
36ª Bienal de São Paulo: como arte e educação se encontram na educação básica
| 24/08/26Entenda o tema da 36ª Bienal de São Paulo, veja as itinerâncias de 2026.
Entenda o tema da 36ª Bienal de São Paulo, veja as itinerâncias de 2026.
A mostra aproxima estudantes da arte contemporânea ao transformar obras, diferentes culturas e questões sociais em oportunidades de observação, diálogo e criação.
Em resumo:

A 36ª Bienal de São Paulo é uma exposição internacional de arte contemporânea realizada pela Fundação Bienal. A mostra principal ocupou o Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque Ibirapuera, de 6 de setembro de 2025 a 11 de janeiro de 2026, com entrada gratuita.
Com curadoria geral de Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, a edição reuniu 120 participantes de diferentes partes do mundo. A proposta envolveu artes visuais, fotografia, instalações, filmes, performances, arquivos, sons e outras linguagens. Segundo a Fundação Bienal, a exposição procurou refletir sobre humanidade, natureza e escuta.
Embora a apresentação original em São Paulo tenha terminado, a edição permanece ativa. O programa de itinerâncias leva diferentes recortes da mostra a outras cidades ao longo de 2026.
O tema é “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática”. A primeira parte do título vem de versos do poema “Da calma e do silêncio”, da escritora Conceição Evaristo.
A curadoria utiliza a ideia de viagem para tratar não apenas de deslocamentos físicos, mas também de migração, memória, ancestralidade, encontro e transformação. Já a expressão “humanidade como prática” propõe pensar o humano como algo construído nas relações, na escuta e na convivência.
Rios, mares, oceanos e estuários aparecem como referências conceituais. Assim como diferentes águas se encontram, obras e experiências culturais distintas convivem na exposição sem perder suas particularidades.
A aproximação acontece quando a exposição deixa de ser apenas um espaço de contemplação e passa a provocar perguntas. Uma obra pode servir como ponto de partida para conversar sobre identidade, território, meio ambiente, desigualdade, tecnologia, memória e formas de convivência.
A área de educação da Fundação Bienal trabalha com três eixos: mediação, formação e pesquisa e conteúdo. As ações incluem visitas, encontros em escolas, formação para educadores e produção de materiais pedagógicos. A página de Educação da 36ª Bienal também disponibiliza conteúdos digitais relacionados às obras e aos conceitos curatoriais.
As publicações educativas desta edição abordam temas como escuta profunda, equilíbrio, improvisação e relações entre seres humanos e tecnologia. Esses materiais podem ser utilizados mesmo por turmas que não tenham acesso presencial à exposição.
O contato com a arte contemporânea não depende de encontrar uma resposta única para cada obra. A aprendizagem acontece ao observar, formular hipóteses, ouvir interpretações diferentes e sustentar uma leitura com elementos percebidos na própria produção artística.
Entre as possibilidades educacionais estão:
Essas experiências complementam o trabalho escolar. A arte integra a Educação Básica e pode dialogar com História, Geografia, Língua Portuguesa, Ciências e Sociologia, sem perder seu valor como campo de conhecimento. A relação entre essas aprendizagens aparece também no conteúdo sobre vantagens de aprender arte na escola.
| Etapa escolar | Possibilidades de aprendizagem | Atividade sugerida |
| Educação Infantil | Cores, formas, sons, texturas, movimentos e expressão oral | Escolher uma imagem da mostra e criar uma produção com materiais variados |
| Ensino Fundamental – anos iniciais | Observação, descrição, imaginação e respeito às diferenças | Registrar o que mais chamou atenção e compartilhar interpretações em roda |
| Ensino Fundamental – anos finais | Identidade, território, memória, meio ambiente e leitura de imagens | Relacionar uma obra a uma questão da comunidade ou do bairro |
| Ensino Médio | Argumentação, pesquisa, contexto histórico e crítica social | Produzir uma resenha, podcast, ensaio fotográfico ou proposta curatorial |
Na Educação Infantil, o foco pode permanecer na experiência sensorial e na criação, sem exigir explicações formais. Atividades com pintura, colagem, modelagem, sons e movimento favorecem essa aproximação. Outras propostas estão reunidas no guia de atividades de artes para a Educação Infantil.
