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10 pegadinhas de português comuns em concursos públicos

Conheça 10 pegadinhas de português em concursos públicos, veja exemplos de provas reais e aprenda regras de crase, concordância e regência.



As pegadinhas de português em concursos públicos envolvem principalmente crase, concordância, regência, pontuação, colocação pronominal e palavras com grafias semelhantes. Para acertar essas questões, o candidato precisa entender a função dos termos na frase e observar se uma alteração gramatical também modifica o sentido do texto.

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Esses conteúdos aparecem em provas de diferentes bancas, como Cebraspe, FGV, Fundação Carlos Chagas (FCC) e Fundação Vunesp. A seguir, confira dez erros comuns de português em concursos, exemplos e macetes para não cair nas armadilhas.

Em resumo:

  • Os quatro porquês possuem funções diferentes;
  • A crase depende da regência e da presença de artigo feminino;
  • “Há” pode indicar tempo passado, enquanto “a” pode indicar futuro ou distância;
  • “Haver” e “fazer” ficam no singular quando são impessoais;
  • A concordância com “se” depende da função da partícula;
  • “Onde” indica localização, enquanto “aonde” expressa movimento com destino;
  • “Mal” se opõe a “bem”, e “mau” se opõe a “bom”;
  • A regência pode mudar conforme o sentido do verbo;
  • Palavras negativas atraem pronomes oblíquos;
  • A vírgula não deve separar o sujeito do verbo.
Candidato analisa uma prova de um dos diversos concursos públicos em uma biblioteca.

Imagem gerada por IA

Quais são as pegadinhas de português mais comuns em concursos?

Entre as pegadinhas de português mais comuns em concursos estão o uso dos porquês, a crase, a concordância verbal, a regência, a colocação pronominal e a pontuação.

1. Por que, porque, por quê ou porquê?

Em uma prova para analista judiciário do TRT da 13ª Região, a FGV apresentou frases construídas com a conjunção “porque” e pediu que o candidato identificasse a reescrita que não preservava o sentido original. A questão combinava gramática e interpretação, pois era necessário reconhecer a relação de causa expressa pela conjunção, como mostra o caderno da prova do TRT da 13ª Região.

Os quatro porquês existem, mas são empregados em situações diferentes:

  • Por que: aparece em perguntas diretas ou indiretas e pode equivaler a “por qual motivo”. Exemplo: “Por que o concurso foi adiado?”
  • Porque: introduz uma causa ou explicação. Exemplo: “O concurso foi adiado porque houve um problema técnico.”
  • Por quê: é empregado no fim da frase ou antes de uma pausa. Exemplo: “O concurso foi adiado por quê?”
  • Porquê: é um substantivo e costuma vir acompanhado de artigo, pronome ou numeral. Exemplo: “Ninguém explicou o porquê do adiamento.”

Tente substituir a expressão por “motivo”. Se for possível usar “o motivo”, a forma adequada tende a ser porquê.

2. Quando usar crase?

Em uma prova do FNDE de 2024, o Cebraspe pediu que o candidato avaliasse a justificativa para o acento grave em “direito público subjetivo à educação básica”. 

O item atribuía o uso da crase à regência do termo “subjetivo” e à presença do artigo feminino. A afirmação exigia atenção porque a preposição está relacionada ao substantivo “direito”, na construção “direito a algo”, e não ao adjetivo “subjetivo”. O exemplo pode ser consultado no caderno do processo seletivo do FNDE.

A crase ocorre, de modo geral, quando a preposição a se encontra com o artigo feminino a ou as.

Compare:

  • “O candidato foi à biblioteca.” O verbo “ir” exige a preposição “a”, enquanto “biblioteca” admite o artigo feminino.
  • “O candidato foi a pé.” Não existe artigo feminino antes de “pé”, portanto não há crase.

Também pode haver crase diante dos pronomes demonstrativos “aquele”, “aquela” e “aquilo”:

  • “O fiscal se referiu àquele item do edital.”

