Exemplos de bons textos do Encceja
Para auxiliar os participantes na preparação, foram selecionadas redações de edições anteriores do Encceja na modalidade ensino médio que atingiram pontuações satisfatórias.
Esses textos seguiram os critérios definidos pelo Inep e foram avaliados de acordo com as competências exigidas na prova.
A consulta a esses modelos pode contribuir para o entendimento prático dos critérios de correção e ajudar o candidato a planejar melhor sua própria redação. Vale destacar que os textos foram retirados da Cartilha do(a) Participante Encceja 2025: Redação Ensino Médio.
Exemplo 1 – Autora: Ana Amélia Chaves de Oliveira
A terceira Revolução Industrial, consolidada por volta de 1950, representou um
grande progresso para a humanidade ao inserir na sociedade inúmeras ferramentas tecnológicas, como a internet. Entretanto, observa-se que esse avanço não se instalou no tecido civil isento de desdobramentos problemáticos, já que essas tecnologias facilitaram a disseminação de notícias falsas, as famosas “Fake News”. Dessa forma, é pertinente investigar os principais sustentáculos do panorama controverso: o falho sistema educacional brasileiro e a escassez de ética entre os cidadãos.
Em primeiro lugar, é fulcral destacar que o fato de o modelo de ensino atual ser
ineficiente fundamenta a questão. Diante dessa perspectiva, cabe citar que Paulo Freire — patrono da educação no Brasil — defende, em sua obra “Pedagogia da Autonomia”, que as escolas devem, além de transmitir aos alunos um conhecimento de ordem técnica e científica, fornecer o auxílio necessário para o desenvolvimento do pensamento crítico. No entanto, constata-se que o que é defendido pelo pedagogo não se aplica ao contexto nacional, já que a maior parte dos cidadãos compartilham notícias falsas em suas redes sociais por não saberem diferenciar um fato de uma desinformação, ou seja, possuem uma criticidade pouco desenvolvida. Isso acontece, porque, lamentavelmente, as instituições de ensino limitam o aprendizado dos estudantes a repetir fórmulas e
decorar informações ao invés de estimular a capacidade desses indivíduos de analisar e questionar a realidade que os cerca. Assim, é evidente que, enquanto o sistema educacional permanecer ineficiente, as notícias falsas circularão no país.
Ademais, é indispensável pontuar que a falta de ética por parte dos criadores
de “fake news” sustenta o entrave. Isso ocorre, pois os responsáveis pela disseminação desse tipo de notícia banalizam as consequências negativas dessa ação no corpo social, a exemplo de, no caso de notícias falsas em relação à saúde, o risco que a desinformação pode oferecer à vida das pessoas. Essa indiferença se dá em virtude do individualismo que caracteriza a sociedade hodierna, uma vez que, assim como o ilustre sociólogo polonês Zygmund Bauman aponta em “Modernidade Líquida”, na contemporaneidade, os interesses privados se sobrepõem até mesmo aos valores éticos e morais. Um exemplo
disso é a grande quantidade de influenciadores digitais que, com o fito de maximizar seus rendimentos, promovem produtos de origem duvidosa na internet, tais quais cosméticos e suplementos alimentares, mesmo que possam prejudicar o bem-estar dos compradores. Logo, é evidente a necessidade de combater a falta de ética para reduzir a circulação de notícias falsas.
Portanto, medidas devem ser implementadas para mitigar o óbice. Urge, pois, que as Escolas — agentes da transformação social — por intermédio da promoção de debates entre os alunos, incentivem que eles desenvolvam o senso crítico e uma forte habilidade de pensar de maneira autônoma, a fim de formar cidadãos capazes de identificar uma notícia falsa. Além disso, é preciso que a mídia, a partir da disseminação de campanhas publicitárias em sites na internet, a exemplo do “Instagram”, combata a escassez de ética entre os brasileiros. Posto isso, a circulação de Fake News será drasticamente reduzida e a terceira Revolução Industrial desempenhará sua função original de promover o progresso da nação.
