
O que aprendi com Uri Levine sobre resolver problemas e crescer na carreira
| 29/09/26Lições de Uri Levine na B55 Conference transforma a maneira de encarar projetos, entregas e o próprio desenvolvimento profissional
Lições de Uri Levine na B55 Conference transforma a maneira de encarar projetos, entregas e o próprio desenvolvimento profissional
Ao acompanhar na B55 Conference o painel de Uri Levine, cofundador do Waze, pensei em como uma conversa sobre startups também pode ajudar quem está construindo sua carreira.
Ele insistiu em um ponto simples: comece entendendo um problema real e as pessoas que convivem com ele. Essa é a ideia que também aparece no título de seu livro, “Apaixone-se pelo problema, não pela solução”.
Minha aplicação à vida profissional é esta: antes de tentar impressionar com uma ferramenta, uma apresentação ou um projeto, preciso entender que dificuldade meu trabalho deve ajudar a resolver.
Em educação e carreira, vejo uma pergunta especialmente útil: o que quero me tornar capaz de fazer? Ela ajuda a dar direção ao estudo e a perceber onde o conhecimento adquirido pode ser colocado em prática.

Uri explicou a diferença entre apresentar a tecnologia por trás do Waze e falar do benefício que o motorista procura: evitar congestionamentos. A segunda mensagem começa por algo que a pessoa reconhece na própria rotina.
Isso vale dentro de uma empresa. Imagine alguém que decide criar uma planilha para organizar o trabalho do time. Antes de construir, vale descobrir onde a rotina falha. As pessoas perdem prazos? Não sabem quem responde por cada tarefa? Precisam preencher informações repetidas? Cada situação pede uma resposta diferente.
Eu começaria com uma pergunta concreta: “Conte a última vez em que esse problema aconteceu”. Depois perguntaria como a pessoa tentou resolver e o que ainda ficou pendente. Uma história real costuma revelar detalhes que uma opinião genérica não mostra.
Um dos momentos que mais me chamou atenção foi quando Uri perguntou quem usava o Waze olhando a tela e quem preferia as instruções por áudio.
O mesmo benefício era alcançado de maneiras diferentes. A conclusão dele foi que precisamos observar como as pessoas usam o que construímos.
Na carreira, traduzo isso como acompanhar o que acontece depois de uma entrega. Quem recebeu seu relatório conseguiu decidir alguma coisa? O colega entendeu o procedimento? O cliente encontrou a informação de que precisava?
Entregar e observar o efeito da entrega são partes do aprendizado. Se toda vez alguém precisa pedir explicações adicionais, talvez o conteúdo esteja correto, mas sua organização ainda precise melhorar.
Peça para uma pessoa utilizar seu material sem que você conduza cada passo. Observe onde ela hesita e só depois pergunte o que faltou. Esse pequeno exercício pode ensinar mais do que uma rodada de elogios.
Essa aplicação também conversa com o conteúdo do livro “O simples vence”, em que Uri reforça a importância de começar, testar e ajustar, evitando que o perfeccionismo paralise a execução.
Minha leitura para a carreira é dar à prática um lugar na agenda enquanto continuo estudando.
Uri descreveu o empreendedorismo como uma jornada de tentativas, erros e ajustes. Minha leitura para quem estuda ou trabalha é que podemos reduzir o tamanho das apostas enquanto aprendemos.
Se você está considerando uma mudança de área, por exemplo, um projeto curto, uma conversa com profissionais e uma experiência prática podem ajudar a entender melhor o trabalho antes de uma decisão maior.
Se deseja melhorar suas apresentações, teste uma nova estrutura na próxima reunião e peça feedback sobre clareza.
O erro, sozinho, não produz evolução. É preciso identificar o que ele mostrou e mudar a próxima tentativa. Meu exercício seria registrar três coisas: o que eu esperava, o que aconteceu e o que farei de maneira diferente.

Outro ponto do painel foi o foco. Uri falou sobre as escolhas de público e de produto feitas no Waze e sobre a importância de dizer não.
Trazendo isso para o desenvolvimento profissional, eu escolheria uma competência prioritária para o próximo mês. Definiria uma situação em que ela será usada e uma forma de receber retorno. Tentar melhorar dez coisas simultaneamente pode deixar todas sem prática suficiente.
Isso não significa desistir de outras ambições. Significa dar atenção suficiente a uma delas para produzir avanço observável.
Escolha uma dificuldade recorrente no trabalho ou nos estudos. Converse com quem também a enfrenta, observe como ela é resolvida hoje e faça uma melhoria pequena. Depois confira se a mudança ajudou de verdade.
O aprendizado que levo de Uri é que minha contribuição fica mais clara quando consigo explicar para quem meu trabalho serve e o que ele melhora. Essa pergunta pode orientar tanto a escolha do próximo curso quanto a maneira de conduzir a próxima entrega.
Empreender no Brasil exige mais do que promessas milagrosas: exige método, execução prática e troca direta entre quem está na arena.
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