Mario Trentim apresentou conceitos de gestão de megaprojetos e projetos complexos para a equipe da Concessionária Tamoios.
A palestra destacou a importância da gestão de interfaces entre equipes, contratos, decisões e responsabilidades.
O empreendimento Caraguatatuba-Ubatuba envolve a duplicação de cerca de 44 quilômetros da SP-55, em uma área de alta complexidade ambiental e operacional.
A equipe da Concessionária Tamoios recebeu recentemente Mario Trentim para uma palestra sobre gestão de megaprojetos, infraestrutura e complexidade sistêmica.
O encontro reuniu profissionais envolvidos na operação e ampliação da rodovia SP-55, no trecho entre Caraguatatuba e Ubatuba.
Com o tema “Gerenciando MegaProjetos: A estrada entre a decisão e a execução”, Trentim apresentou conceitos e ferramentas voltados à gestão de projetos de grande porte que precisam conciliar operação e transformação ao mesmo tempo.
Essa característica está presente no empreendimento Caraguatatuba-Ubatuba, que envolve a duplicação de aproximadamente 44 quilômetros de rodovia na Serra do Mar, em uma área de Mata Atlântica, com tráfego contínuo durante a execução das obras e restrições relacionadas à ausência de rotas alternativas.
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A palestra foi estruturada a partir de uma tese central: os riscos de um projeto complexo também estão nas interfaces entre as diferentes partes envolvidas.
Durante a apresentação, Trentim abordou referências de pesquisadores como Bent Flyvbjerg, professor de Oxford e autor de How Big Things Get Done (2023), e Edward Merrow, autor de Industrial Megaprojects (2011).
Entre os conceitos apresentados esteve a diferença entre o projeto visível e o projeto invisível.
O projeto visível reúne elementos como:
pistas;
túneis;
contenções;
estruturas;
demais obras físicas.
Já o projeto invisível envolve aspectos relacionados à gestão, como:
tomada de decisão;
transferência de responsabilidades;
governança;
integração entre equipes;
coordenação entre contratos;
alinhamento entre diferentes partes interessadas.
A palestra também apresentou o conceito de dívida de interface, relacionado ao acúmulo de ambiguidades e questões não resolvidas durante o desenvolvimento de um projeto.
Quando essas questões permanecem sem definição, podem retornar posteriormente com impactos maiores sobre prazos, custos, decisões e execução.
Outro ponto abordado por Trentim foi a diferença entre aquilo que o cronograma tradicional consegue medir e os períodos de espera que podem surgir durante a execução de um megaprojeto.
O cronograma registra, principalmente, a duração das atividades previstas. Porém, existem períodos relacionados à latência de interface, como o tempo necessário para decisões, aprovações, respostas e alinhamentos entre diferentes equipes e contratos.
Em projetos de grande porte, essas interações podem envolver diversas organizações e níveis de responsabilidade. Por isso, a gestão das interfaces passa a fazer parte da própria estratégia de execução.
O trecho da SP-55, também conhecida como Rio-Santos, entre Caraguatatuba e Ubatuba, está inserido em uma região de importância estratégica para o litoral norte de São Paulo.
O projeto de duplicação envolve um empreendimento de grande porte, com desafios relacionados às condições geotécnicas e climáticas, às características da Serra do Mar e à necessidade de manter a operação da rodovia durante a realização das obras.
A Concessionária Tamoios é responsável pela gestão da concessão e atua na coordenação de diferentes contratos, equipes técnicas e interfaces com órgãos reguladores, entidades responsáveis pelo licenciamento ambiental e representantes dos poderes públicos estadual e municipal.
Nesse contexto, a gestão de interfaces se relaciona diretamente à necessidade de integrar diferentes agentes, decisões e etapas de um empreendimento de infraestrutura de alta complexidade.
A palestra de Mario Trentim abordou justamente esses aspectos da gestão de megaprojetos, mostrando como governança, integração e tomada de decisão fazem parte do trabalho necessário para transformar projetos complexos em execução coordenada.
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