Exemplo 2 – Autor: Felipe Pimentel Rodrigues da Silva
A partir de 2020, intensificou-se o debate sobre a necessidade da regulação das redes sociais, devido à preocupação com a privacidade dos dados, o discurso de ódio e, sobretudo, a propagação da desinformação. Nesse sentido, torna-se relevante propor ações para combater as notícias falsas no âmbito nacional. Dessa forma, é imprescindível analisar a utilização da desinformação como um recurso político e a formação educacional deficitária no Brasil.
Diante desse cenário, avalia-se o viés político das chamadas “fake news”, um fator agravante da problemática, haja vista que são empregadas a fim de ganhar o capital eleitoral, isto é, facilitar a vitória nas eleições. Sob essa ótica, Joseph Goebbels, político alemão, afirmou que, na gestão pública, “uma mentira, se repetida mil vezes, torna-se verdade”. Nesse contexto, verifica-se que a difusão das notícias falsas é fortalecida, principalmente, pelo exercício inadequado da política. Portanto, o combate à desinformação na administração coletiva é essencial para a resolução da temática analisada.
Ademais, pontua-se a formação educacional deficitária no Brasil. Nesse
raciocínio, Paulo Freire, no livro “Pedagogia do Oprimido”, elucidou que embora a educação, sozinha, não possa mudar a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda. Em contrapartida, o Estado não aparenta possuir tal entendimento, visto que o Brasil figura na octagésima sétima posição global, no que tange ao Índice de Desenvolvimento Humano, segundo o Relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, no ano de 2022. Desse modo, dificulta-se a formação de jovens e adultos críticos, isto é, capazes de identificar as notícias falsas e, consequentemente, há a continuidade da propagação da desinformação. Logo, é preciso direcionar os investimentos governamentais ao ensino básico e ao superior.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação, instituição responsável pela formação educacional brasileira, promover palestras em escolas públicas sobre o impacto coletivo das notícias falsas, por meio da parceria com as secretarias estaduais de educação, com o fito de formar cidadãos com senso crítico e, com isso, enfraquecer o uso da desinformação no cenário político atual no Brasil, mas também de um modo geral.
Exemplo 3 – Autor: Ilze Maria Silva de Vasconcelos
O Plano Cohen foi uma estratégia utilizada pelo Governo Vargas para justificar a instalação de um regime autoritário no país através da divulgação da interceptação de um plano falso que visava à instalação de uma ditadura comunista no país. No contexto atual, em que o avanço dos meios de comunicação proporcionou maior agilidade na troca de informações, a disseminação de conteúdos equivocados tem tomado proporções ainda maiores na sociedade brasileira. Por isso, a fim de encontrar soluções para o entrave, é preciso, antes, analisar as suas causas.
A priori, observa-se a ausência de uma política de fiscalização da veracidade das notícias publicadas por parte das “big techs”. Isso ocorre por conta da repercussão que essas mensagens tendem a ter nas redes sociais, gerando compartilhamentos e curtidas que potencializam a utilização desse tipo de mídia. Nesse sentido, no lugar de constituírem um instrumento democrático, como propôs o sociólogo Pierre Bordieu, os meios de comunicação acabam por configurar um mecanismo de opressão, pois manipulam a opinião das massas com dados infundados. Desse modo, a negligência da mídia de comunicação colabora com a existência do entrave.
Ademais, é válido destacar que a falta de estudo por parte da população exerce um papel significativo na produção e compartilhamento de informações falsas. Essa lacuna na formação dos indivíduos é resultado tanto do sucateamento da educação pública brasileira quanto da falta de valorização desse direito social, fatores que, como consequência, geram indivíduos sem pensamento crítico e, portanto, incapazes de fazer juízo de valor do conteúdo que recebem. Diante desse cenário, o educador brasileiro Paulo Freire reforçou a importância da educação na transformação da vida das pessoas e da contribuição dessas para mudar o mundo.
Com isso, fazem-se necessárias ações para combater o compartilhamento de “fake news” na sociedade brasileira. Para tanto, o Poder Legislativo deve instituir a obrigatoriedade de monitoramento por parte das “big techs” dos conteúdos publicados em suas redes por meio de um Projeto de Lei, bem como as escolas devem promover, através de ações educativas, uma cultura de verificação da veracidade das notícias recebidas por meios de comunicação. Ambas as ações serão realizadas com o fito de mitigar a disseminação de notícias falsas e, como consequência, reduzir a manipulação do corpo social.