A segunda fase do vestibular da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) 2024 está marcada para os dias 10 e 11 de dezembro. É nessa etapa que os estudantes precisam responder questões dissertativas, além de escrever uma redação.
A redação do vestibular da Unesp é uma prova que requer dos candidatos a elaboração de um texto dissertativo-argumentativo. Nesse tipo de texto, o candidato deve desenvolver uma tese sobre o tema proposto, apresentando argumentos coerentes e bem fundamentados para sustentá-la.
A prova é avaliada com base em critérios como coerência, coesão, propriedade no uso da língua portuguesa e capacidade de argumentação. Além disso, é importante que o candidato demonstre conhecimento sobre o tema e capacidade de refletir criticamente sobre ele, articulando suas ideias de forma clara e consistente.
Nas últimas edições do vestibular, os temas cobrados na redação foram:
2023: “A lógica do condomínio: o espaço público está em declínio?”
2022: “Tudo bem não estar bem? A tristeza em tempos de felicidade compulsória.”
2021: “Tempo é dinheiro?”
2020: “O carro será o novo cigarro?”
2019: “Compro, logo existo?”
2018: “O voto deveria ser facultativo no Brasil?”
“O tema da redação da Unesp geralmente aborda uma problematização social ou questões filosóficas, culturais e dilemas sociais com a intenção de um posicionamento do estudante. É comum o tema aparecer em formato de pergunta”, resume a Assessora Pedagógica da Plataforma Amplia, Nicole Stallivieri.
A redação costuma preocupar bastante os candidatos, pois ela representa parte importante do resultado final. Pensando nisso, a Revista Quero conversou com a professora Nicole Stallivieri, que indicou temas que podem cair na redação do vestibular da Unesp 2024. Confira:
1. Dilemas sobre a Inteligência Artificial
Os dilemas sobre a Inteligência Artificial (IA) são numerosos e complexos, abrangendo questões éticas, sociais, econômicas e tecnológicas.
Um dos principais desafios é determinar a responsabilidade pelas ações de sistemas de IA, especialmente quando eles tomam decisões autônomas. Há também a preocupação com o viés e a discriminação, pois algoritmos podem perpetuar preconceitos humanos.
A privacidade e a segurança de dados são outro ponto crítico, dada a capacidade da IA de processar enormes quantidades de informações pessoais.
“O caso de preconceito na produção de imagens, bem como alguns artistas que têm usado a ferramenta e sendo desclassificados de concursos por conta disso, é possível que a banca leve em consideração esse tema para abordar questões éticas, sociais e políticas sobre o assunto”, comenta Nicole.
A intolerância é um fenômeno complexo e multifacetado que se manifesta por meio da recusa em aceitar e respeitar diferenças, sejam elas de opinião, crença, identidade ou cultura. Ela se opõe diretamente à possibilidade do diálogo, que é fundamental para a construção de uma sociedade harmoniosa e plural.
A professora Nicole justifica a aposta nesse tema: “a sociedade passou por uma pandemia recentemente privando as pessoas do convívio social. Essa situação intensificou as dificuldades no que tange ao diálogo, à empatia e à disposição para ouvir o outro”.
Nicole ainda sugere algumas perspectivas relacionadas ao tema, sendo elas: a cultura do cancelamento, a polaridade de opiniões, radicalismos, entre outros.
A exposição exagerada na internet é uma questão cada vez mais relevante na era digital. Esse fenômeno se caracteriza pelo compartilhamento excessivo de informações pessoais, fotos, opiniões e outros aspectos da vida privada em plataformas digitais.
Enquanto pode trazer benefícios como conexão com outras pessoas e autoexpressão, também acarreta riscos significativos. Esses incluem a perda de privacidade, o aumento da vulnerabilidade a golpes e ataques cibernéticos, e o impacto na saúde mental.
Nicole acrescenta: “o trabalho desenvolvido por blogueiros e influencers nas redes sociais têm lançado luz à questão sobre exposição exagerada e privacidade de informações em um mundo baseado em seguidores, engajamento e visibilidade na internet”.
As mudanças climáticas referem-se a alterações duradouras nos padrões climáticos globais ou regionais. Estas mudanças, impulsionadas principalmente pela atividade humana, têm levado a fenômenos como o aumento da temperatura global, derretimento das calotas polares, elevação do nível do mar e eventos climáticos extremos mais frequentes.
Nicole explica que esse eixo é bastante explorado em diversos vestibulares, mas como trata-se de um fenômeno que afeta a saúde de todos, pode cair na Unesp. A professora ainda cita como o tema poderia ser cobrado: “Mudanças Climáticas: um problema do futuro?”.
As novas possibilidades no mercado de trabalho estão sendo moldadas por uma série de fatores, incluindo avanços tecnológicos, mudanças nas dinâmicas econômicas e sociais, e a crescente ênfase na sustentabilidade e inovação.
Para a professora Nicole, a Unesp pode instigar o estudante a responder o que importa mais na hora de escolher uma profissão: as novas possibilidades e tendências do mercado de trabalho ou ser feliz na carreira que sempre sonhou?
“O aluno precisaria argumentar sobre questões sociais como a realidade do mercado de trabalho e as transformações que aconteceram ao longo dos anos, ao mesmo tempo, refletir sobre aspectos inerentes à essência humana no que tange às escolhas necessárias da vida”, aconselha Nicole.
A Unesp é uma renomada instituição pública de ensino superior no Brasil. Com uma estrutura multicampi espalhada pelo Estado de São Paulo, oferece diversos cursos de graduação e pós-graduação.
A universidade é conhecida por sua excelência em pesquisa e ensino, atraindo estudantes de todo o país e do exterior. A universidade mantém colaborações internacionais e contribui significativamente para o desenvolvimento científico e tecnológico.