Com estudantes mais velhos, a escola pode aprofundar questões relacionadas às trajetórias dos artistas, aos materiais empregados e aos contextos históricos e sociais presentes nas obras.
Antes da visita, a turma ou a família pode conhecer o tema da edição e selecionar algumas obras ou artistas. Não é necessário antecipar interpretações prontas: uma preparação curta já permite que os estudantes reconheçam referências durante o percurso.
Durante a exposição, perguntas abertas ajudam a organizar a observação:
Após a visita, registros escritos, desenhos, fotografias autorizadas, mapas de ideias ou pequenas exposições escolares ajudam a retomar a experiência. A avaliação pode considerar participação, observação e capacidade de estabelecer relações, e não apenas a produção de um objeto final.
A edição reuniu 120 participantes, entre artistas individuais e coletivos. A lista inclui nomes como Aislan Pankararu, Alberto Pitta, Gê Viana, Heitor dos Prazeres, Juliana dos Santos, Maria Auxiliadora, Maxwell Alexandre, Moisés Patrício, Nádia Taquary, Rebeca Carapiá, Sallisa Rosa, Wolfgang Tillmans e Zózimo Bulbul.
As itinerâncias apresentam seleções diferentes da exposição original. Portanto, nem todos os participantes estão presentes em todas as cidades. A lista completa de artistas e as páginas de cada itinerância permitem verificar quais obras integram cada recorte.
A exposição no Parque Ibirapuera terminou em 11 de janeiro de 2026. As atividades seguintes fazem parte do programa de mostras itinerantes, previsto para alcançar 15 cidades.
Em 24 de agosto de 2026, estas etapas estavam em cartaz ou oficialmente anunciadas:
| Cidade | Local | Datas ou previsão |
| Santiago | Centro Cultural La Moneda | 3 de julho a 4 de outubro |
| Recife | Oficina Francisco Brennand | 8 de agosto a 18 de outubro |
| São José do Rio Preto | Sesc Rio Preto | 19 de agosto a 15 de novembro |
| Salvador, Belém e Vitória | Instituições parceiras | Aberturas previstas para setembro |
| Berlim | Haus der Kulturen der Welt | 12 de setembro a 6 de dezembro |
| Belo Horizonte | Palácio das Artes | Abertura prevista para outubro |
| Cidade do México | Museo Tamayo | Programação prevista para 2026 |
A Fundação Bienal informa que as itinerâncias são recortes reorganizados para dialogar com cada território. Datas, horários, atividades educativas e ingressos devem ser confirmados na agenda oficial da 36ª Bienal, pois podem sofrer alterações.
A exposição principal no Pavilhão Ciccillo Matarazzo teve entrada gratuita. Nas itinerâncias, cada instituição define sua própria política de acesso.
Em 24 de agosto de 2026, as mostras de Santiago e São José do Rio Preto tinham entrada gratuita. Em Recife, a entrada inteira custava R$ 50, com valores reduzidos, meia-entrada e gratuidade às terças-feiras. Já a etapa de Berlim anunciou ingresso de € 5, com gratuidade aos domingos e para menores de 18 anos. As condições de Recife estão disponíveis na página oficial da itinerância.
A 36ª Bienal de São Paulo mostra que a arte contemporânea pode ser um espaço de aprendizagem, escuta e encontro. Para crianças e adolescentes, a experiência amplia referências e oferece diferentes maneiras de observar, interpretar e expressar o mundo.
Famílias que valorizam esse tipo de formação podem observar como as escolas trabalham artes visuais, música, dança, teatro e projetos culturais. A proposta pedagógica, a formação dos professores e o acesso a experiências fora da sala de aula são critérios relevantes na escolha de uma instituição de Educação Infantil, Ensino Fundamental ou Ensino Médio.
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