EnemEnem e Vestibulares

Redação do Enem 2026: veja 10 repertórios sobre o SUS que poderiam ser usados

Da Constituição de 1988 à série “Sob Pressão”, confira 10 referências socioculturais analisadas por professores e veja como poderiam ser aplicadas



Em resumo:

  • O Artigo 196 da Constituição de 1988 e a Lei Orgânica da Saúde (Lei nº 8.080/1990) estão entre os repertórios jurídicos centrais para comprovar que a saúde gratuita é um dever do Estado.
  • A série brasileira “Sob Pressão” e a criação da Anvisa poderiam ser usadas no desenvolvimento para ilustrar o sucateamento hospitalar e mostrar que o sistema vai além do pronto-socorro.
  • Conceitos de pensadores como Gilberto Dimenstein, Zygmunt Bauman e Achille Mbembe ajudavam a problematizar a desigualdade de acesso e a combater discursos de privatização da rede pública.
sus
Fernando Frazão/Agência Brasil

O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 foi confirmado na tarde deste domingo (8) pelo Ministro da Educação, Leonardo Barchini: “A valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) como direito universal“.

Na análise dos especialistas consultados pela Revista Quero, para alcançar os 200 pontos da Competência 2 na correção do Inep, o candidato precisava ir além dos textos motivadores da prova e mobilizar repertórios socioculturais.

Como ressaltam os professores do Fibonacci, do Sistema pH e do Anglo, a banca espera que o estudante conecte esses referenciais aos problemas de subfinanciamento, estigma e desigualdade de acesso à saúde pública.

10 repertórios que poderiam ser usados na redação do Enem 2026

Confira abaixo 10 referências socioculturais que dialogam com a análise dos professores e veja como cada uma poderia ser articulada ao longo dos parágrafos do texto:

1. Artigo 196 da Constituição Federal de 1988

O Artigo 196 da Carta Magna determina que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e ao acesso igualitário.

Para Thiago Braga, professor e autor do Colégio e Sistema pH, trata-se do repertório jurídico central da prova, pois ajuda a destrinchar o próprio comando da proposta.

A palavra mais importante da frase-tema é ‘valorização’. É nesse ponto que está o viés da problematização. Portanto, ao propor que o aluno trate o SUS como algo que deve ser valorizado, a banca pressupõe a existência de um cenário de desvalorização, explica Braga.

A partir dessa premissa, o candidato encaminharia o desenvolvimento apontando a falha estatal em cumprir a lei de 1988. Como reforça o professor do pH, o artigo constitucional serve para cravar que “o SUS, portanto, não é um favor nem uma assistência facultativa, mas uma garantia constitucional assegurada a todos os brasileiros”.

2. Série “Sob Pressão” (TV Globo/Globoplay)

A premiada produção audiovisual brasileira retrata de forma dramática e realista a rotina de uma equipe médica em um hospital público marcado pela precariedade no Rio de Janeiro.

Dentro do texto dissertativo, a obra ficcional caberia em um dos parágrafos de desenvolvimento para exemplificar os problemas estruturais da rede pública. A autora de Redação do Fibonacci Sistema de Ensino, Mara Coura Linhares, destaca a força desse repertório:

A série ‘Sob Pressão’ também é muito conhecida pelos estudantes e mostra as dificuldades que médicos, enfermeiros e profissionais da saúde de forma geral enfrentam na rotina de um hospital público.

Segundo Linhares, como “a mídia mostra com frequência os problemas vivenciados pelo SUS, a questão do subfinanciamento, da dificuldade e da falta de médicos e de medicamentos, não é difícil culpar o Estado pela falta de investimento e, obviamente, se algo não recebe investimento, isso facilita a desvalorização”.

Elenco de Sob Pressão. Foto: Victor Pollak/TV Globo

3. Conceito de “Cidadania de Papel” (Gilberto Dimenstein)

Em sua obra clássica O Cidadão de Papel, o jornalista e escritor Gilberto Dimenstein defende a tese de que o Brasil possui uma das legislações mais modernas e protetivas do mundo, mas que esses direitos existem apenas na folha impressa, sem se concretizarem na rotina da população.

A aplicação desse conceito se encaixa no raciocínio analítico exigido pela prova deste ano, detalhado por Daniela Toffoli, professora de Redação do Curso Anglo, da Cogna Educação:

Se o comando fala em valorização do SUS como direito universal, o que o candidato precisa entender é a lógica implícita da banca: se é necessário valorizar, é porque, atualmente, o serviço é desvalorizado. E, se precisa ser um direito universal, é porque o acesso ainda não acontece de forma universal na prática, pontua a docente.

