Info Icon Ajuda Help Icon Ajuda
Biologia

Anexos embrionários

William Mira
Publicado por William Mira
Última atualização: 20/4/2019

Introdução

Os anexos embrionários são estruturas formadas durante a fase embrionária que auxiliam no desenvolvimento do embrião de alguns cordados. São encontrados próximos, juntos e, alguns, até envolvendo o embrião, suprindo assim suas necessidades de manutenção do organismo durante o desenvolvimento. 

Apesar de serem formados juntos, os anexos embrionários não fazem parte do embrião, por isso podem ser chamados de apêndices embrionários. Essas estruturas extraembrionárias, após o nascimento do embrião, são descartadas e desaparecem.

Evolutivamente, acredita-se que os anexos embrionários surgiram a partir do ovo amniótico encontrado em alguns deuterostomados, como os cordados. A formação desse tipo de ovo permitiu avanços evolutivos, principalmente no que diz respeito à colonização do ambiente terrestre pelos vertebrados, que passaram a depender menos do ambiente aquático.

embriologia é o ramo da biologia que estuda o desenvolvimento embrionário como um todo e, por isso, também analisa os anexos embrionários.

Organogênese

Durante o desenvolvimento embrionário, após a fecundação, o zigoto, ou célula-ovo, passa por diversas divisões celulares, em um processo conhecido como segmentação ou clivagem. As divisões celulares continuam ocorrendo e os primeiros processos de diferenciação celular passam a acontecer, marcando o início do processo de gastrulação.

Na gastrulação, são formadas as estruturas primitivas, como a notocorda, nos cordados, que dará espaço para a coluna vertebral, o tubo nervoso dorsal que irá se desenvolver em sistema nervoso e demais estruturas primitivas que irão se diferenciar nos órgãos que compõem os sistemas de um organismo.

O processo de formação dos órgãos e demais tecidos, a partir da diferenciação das células e estruturas já existentes no embrião, ocorre dentro do estágio do desenvolvimento embrionário conhecido como organogênese.

Na organogênese, sinalizadores são enviados e ativados nas células de forma que elas mudem sua morfologia e adquiram funções específicas. Esse processo é chamado de diferenciação celular. Após a diferenciação, as células podem se agrupar para formar tecidos que dão origem aos órgãos do indivíduo.

É, ainda, na organogênese que ocorre a formação dos folhetos embrionários, que são as camadas primárias de células com capacidade de diferenciação, chamadas de endodermamesoderma ectoderma.

A partir dos folhetos embrionários, também chamados de folhetos germinativos ou ainda camadas germinativas, é que serão formados os demais tecidos e órgãos de um animal em desenvolvimento embrionário.

A formação dos anexos embrionários envolve estruturas chamadas de membranas embrionárias, que são formadas após a formação dos folhetos germinativos. Essas membranas embrionárias, após formadas, compõem o ovo amniótico e se diferenciam nos anexos embrionários. Os três folhetos germinativos estão envolvidos na formação dos anexos.

Anexos embrionários

Os anexos embrionários, como já dito, estão presentes nos ovos amnióticos, portanto, estão presentes nos cordados nas classes dos répteis, das aves e dos mamíferos.

Alantóide

Estrutura formada, principalmente, a partir do endoderma, mas também do mesoderma. Tem o formato de uma bolsa, ou vesícula, altamente vascularizada que permanece ligada à parte posterior do intestino do embrião e surge, aproximadamente, na segunda semana de desenvolvimento.

A função principal do alantóide é armazenar as excretas nitrogenadas e demais substâncias que precisam ser descartadas e que foram geradas pelo embrião durante o seu desenvolvimento. Nas aves e nos répteis, esse anexo é mais proeminente, sendo a única estrutura de armazenamento de excreta existente. Além disso, nesses organismos, o alantóide também desempenha a função de auxiliar na respiração do embrião.