Em regra, não se usa crase antes de palavras masculinas, verbos e pronomes pessoais:

  • “Pagamento a prazo”;
  • “Começou a estudar”;
  • “Entregou o documento a ela”.

Substitua a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer “ao”, haverá crase na construção feminina. “Foi ao laboratório”, por exemplo, corresponde a “foi à biblioteca”.

3. Há ou a?

A diferença entre “há” e “a” pode aparecer em questões de ortografia, correção gramatical e reescrita. A pegadinha está no fato de que as duas formas podem integrar expressões de tempo, mas indicam relações diferentes.

Use , forma do verbo “haver”, para indicar tempo passado:

  • “Comecei a estudar há três meses.”

Use a preposição a para indicar tempo futuro ou distância:

  • “A prova será realizada daqui a três meses.”
  • “O local de prova fica a dois quilômetros de casa.”

A construção “há três meses atrás” é redundante, pois “há” e “atrás” já expressam tempo passado. Prefira uma destas formas:

  • “Comecei a estudar há três meses”;
  • “Comecei a estudar três meses atrás”.

Se a expressão puder ser substituída por “faz”, use . “Estudo há dois anos” equivale a “Faz dois anos que estudo”.

4. Houveram problemas ou houve problemas?

Questões de concordância podem comparar os verbos “haver” e “existir” para verificar se o candidato reconhece que eles seguem regras diferentes.

Quando o verbo haver tem sentido de existir ou acontecer, ele é impessoal e permanece na terceira pessoa do singular:

  • Correto: “Houve problemas durante a aplicação da prova.”
  • Incorreto: “Houveram problemas durante a aplicação da prova.”

A regra também se aplica às locuções verbais. A impessoalidade é transmitida ao verbo auxiliar:

  • Correto: “Deve haver novas convocações.”
  • Incorreto: “Devem haver novas convocações.”

O verbo fazer também permanece no singular quando indica tempo decorrido ou fenômeno da natureza:

  • Faz dois anos que ele estuda para concursos.”
  • Fez muito frio no dia da prova.”

Já o verbo existir é pessoal e concorda normalmente com o sujeito:

  • Existe uma vaga disponível.”
  • Existem várias vagas disponíveis.”

Se “haver” tiver sentido de “existir”, deixe-o no singular. Se o verbo empregado for “existir”, faça a concordância com o sujeito.

5. Vendem-se apostilas ou vende-se apostilas?

A concordância com a partícula “se” é uma pegadinha frequente porque construções parecidas podem seguir regras diferentes. O primeiro passo é identificar se o “se” funciona como partícula apassivadora ou como índice de indeterminação do sujeito.

Quando o “se” é uma partícula apassivadora, o verbo concorda com o sujeito paciente:

  • Vende-se apostila para concursos.”
  • Vendem-se apostilas para concursos.”

Uma forma de verificar é transformar a oração em voz passiva analítica:

  • “Apostila é vendida”;
  • “Apostilas são vendidas”.

Quando o verbo é transitivo indireto, intransitivo ou de ligação, o “se” pode funcionar como índice de indeterminação do sujeito. Nesse caso, o verbo permanece na terceira pessoa do singular:

  • Precisa-se de professores.”
  • Vive-se bem nesta cidade.”

Em “precisa-se de professores”, o verbo “precisar” exige a preposição “de”. Portanto, “de professores” não é o sujeito da oração e não determina a concordância.

Tente transformar a frase em voz passiva analítica. Se a transformação funcionar, o verbo deverá concordar com o sujeito paciente: “Vendem-se apostilas” equivale a “Apostilas são vendidas”.

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6. Onde ou aonde?

Em uma prova do FNDE de 2024, o Cebraspe apresentou uma frase em que “onde” retomava um lugar: o condado de Warren, nos Estados Unidos. A banca perguntou se o trecho poderia ser reescrito com o pronome relativo “cuja”, preservando a coerência e a correção gramatical.

Embora a questão não comparasse diretamente “onde” e “aonde”, ela exigia que o candidato identificasse o antecedente do pronome relativo e analisasse a coesão da frase. A construção aparece no caderno do processo seletivo do FNDE.