Ao mobilizar Dimenstein no desenvolvimento, o estudante demonstraria ao corretor que a universalidade da saúde vira apenas um papel diante das longas filas de espera.

4. Criação da Anvisa (Lei nº 9.782/1999) e a Vigilância Sanitária

Para fugir do senso comum, o candidato poderia utilizar como repertório institucional a Lei nº 9.782/1999, que criou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e estruturou a fiscalização de portos, aeroportos, medicamentos e insumos básicos.

Trazer essa dimensão preventiva e fiscalizadora do sistema vai ao encontro da análise de Mara Coura Linhares, já que aproxima o argumento do cotidiano de qualquer brasileiro:

Todo mundo usa os benefícios do SUS, que vão muito além da questão hospitalar. Tem a questão do tratamento de água. A qualidade dos alimentos que chegam às nossas mesas também é fiscalizada pelo SUS, então todos os brasileiros utilizam esse sistema, ressalta a especialista do Fibonacci.

Já no desenvolvimento do texto, citar o marco regulatório da Anvisa serviria para sustentar uma crítica ao desconhecimento da população sobre o alcance da rede, inclusive das classes mais altas.

Nessa linha argumentativa, como aponta Linhares, o estudante poderia estruturar o parágrafo “falando a respeito da falta de informação. Muita gente usa o serviço do SUS, mas por não conhecer a abrangência desse serviço, por falta de informação, acaba acreditando que não faz uso”.

5. Lei Orgânica da Saúde (Lei nº 8.080/1990)

Sancionada dois anos após a Constituinte, a Lei nº 8.080/1990 é o marco legal que regulamenta as ações e os serviços de saúde no Brasil.

É esse dispositivo jurídico que consolida as bases para os três princípios doutrinários do SUS: a universalidade de acesso, a integralidade de assistência e a igualdade no atendimento.

O estudante que lembrasse dessa legislação poderia utilizá-la para fundamentar a defesa dos direitos humanos e a responsabilidade coletiva. Essa abordagem dialoga com a reflexão ética exigida pelo recorte da banca, conforme analisa Michele Marcelino, professora especialista em Redação na Filadd:

O tema toca em uma pergunta decisiva para o Brasil: o direito de uma pessoa ser cuidada pode depender de quanto ela ganha? Ao destacar o SUS como direito universal, a proposta convida os estudantes a pensar sobre o valor que atribuímos à vida e sobre a responsabilidade coletiva de protegê-la.

A articulação do argumento seguiria a conclusão de Marcelino de que “o direito à saúde perde seu sentido quando uma pessoa precisa provar que é pobre para merecer cuidado. A força da universalidade está justamente em afirmar que toda vida merece atenção”.

6. Conceito de “Instituições Zumbis” (Zygmunt Bauman e Ulrich Beck)

Um dos repertórios sociológicos mais recorrentes entre os vestibulandos é o conceito de “Instituições Zumbis”, cunhado originalmente pelo sociólogo alemão Ulrich Beck e popularizado pelo filósofo polonês Zygmunt Bauman na obra Modernidade Líquida.

Nas redações de vestibular, o termo é frequentemente adaptado para definir instituições sociais, como o Estado e seus serviços básicos, que continuam existindo formalmente na sociedade, mas perderam a capacidade de cumprir a sua função original com eficiência.

Na construção do texto, essa referência sociológica ajudaria a contextualizar o desgaste enfrentado pela rede pública no debate atual.

Citar Bauman no desenvolvimento permitiria ao candidato problematizar a perda de confiança no modelo estatal, cenário retratado pela autora Mara Coura Linhares: “têm inclusive proliferado discursos a respeito da privatização do SUS; já que ele não está funcionando como deveria, muita gente acaba defendendo a privatização”.

Zygmunt Bauman. Foto: Jan Zappner

7. Conceito de “Necropolítica” (Achille Mbembe)

O filósofo e teórico político camaronês Achille Mbembe cunhou o termo “necropolítica” para explicar como o Estado contemporâneo utiliza o seu poder político, econômico e estrutural para ditar quais grupos sociais têm o direito de viver e quais populações são sistematicamente expostas à morte pela omissão governamental.

Na visão da professora Daniela Toffoli, como em 2026 a frase temática “não trouxe um recorte explícito de gênero, raça ou idade, ou seja, de um grupo social minoritário, […] a leitura do tema exige que o próprio aluno faça esse movimento analítico”.

Aplicar o conceito de Mbembe no desenvolvimento cumpriria exatamente esse papel, demonstrando ao corretor que o sucateamento dos hospitais públicos nos bairros periféricos atinge de forma letal a população pobre do país.

8. Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU, 1948)

Proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelece, em seu Artigo 25, que todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a saúde e o bem-estar para si e para a sua família.

O documento da ONU funciona como um repertório coringa para abrir a introdução ou fundamentar a tese de valorização da rede pública.

Na transição para os parágrafos de desenvolvimento, o candidato usaria a diretriz da ONU para cobrar melhorias práticas no atendimento ao cidadão comum.

9. Teoria do “Contrato Social” (John Locke e Thomas Hobbes)

Clássico absoluto nas redações do Enem, o contratualismo de filósofos como John Locke e Thomas Hobbes defende que os indivíduos abrem mão de parte de sua liberdade para criar o Estado por meio de um “contrato social”.

Em contrapartida, o poder público assume a obrigação inegociável de proteger direitos fundamentais dos cidadãos, como a vida e a segurança, premissa que, no Estado contemporâneo, se desdobra na garantia da saúde pública.

No desenvolvimento, a quebra do Contrato Social pelo Estado seria conectada ao preconceito enfrentado pela rede pública nos dias de hoje.

Ao avaliar os caminhos argumentativos da prova, o professor Thiago Braga alerta que, “nesse contexto, existe o estigma de que o serviço não atende a toda a população, embora seja universal”.

10. Revolta da Vacina (1904) e o Programa Nacional de Imunizações

O episódio histórico da Revolta da Vacina, ocorrido no Rio de Janeiro em 1904 durante a campanha de erradicação da varíola liderada pelo sanitarista Oswaldo Cruz, marca o início das tensões entre políticas de saúde pública e a população brasileira.

Na redação do Enem, essa alusão histórica caberia no segundo parágrafo de desenvolvimento para discutir como a falta de comunicação e de educação em saúde prejudica a percepção popular sobre o SUS.

Contrastar o trauma de 1904 com o sucesso atual do Programa Nacional de Imunizações (PNI) prepara o terreno para o parágrafo de conclusão.

A partir do paralelo histórico trabalhado no desenvolvimento, o candidato encerraria o texto propondo campanhas educativas nas escolas e na mídia para informar a sociedade sobre o funcionamento da rede.

Essa linha de conclusão encontra respaldo na análise do professor Thiago Braga, que destaca que, além da saúde, “os alunos também poderão discutir questões relacionadas ao investimento na educação”, já que existem “diversas possibilidades de propostas de intervenção para esse tema”.

Bonde virado durante a Revolta da Vacina.

Gabarito Enem 2026

Se você quiser saber quantas questões acertou na prova, pode conferir o gabarito extraoficial do Enem da Quero Bolsa, que é feito em parceria com o Curso Anglo.

Para acessá-lo, é só clicar no botão abaixo:

Como estudar para o Enem de graça?

O Preparadão Enem chegou para ajudar quem está estudando para o Enem e busca uma preparação intensiva e focada para a prova.

Se você quiser tudo isso, basta entrar para a comunidade e não só contar com o apoio da preparação para o exame, mas também com a definição de um rumo para a sua vida profissional!

Tudo isso de graça, sem que você tenha que gastar para ir bem na prova.

Como estudar com bolsa de estudo

Está de olho na oportunidade de estudar e quer saber como fazer isso pagando um valor mais em conta?

A Quero Bolsa, uma plataforma que oferece bolsas de estudo de até 80% em mais de 1.000 instituições de ensino de todo o Brasil, pode ajudar você com isso!

Os descontos estão disponíveis em vários tipos de curso:

Ah! E outra coisa boa também é que dá para escolher a melhor modalidade que se adequa à sua realidade, porque ela oferece tanto cursos presenciais quanto cursos EaD.

Clique no botão abaixo e veja as possibilidades de curso!

Entenda como funciona a Quero Bolsa

Se você se interessou e quer saber mais sobre como ela funciona, confira abaixo alguns artigos e entenda melhor como conseguir uma bolsa!

Onde estudar com desconto

Confira abaixo algumas das melhores instituições de ensino do Brasil que são parceiras da Quero Bolsa e aproveite as ofertas disponíveis.

Logo do Querobolsa

Gostando da matéria?

Inscreva-se e receba nossos principais posts no seu e-mail

Banner FOQA Últimas Notícias

Revista Vídeos

As profissões mais bem pagas em 2026

Postado em 31/03/2026

Como estudar pro ENEM 2026 do ZERO

Postado em 23/04/2026


Pronto para estudar pagando menos?

Bolsas de até 80% de desconto em milhares de faculdades por todo o Brasil.
Encontrar minha bolsa