
Inteligência artificial na Odontologia: oportunidades, riscos e novas áreas
| 21/08/26Entenda como a inteligência artificial muda diagnósticos, planejamentos e carreiras na Odontologia.
As pegadinhas de português em concursos públicos envolvem principalmente crase, concordância, regência, pontuação, colocação pronominal e palavras com grafias semelhantes. Para acertar essas questões, o candidato precisa entender a função dos termos na frase e observar se uma alteração gramatical também modifica o sentido do texto.
Esses conteúdos aparecem em provas de diferentes bancas, como Cebraspe, FGV, Fundação Carlos Chagas (FCC) e Fundação Vunesp. A seguir, confira dez erros comuns de português em concursos, exemplos e macetes para não cair nas armadilhas.
Em resumo:

Imagem gerada por IA
Entre as pegadinhas de português mais comuns em concursos estão o uso dos porquês, a crase, a concordância verbal, a regência, a colocação pronominal e a pontuação.
Em uma prova para analista judiciário do TRT da 13ª Região, a FGV apresentou frases construídas com a conjunção “porque” e pediu que o candidato identificasse a reescrita que não preservava o sentido original. A questão combinava gramática e interpretação, pois era necessário reconhecer a relação de causa expressa pela conjunção, como mostra o caderno da prova do TRT da 13ª Região.
Os quatro porquês existem, mas são empregados em situações diferentes:
Tente substituir a expressão por “motivo”. Se for possível usar “o motivo”, a forma adequada tende a ser porquê.
Em uma prova do FNDE de 2024, o Cebraspe pediu que o candidato avaliasse a justificativa para o acento grave em “direito público subjetivo à educação básica”.
O item atribuía o uso da crase à regência do termo “subjetivo” e à presença do artigo feminino. A afirmação exigia atenção porque a preposição está relacionada ao substantivo “direito”, na construção “direito a algo”, e não ao adjetivo “subjetivo”. O exemplo pode ser consultado no caderno do processo seletivo do FNDE.
A crase ocorre, de modo geral, quando a preposição a se encontra com o artigo feminino a ou as.
Compare:
Também pode haver crase diante dos pronomes demonstrativos “aquele”, “aquela” e “aquilo”:
Em regra, não se usa crase antes de palavras masculinas, verbos e pronomes pessoais:
Substitua a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer “ao”, haverá crase na construção feminina. “Foi ao laboratório”, por exemplo, corresponde a “foi à biblioteca”.
A diferença entre “há” e “a” pode aparecer em questões de ortografia, correção gramatical e reescrita. A pegadinha está no fato de que as duas formas podem integrar expressões de tempo, mas indicam relações diferentes.
Use há, forma do verbo “haver”, para indicar tempo passado:
Use a preposição a para indicar tempo futuro ou distância:
A construção “há três meses atrás” é redundante, pois “há” e “atrás” já expressam tempo passado. Prefira uma destas formas:
Se a expressão puder ser substituída por “faz”, use há. “Estudo há dois anos” equivale a “Faz dois anos que estudo”.
Questões de concordância podem comparar os verbos “haver” e “existir” para verificar se o candidato reconhece que eles seguem regras diferentes.
Quando o verbo haver tem sentido de existir ou acontecer, ele é impessoal e permanece na terceira pessoa do singular:
A regra também se aplica às locuções verbais. A impessoalidade é transmitida ao verbo auxiliar:
O verbo fazer também permanece no singular quando indica tempo decorrido ou fenômeno da natureza:
Já o verbo existir é pessoal e concorda normalmente com o sujeito:
Se “haver” tiver sentido de “existir”, deixe-o no singular. Se o verbo empregado for “existir”, faça a concordância com o sujeito.
A concordância com a partícula “se” é uma pegadinha frequente porque construções parecidas podem seguir regras diferentes. O primeiro passo é identificar se o “se” funciona como partícula apassivadora ou como índice de indeterminação do sujeito.
Quando o “se” é uma partícula apassivadora, o verbo concorda com o sujeito paciente:
Uma forma de verificar é transformar a oração em voz passiva analítica:
Quando o verbo é transitivo indireto, intransitivo ou de ligação, o “se” pode funcionar como índice de indeterminação do sujeito. Nesse caso, o verbo permanece na terceira pessoa do singular:
Em “precisa-se de professores”, o verbo “precisar” exige a preposição “de”. Portanto, “de professores” não é o sujeito da oração e não determina a concordância.
Tente transformar a frase em voz passiva analítica. Se a transformação funcionar, o verbo deverá concordar com o sujeito paciente: “Vendem-se apostilas” equivale a “Apostilas são vendidas”.
Em uma prova do FNDE de 2024, o Cebraspe apresentou uma frase em que “onde” retomava um lugar: o condado de Warren, nos Estados Unidos. A banca perguntou se o trecho poderia ser reescrito com o pronome relativo “cuja”, preservando a coerência e a correção gramatical.
Embora a questão não comparasse diretamente “onde” e “aonde”, ela exigia que o candidato identificasse o antecedente do pronome relativo e analisasse a coesão da frase. A construção aparece no caderno do processo seletivo do FNDE.
Use onde para indicar localização:
Use aonde quando o verbo exigir a preposição “a” e houver ideia de movimento ou destino:
“Aonde” resulta da união da preposição “a” com “onde”. Por isso, não basta haver movimento: o verbo também precisa exigir a preposição “a”.