Use onde para indicar localização:

  • “Onde fica o local de prova?”
  • “A cidade onde a prova será aplicada fica no interior.”

Use aonde quando o verbo exigir a preposição “a” e houver ideia de movimento ou destino:

  • “Aonde os candidatos devem ir?”
  • “Aonde o servidor se dirigiu?”

“Aonde” resulta da união da preposição “a” com “onde”. Por isso, não basta haver movimento: o verbo também precisa exigir a preposição “a”.

Outro erro comum é usar “onde” para retomar ideias, situações ou períodos, e não lugares.

Compare:

  • Inadequado na norma-padrão: “Foi uma situação onde todos ficaram apreensivos.”
  • Recomendado: “Foi uma situação em que todos ficaram apreensivos.”

Se o antecedente não for um lugar, considere “em que”, “no qual” ou “na qual”. Se houver ideia de movimento, verifique a regência do verbo antes de escolher “aonde”.

7. Mal ou mau?

Em uma questão da prova para analista judiciário do TRT da 13ª Região, a FGV apresentou “mau conhecimento” em uma das propostas de reescrita.

A questão tratava principalmente da preservação da relação de causa, e não especificamente da diferença entre “mal” e “mau”. Ainda assim, a construção presente no caderno publicado pela FGV exemplifica o uso de “mau” como adjetivo associado ao substantivo “conhecimento”.

Mal geralmente se opõe a bem, enquanto mau se opõe a bom.

Compare:

  • “O candidato foi mal na prova.” O contrário seria “foi bem”.
  • “O candidato teve um mau resultado.” O contrário seria “bom resultado”.

“Mal” também pode funcionar como conjunção, com sentido de “assim que”:

  • Mal começou a prova, o sistema apresentou uma falha.”

Como “mau” é um adjetivo, ele varia para concordar com o substantivo:

  • “má escolha”;
  • “maus resultados”;
  • “más condições”.

Faça oposição. Se o contrário for “bem”, use mal. Se o contrário for “bom”, use mau.

8. Assistir à aula ou assistir a aula?

Em um texto presente na prova do TRT da 13ª Região, a FGV empregou as construções “visa à diminuição dos gases de efeito estufa” e “visam ao desenvolvimento sustentável”. A regência não era o tema específico da questão, mas os exemplos do caderno da prova ajudam a visualizar o uso do verbo “visar” com sentido de ter como objetivo.

Em “visa à diminuição”, o verbo exige a preposição “a”, que se une ao artigo feminino de “diminuição”. Em “visam ao desenvolvimento”, a forma masculina “ao” evidencia a presença da mesma preposição.

A regência verbal determina a relação entre o verbo e seus complementos. A preposição exigida pode mudar conforme o verbo e o sentido empregado.

No sentido de ver ou presenciar, o verbo assistir exige a preposição “a” na norma-padrão tradicionalmente cobrada em concursos:

  • “Os alunos assistiram à aula.”

A crase ocorre porque a preposição exigida pelo verbo se encontra com o artigo feminino que acompanha “aula”.

Outros exemplos comuns são:

  • “O servidor obedeceu às regras.”
  • “O candidato aspira ao cargo.” No sentido de desejar.
  • “A medida visa à melhoria do serviço.” No sentido de ter como objetivo.
  • “Prefiro estudar a sair.”

No caso de “preferir”, a norma-padrão recomenda a estrutura “preferir uma coisa a outra”. Por isso, em provas de concursos, devem ser evitadas construções como “prefiro mais” e “prefiro estudar do que sair”.

Estude o verbo dentro de uma frase completa. A regência e a preposição exigida podem mudar de acordo com o significado.

9. Não disseram-me ou não me disseram?

Em uma prova do FNDE de 2024, o Cebraspe pediu que o candidato avaliasse se a colocação do pronome “lhes” antes do verbo era provocada pela palavra “não”. 

No trecho analisado, porém, a próclise estava relacionada ao pronome relativo “que”, presente em “a intenção que lhes tenha dado origem”. A questão mostra que não basta encontrar uma possível palavra atrativa: é preciso analisar a estrutura da oração no caderno oficial da seleção.