Âmnio

Estrutura formada a partir do ectoderma que também é chamada de bolsa amniótica. Este anexo envolve todo o embrião e é preenchido por uma substância chamada de líquido amniótico. O desenvolvimento do âmnio facilitou a conquista pelo ambiente terrestre pelos cordados que o possuíam (répteis, aves e mamíferos), sendo chamados de cordados amniotas

A função do âmnio é proteger o embrião de choques mecânicos, da desidratação e promover a manutenção da temperatura e do pH do meio em que o embrião se desenvolve. Por envolver todo o embrião e o colocá-lo em contato com o líquido amniótico, o âmnio também permite a movimentação do embrião

Bolsa amniótica aberta.

Cório

O cório é uma membrana que envolve não só o embrião, mas também os demais anexos embrionários ligados a ele, como o alantóide, o âmnio e o saco vitelínico.

É formado a partir do ectoderma, principalmente. Nos répteis e nas aves, o cório forma uma membrana aderida à casca do ovo. Sua função é permitir as trocas gasosas entre o meio e o ovo que contém o embrião, além de absorver choques e impactos e servir como transporte de cálcio, permitindo, assim, a formação e a manutenção da casca dos ovos de répteis e aves.

Em mamíferos, o cório auxilia no desenvolvimento da placenta e é responsável pela liberação de alguns hormônios fundamentais tanto para o desenvolvimento do embrião, quanto para a transformação do corpo materno. 

Embrião envolvido pelo Âmnio e com o Cório na parte inferior.

Saco Vitelínico

Também chamado de vesícula vitelina, essa estrutura é o primeiro anexo embrionário a ser formado e, assim como o alantóide, é semelhante a uma bolsa, mas está relacionado ao armazenamento de nutrientes necessários para o desenvolvimento do embrião.

É formado a partir do endoderma e da mesoderma, e a substância que armazena recebe o nome de vitelo. Em aves e répteis, o saco vitelínico é altamente desenvolvido e sua função principal é promover a alimentação do embrião.

Embrião humano com o saco vitelínico (yolk-sac) já desenvolvido.

Placenta

A placenta foi uma novidade evolutiva presente em alguns mamíferos, chamados de mamíferos placentários. Sua formação envolve a participação do cório, bem como a ação de células do endométrio uterino. A placenta agrupa todas as funções dos demais anexos embrionários, sendo responsável pela defesa do embrião contra choques mecânicos, proteção, nutrição, trocas gasosas por difusão simples (as substâncias saem do meio de maior concentração em direção ao meio de menor concentração), remoção de excretas, além de ser o canal de contato entre o organismo materno e o embrião, mesmo não havendo mistura de sangue materno e fetal.

Devido a essa capacidade de realizar todas as funções dos demais anexos, nos mamíferos placentários, os anexos embrionários são atrofiados e diminuídos, enquanto a placenta ocupa maior espaço dentro da cavidade uterina.

Feto humano com a placenta.

Referências

GILBERT et. al. Biologia do Desenvolvimento. 5ª Edição. Funpec.

MOORE et. al. Embriologia Básica. 8ª Edição. Saunders.


Exercícios

Exercício 1
(UEL/2007)

A placenta, uma das principais estruturas envolvidas no processo de desenvolvimento embrionário, surge precocemente, estabelecendo as relações maternofetais até o nascimento. Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, analise as afirmativas abaixo. 

  • O transporte de oxigênio e dióxido de carbono, através da placenta, se dá por simples difusão. 
  • O sangue materno e fetal se mesclam nas vilosidades coriônicas da placenta. 
  • A placenta é uma estrutura de origem mista, com um componente fetal e um materno. 
  • O vírus da rubéola pode atravessar a placenta e causar anomalias congênitas no feto. 
  • Estão corretas apenas as afirmativas: 

    Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

    Inscreva-se abaixo e receba novidades sobre o Enem, Sisu, Prouni e Fies:

    Carregando...