UFRJ concede diploma póstumo a Stuart Angel 55 anos após morte durante a ditadura militar
A UFRJ concedeu um diploma póstumo a Stuart Angel, estudante morto pela ditadura militar em 1971. A homenagem reconhece sua trajetória acadêmica e integra ações de reparação histórica.
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu um diploma póstumo de bacharel em Ciências Econômicas a Stuart Angel, estudante morto pela ditadura militar em 1971.
A cerimônia foi realizada na última terça-feira (7), no Salão Dourado do Palácio Universitário, como parte de uma iniciativa de reparação histórica promovida pela instituição.
O evento reuniu familiares, integrantes da comunidade acadêmica e o reitor da UFRJ, Roberto Medronho. O diploma foi entregue à jornalista Hildegard Angel, irmã de Stuart, que representou a família.
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Por que Stuart Angel recebeu um diploma póstumo da UFRJ?
Segundo a UFRJ, a concessão do diploma representa o reconhecimento institucional da trajetória acadêmica de Stuart Angel, interrompida pela repressão durante a ditadura militar.
Imagem: Brenno Carvalho / Agência O Globo / 29-08-2020
Durante a cerimônia, Hildegard Angel afirmou que a homenagem contribui para preservar a memória das vítimas do regime.
Já o reitor Roberto Medronho destacou que o diploma simboliza o reconhecimento do direito de Stuart à formação universitária e reafirma o compromisso da universidade com a democracia e a memória histórica.
Quem foi Stuart Angel?
Nascido em Salvador, em 1945, Stuart Angel ingressou no curso de Ciências Econômicas da UFRJ.
Durante a graduação, passou a integrar o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), tornando-se dirigente da organização em 1969.
Em 1971, aos 25 anos, Stuart foi preso, torturado e morto por agentes da ditadura militar. Seu corpo permanece desaparecido.
O caso ganhou repercussão nacional e internacional devido à atuação de sua mãe, a estilista Zuzu Angel, que liderou uma campanha em busca de informações sobre o filho até sua morte, em 1976.
Estado brasileiro reconheceu responsabilidade pela morte
O relatório da Comissão Nacional da Verdade e documentos oficiais apontam que Stuart Angel foi vítima de violência praticada pelo Estado durante a ditadura militar.
Em 2019, a certidão de óbito foi retificada pelo Estado brasileiro, reconhecendo oficialmente que sua morte ocorreu em decorrência da repressão política.
O pedido para a emissão do diploma póstumo foi apresentado por Hildegard Angel e por Lucas Duda, representante do Centro Acadêmico Stuart Angel da UFRJ.