Palavras de sentido negativo, como “não”, “nunca” e “ninguém”, normalmente atraem o pronome para antes do verbo. Esse posicionamento é chamado de próclise.

Compare:

  • Correto: “Não me disseram o horário da prova.”
  • Inadequado na norma-padrão: “Não disseram-me o horário da prova.”

Pronomes relativos, como “que”, “quem” e “cujo”, também podem exigir a próclise:

  • “Este é o edital que me enviaram.”
  • “Foi o candidato que se destacou na prova.”

Algumas conjunções subordinativas também atraem o pronome:

  • “Quando se encerrou a prova, os portões foram abertos.”
  • “Embora se preparasse, o candidato ficou nervoso.”

No início de uma oração, a norma-padrão tradicional recomenda evitar o pronome oblíquo átono antes do verbo:

  • Recomendado em contextos formais: “Entregaram-me o caderno.”
  • Comum no português brasileiro, mas geralmente evitado em provas normativas: “Me entregaram o caderno.”

Identifique a palavra diretamente relacionada à oração em que aparece o pronome. Em concursos, não basta localizar um termo atrativo próximo; é necessário verificar se ele realmente determina a colocação pronominal.

10. Pode haver vírgula entre o sujeito e o verbo?

Questões de pontuação em concursos frequentemente apresentam uma frase reescrita e perguntam se a retirada, inclusão ou mudança de posição da vírgula mantém a correção e o sentido original.

A regra principal é que a vírgula não deve separar o sujeito de seu verbo, mesmo quando o sujeito é longo.

Compare:

  • Correto: “Os candidatos que apresentaram todos os documentos tomaram posse.”
  • Incorreto: “Os candidatos que apresentaram todos os documentos, tomaram posse.”

Também não se deve separar o verbo de seu complemento sem uma justificativa sintática:

  • Correto: “A banca divulgou o resultado final.”
  • Incorreto: “A banca divulgou, o resultado final.”

A vírgula pode ser usada para isolar termos intercalados:

  • “Os candidatos, segundo o edital, terão quatro horas de prova.”

Nesse exemplo, as vírgulas isolam a expressão “segundo o edital”. Se o trecho for retirado, a estrutura principal continua completa: “Os candidatos terão quatro horas de prova”.

Identifique primeiro o sujeito, o verbo e os complementos. Evite colocar uma vírgula entre esses elementos sem que exista uma intercalação.

Como estudar português para concursos públicos?

Comece pelo conteúdo programático do edital e identifique os temas de Língua Portuguesa que serão cobrados. Depois, resolva provas anteriores da mesma banca, preferencialmente de concursos com cargo e nível de escolaridade semelhantes.

Algumas bancas pedem a identificação direta de um erro gramatical, enquanto outras apresentam uma reescrita e perguntam se houve alteração de sentido ou prejuízo à correção da frase.

Ao resolver cada questão, procure responder:

  • Qual regra foi cobrada?
  • Por que a alternativa correta está adequada?
  • Qual erro aparece nas demais opções?
  • A alteração proposta afeta somente a estrutura gramatical ou também o sentido?
  • Esse tipo de cobrança já apareceu em outras provas da banca?

Registre seus erros em um caderno de revisão e retome as regras por meio de exemplos.

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Perguntas frequentes sobre português para concursos

O que mais cai em português em concursos públicos?

O conteúdo varia conforme o edital, mas interpretação de texto, ortografia, classes de palavras, sintaxe, concordância, regência, crase, pontuação, semântica, coesão e reescrita de frases aparecem com frequência.

Como não cair em pegadinhas nas questões de português?

Leia atentamente o comando, destaque palavras como “correto”, “incorreto” e “sem alteração de sentido” e analise a frase inteira. Também é importante resolver provas anteriores da mesma banca.

É possível estudar português apenas fazendo questões?

As questões são essenciais, mas devem ser combinadas com teoria e revisão. Ao errar, identifique o assunto, consulte a regra e refaça o exercício depois de alguns dias.

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