Na minha prova de HYROX, terminar sem exaustão revelou uma diferença entre o ritmo que planejei e aquele que poderia ter sustentado.
Eu havia estimado quanto tempo cada estação exigiria. O modelo, porém, não representava perfeitamente minha capacidade real: fui conservador em alguns trechos e otimista em outros.
Essa experiência mostra como o planejamento depende da qualidade das informações utilizadas para tomar decisões.
Henry Mintzberg, em seus estudos sobre estratégia emergente, explora a diferença entre a estratégia planejada e aquela que se desenvolve durante a execução. O plano inicial precisa ser confrontado com a realidade, pois as condições encontradas podem exigir ajustes.
Annie Duke, em Thinking in Bets, também destaca a importância de avaliar decisões considerando as informações disponíveis no momento em que foram tomadas, e não somente o resultado conhecido posteriormente.
Essas perspectivas ajudam a compreender um desafio recorrente na gestão de projetos: um plano pode parecer adequado no papel e apresentar limitações quando colocado em prática.
Por isso, é importante acompanhar a execução e revisar as premissas que orientam a alocação de recursos.
Como melhorar a tomada de decisão durante a execução?
Para reduzir a diferença entre o desempenho esperado e o realizado, gestores podem adotar algumas práticas:
- Definir indicadores relevantes: acompanhar métricas que representem o avanço real do projeto, e não apenas o volume de atividades concluídas.
- Comparar planejamento e execução: identificar desvios de prazo, custo, qualidade e escopo.
- Revisar as premissas: verificar se as estimativas iniciais continuam válidas diante das informações disponíveis.
- Ajustar a alocação de recursos: direcionar esforços para as restrições que comprometem os resultados.
- Registrar aprendizados: transformar as informações obtidas durante a execução em melhorias para os próximos ciclos.
O objetivo não é abandonar o planejamento, mas torná-lo mais adaptável à realidade.
+ O que o HYROX ensinou a Mario Trentim sobre execução estratégica
Como melhorar o desempenho em projetos sem simplesmente trabalhar mais?
Depois de identificar os gargalos da minha prova, a resposta não foi aumentar indiscriminadamente o volume de treinamento. Foi mudar o foco.
O plano passou a priorizar a coordenação cardiovascular sob fadiga, a simulação da sequência completa de estações e a execução de wall balls e burpees em condições de maior esforço.
A lógica é aplicar o treinamento onde ele pode produzir maior impacto no resultado.
Na gestão de projetos, o princípio é semelhante. Acrescentar reuniões, ampliar relatórios ou aumentar a carga de trabalho não garante uma execução melhor. Em alguns casos, essas medidas podem até ampliar a complexidade e reduzir a produtividade.
O caminho mais eficiente envolve identificar as restrições, compreender suas causas e testar intervenções específicas.
O relatório Pulse of the Profession 2025, do Project Management Institute (PMI), pode contribuir para essa discussão ao abordar a relação entre maturidade organizacional e resultados em projetos. Indicadores e comparações desse tipo, contudo, precisam ser interpretados considerando as definições e metodologias utilizadas em cada pesquisa.
Mais importante do que simplesmente aumentar o volume de planejamento é desenvolver ciclos de aprendizado que permitam avaliar o desempenho, identificar problemas e corrigir a execução.
Você está usando todo o potencial da IA nas suas decisões?