Outro erro comum é usar “onde” para retomar ideias, situações ou períodos, e não lugares.
Compare:
Se o antecedente não for um lugar, considere “em que”, “no qual” ou “na qual”. Se houver ideia de movimento, verifique a regência do verbo antes de escolher “aonde”.
Em uma questão da prova para analista judiciário do TRT da 13ª Região, a FGV apresentou “mau conhecimento” em uma das propostas de reescrita.
A questão tratava principalmente da preservação da relação de causa, e não especificamente da diferença entre “mal” e “mau”. Ainda assim, a construção presente no caderno publicado pela FGV exemplifica o uso de “mau” como adjetivo associado ao substantivo “conhecimento”.
Mal geralmente se opõe a bem, enquanto mau se opõe a bom.
Compare:
“Mal” também pode funcionar como conjunção, com sentido de “assim que”:
Como “mau” é um adjetivo, ele varia para concordar com o substantivo:
Faça oposição. Se o contrário for “bem”, use mal. Se o contrário for “bom”, use mau.
Em um texto presente na prova do TRT da 13ª Região, a FGV empregou as construções “visa à diminuição dos gases de efeito estufa” e “visam ao desenvolvimento sustentável”. A regência não era o tema específico da questão, mas os exemplos do caderno da prova ajudam a visualizar o uso do verbo “visar” com sentido de ter como objetivo.
Em “visa à diminuição”, o verbo exige a preposição “a”, que se une ao artigo feminino de “diminuição”. Em “visam ao desenvolvimento”, a forma masculina “ao” evidencia a presença da mesma preposição.
A regência verbal determina a relação entre o verbo e seus complementos. A preposição exigida pode mudar conforme o verbo e o sentido empregado.
No sentido de ver ou presenciar, o verbo assistir exige a preposição “a” na norma-padrão tradicionalmente cobrada em concursos:
A crase ocorre porque a preposição exigida pelo verbo se encontra com o artigo feminino que acompanha “aula”.
Outros exemplos comuns são:
No caso de “preferir”, a norma-padrão recomenda a estrutura “preferir uma coisa a outra”. Por isso, em provas de concursos, devem ser evitadas construções como “prefiro mais” e “prefiro estudar do que sair”.
Estude o verbo dentro de uma frase completa. A regência e a preposição exigida podem mudar de acordo com o significado.
Em uma prova do FNDE de 2024, o Cebraspe pediu que o candidato avaliasse se a colocação do pronome “lhes” antes do verbo era provocada pela palavra “não”.
No trecho analisado, porém, a próclise estava relacionada ao pronome relativo “que”, presente em “a intenção que lhes tenha dado origem”. A questão mostra que não basta encontrar uma possível palavra atrativa: é preciso analisar a estrutura da oração no caderno oficial da seleção.
Palavras de sentido negativo, como “não”, “nunca” e “ninguém”, normalmente atraem o pronome para antes do verbo. Esse posicionamento é chamado de próclise.
Compare:
Pronomes relativos, como “que”, “quem” e “cujo”, também podem exigir a próclise:
Algumas conjunções subordinativas também atraem o pronome:
No início de uma oração, a norma-padrão tradicional recomenda evitar o pronome oblíquo átono antes do verbo:
Identifique a palavra diretamente relacionada à oração em que aparece o pronome. Em concursos, não basta localizar um termo atrativo próximo; é necessário verificar se ele realmente determina a colocação pronominal.
Questões de pontuação em concursos frequentemente apresentam uma frase reescrita e perguntam se a retirada, inclusão ou mudança de posição da vírgula mantém a correção e o sentido original.
A regra principal é que a vírgula não deve separar o sujeito de seu verbo, mesmo quando o sujeito é longo.
Compare:
Também não se deve separar o verbo de seu complemento sem uma justificativa sintática:
A vírgula pode ser usada para isolar termos intercalados:
Nesse exemplo, as vírgulas isolam a expressão “segundo o edital”. Se o trecho for retirado, a estrutura principal continua completa: “Os candidatos terão quatro horas de prova”.
Identifique primeiro o sujeito, o verbo e os complementos. Evite colocar uma vírgula entre esses elementos sem que exista uma intercalação.
Comece pelo conteúdo programático do edital e identifique os temas de Língua Portuguesa que serão cobrados. Depois, resolva provas anteriores da mesma banca, preferencialmente de concursos com cargo e nível de escolaridade semelhantes.
Algumas bancas pedem a identificação direta de um erro gramatical, enquanto outras apresentam uma reescrita e perguntam se houve alteração de sentido ou prejuízo à correção da frase.
Ao resolver cada questão, procure responder:
Registre seus erros em um caderno de revisão e retome as regras por meio de exemplos.
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O conteúdo varia conforme o edital, mas interpretação de texto, ortografia, classes de palavras, sintaxe, concordância, regência, crase, pontuação, semântica, coesão e reescrita de frases aparecem com frequência.
Leia atentamente o comando, destaque palavras como “correto”, “incorreto” e “sem alteração de sentido” e analise a frase inteira. Também é importante resolver provas anteriores da mesma banca.
As questões são essenciais, mas devem ser combinadas com teoria e revisão. Ao errar, identifique o assunto, consulte a regra e refaça o exercício depois de alguns dias.


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