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Ensino Básico

Mães adolescentes e o desafio de permanecer na escola

por Luiza Padovam Vieira em 10/05/20

“Eu acordo, tomo café, dou a fruta dele, ele tira um cochilo, depois levo ele pra passear na área de casa, almoço, ele tira um cochilo de novo e durante a minha videoaula ele fica com a minha mãe”, disse Bruna Oliveira, de 17 anos, durante conversa no telefone.

Mães adolescentes e o desafio de continuar na escola

Bruna é estudante do terceiro ano do ensino médio na Escola Estadual Maria Angélica Baillot (MAB), em Araçoiaba da Serra, interior de São Paulo. Até então, ela estudava em Sorocaba, mas precisou trocar para um colégio semi-integral para poder cuidar do seu filho, Anthony Gael, de cinco meses. 

A jovem conta que estava cumprindo seu período de licença maternidade e aguardava ansiosa para retornar à sua rotina escolar em março. Ela chegou até a comparecer na escola, mas depois de dois dias o governo anunciou a suspensão das aulas por conta da pandemia do covid-19. 


Desde então, os dias da Bruna são divididos entre o filho, as aulas online e as tarefas de casa. Para além das constantes amamentações e o trabalho escolar, ela também ajuda a sua tia a cuidar dos primos mais novos, de 8 e 18 meses de idade, respectivamente. 

A estudante conta com o apoio da mãe que largou o emprego para que a filha pudesse dar continuidade aos estudos, mas mesmo assim, ela comenta sobre as dificuldades enfrentadas. “Estou naquela correria,” disse Bruna, acompanhada de um suspiro. “Tem o meu filho, tem várias provas, tenho que estudar para o ENEM. Não consigo nem estudar direito e nem dar a atenção que ele precisa.” 

Ensino a distância presencial

As aulas estão sendo ministradas pelo CMSP, aplicativo criado pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo a fim de proporcionar aos estudantes da rede pública de ensino o acesso ao ensino à distância durante este período de isolamento.

A questão é que as aulas acontecem em tempo real, o que, muitas vezes, acaba dificultando a participação de todos, principalmente das mães adolescentes. “É difícil com as aulas online porque às vezes ele quer mamar naquela hora, ou ele acorda do cochilo da tarde,” comenta a aluna Ana Cláudia da Silva Barros, de 16 anos.

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Mães adolescentes e o desafio de continuar na escola

Ana é mãe do Arthur, de 8 meses, e assim como Bruna, também é estudante do MAB. A jovem comenta que se as aulas ficassem disponíveis no YouTube ou em alguma outra plataforma, ela teria mais tempo para se dedicar aos estudos. “Quando eu não consigo assistir, eu tento pegar o conteúdo com alguma amiga minha.”

De acordo com a psicóloga e coordenadora pedagógica do Laboratório Inteligência de Vida (LIV), Renata Ishida, é preciso entender a diferença entre ensino à distância e atendimento online remoto emergencial - que é a realidade vivida por grande parte dos alunos do ensino básico.

A especialista explica que o currículo escolar que está sendo utilizado “foi construído numa perspectiva de  aula presencial”, ou seja, as aulas acontecem em um horário específico em que espera-se que os estudantes estejam presentes. Entretanto, as plataformas são precárias e o acesso à internet de qualidade e à aparelhos adequados, limitados. Além disso, há também a falta de preparo dos professores. 

No começo de abril, o presidente Jair Bolsonaro assinou a medida provisória que suspende as instituições de ensino a cumprirem a quantidade mínima de 200 dias letivos em 2020, mas manteve a obrigatoriedade da carga horário anual de 800 horas. Ishida comenta que as instâncias governamentais que coordenam a educação no país não deveriam exigir o cumprimento do currículo deste ano como era previsto. 

Para ela, “a educação vai muito além da entrega de conteúdo." A Base Nacional Curricular Comum (BNCC) inclui também competências socioemocionais como empatia, pensamento crítico e colaboração como saberes fundamentais na educação básica.

 “Está na hora das instituições educacionais promoverem reflexões sobre o momento, ligarem e mandarem mensagens para seus estudantes para saber como estão e pensarem junto à comunidade escolar quais os melhores caminhos para cuidarmos uns dos outros nesse momento”, explica Ishida. 

No caso das estudantes grávidas e mães, o recado é reforçado.

213,5 mil mães adolescentes brasileiras estão fora das escolas

As histórias da Bruna e da Ana Claúdia são raridade em meio ao cenário brasileiro. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgado pelo IBGE em 2016, 35% das 610 mil mulheres na faixa dos 15 aos 17 anos que estavam fora da escola em 2016, eram mães. 

A gravidez precoce segue sendo uma das principais causas de evasão escolar entre as jovens brasileiras. A falta de flexibilidade por parte das instituições, o preconceito e a ausência de uma rede de apoio são um dos fatores que envolvem essa saída. 

A psicopedagoga ressalta que o primeiro passo para impedir que mães adolescentes larguem os estudos é a conversa. “A escola precisa caminhar no que entendemos como Educação Integral, ou seja, uma educação que tem como centralidade o aluno e suas possibilidades. Isso não é uma permissividade e sim um jeito de fazer com que todas e todos tenham possibilidade de aprender."

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Muitas adolescentes com filhos acabam deixando a escola pela precariedade do suporte oferecido ao longo dos seus estudos. A falta de assistência médica, alimentação, moradia e vagas em creches acabam dificultando a permanência das mulheres nas salas de aula. 

Outras barreiras não tão palpáveis, como o preconceito e o machismo, escancaram um problema estrutural profundo e delicado. Ishida trabalhou dez anos no Sistema Único de Saúde (SUS) e, durante a sua carreira, acompanhou de perto diversos casos em que a mulher grávida é abandonada e fica com a responsabilidade total de cuidar do filho. 

Entretanto,  a presença do parceiro não é sinônimo de apoio para a continuidade nos estudos. Segundo a especialista, pesquisas apontam que muitas adolescentes deixam de frequentar a escola a pedido do companheiro. “A resistência conservadora precisa ser combatida para que as pautas de gênero e sexualidade possam entrar nas escolas.”

A educação como saída para um futuro melhor

Apesar das dificuldades, inseguranças e incertezas experienciadas ao se tornarem mães jovens, Bruna e Ana Cláudia contam que o apoio dos amigos, familiares e professores foi fundamental para encorajá-las a seguirem os seus estudos. 

O objetivo agora é o mesmo: terminar o Ensino Médio. Quanto a vida pós-escolar, os caminhos são diferentes. Bruna pretende fazer o ENEM e espera conseguir entrar no curso de Educação Física. “Muay-Thai é a minha paixão. Fiz 7 anos e cheguei até a dar aula para crianças na época, o meu sonho é abrir uma academia.” 

Já a Ana Cláudia está firme nos estudos para concluir o terceiro ano e conseguir um emprego. A jovem conta que fazer uma faculdade sempre esteve nos seus planos, mas  a maternidade acabou mudando as suas prioridades. “Eu quero trabalhar para ter uma renda e conseguir comprar as coisas para o meu filho.”

Que neste Dia das Mães possamos refletir sobre as inúmeras questões ligadas a trajetória educacional de mulheres que, enquanto mães, merecem as mesmas oportunidades e o suporte adequado para um ensino de qualidade. Afinal, estas são muitas vezes as primeiras educadoras dos seus filhos. 

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