líderes precisam demonstrar, por meio de suas atitudes, que perguntas, críticas e sugestões são bem-vindas.
Equipes formadas por profissionais com experiências, conhecimentos e formas de pensar diferentes podem ampliar as possibilidades de análise e resolução de problemas.
Uma pesquisa de Woolley e colaboradores, publicada em 2010 na revista Science, investigou o conceito de inteligência coletiva e identificou uma relação entre o desempenho dos grupos e fatores como a sensibilidade social dos integrantes e a distribuição equilibrada da participação nas conversas.
A diversidade de perspectivas permite que uma equipe considere diferentes abordagens antes de tomar decisões.
Para aproveitar esse potencial, o líder precisa criar oportunidades para que todos contribuam, evitando que apenas os profissionais mais experientes ou comunicativos dominem as discussões.
O feedback permite identificar dificuldades, reconhecer avanços e ajustar estratégias durante a execução das atividades.
Em equipes de alto desempenho, essa prática não deve acontecer apenas nas avaliações formais ou nas conversas entre líder e subordinados.
A troca de feedbacks entre os próprios integrantes também é importante para melhorar processos, alinhar expectativas e acelerar o aprendizado coletivo.
Reuniões de acompanhamento, retrospectivas e conversas individuais são algumas possibilidades para estabelecer uma rotina de comunicação.
Por que algumas ideias nunca se transformam em projetos reais?
A formação de uma equipe eficiente não depende exclusivamente da contratação de profissionais com currículos excepcionais. A liderança também precisa criar condições para que as competências individuais sejam aproveitadas coletivamente.
Isso envolve quatro responsabilidades principais:
Essas condições influenciam diretamente a maneira como os profissionais colaboram e enfrentam desafios.
Uma equipe formada por talentos excepcionais pode apresentar resultados abaixo do esperado quando não existe confiança, clareza ou organização. Da mesma forma, profissionais competentes podem alcançar resultados superiores quando encontram um ambiente que favorece a colaboração e o desenvolvimento coletivo.
Por isso, o papel do líder não é apenas reunir os talentos certos, mas construir as condições necessárias para que eles trabalhem bem juntos.
O desempenho de uma equipe não depende somente de quem faz parte dela, mas também da cultura, dos processos e das relações que sustentam o trabalho cotidiano.
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Mario H. Trentim é membro do Board of Directors do PMI, Reitor da Allevo Tech / Qeevo Group, doutorando do ITA e autor de 13 livros sobre gestão e execução estratégica.
Atua como conselheiro e conector estratégico em organizações em transformação.
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