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Geografia

Relevo

Angelo Carvalho
Publicado por Angelo Carvalho
Última atualização: 12/10/2018

Introdução

Os relevos são as formas da crosta terrestre, resultado de inúmeros eventos ocorridos na história geológica do nosso planeta, que se encontra constantemente em transformação. Desta forma, a Terra mostra sua história por meio de diversos elementos que formam as mais variadas paisagens.

O processo de formação dessas estruturas se dá pela contraposição entre as forças endógenas e exógenas. As forças endógenas são forças internas, que se manifestam de dentro para fora do planeta. As principais forças endógenas são:

  • Tectonismo
  • Vulcanismo
  • Sismos (Terremotos)

Já as forças exógenas são as forças que vem da parte externa, geralmente da atmosfera. Há dois grupos principais neste tipo de força:

  • Intemperismo: É um conjunto de forças externas que fragmentam, desgastam e decompõem as rochas. Dentro desse conjunto de forças, temos uma subdivisão:
  • Físico: forças mecânicas que atuam na fragmentação da rocha;
  • Químico: ação química da água da chuva;
  • Biológico: ação dos seres vivos que tem a capacidade de fragmentar rochas.
  • Erosão: Transporte de fragmentos rochosos. Os mares, rios e ventos são responsáveis pelo transporte desses sedimentos.

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As estruturas dos relevos

Da soma das forças endógenas e exógenas surgem as estruturas do relevo. Estas são os grandes corpos rochosos que sustentam as formas de relevo. Há três tipos diferentes de estrutura: os crátons, os cinturões orogênicos e as bacias sedimentares.

Crátons

Os crátons são estruturas geológicas extremamente antigas e que hoje se encontram bastante desgastadas pela ação das forças exógenas. Nesse tipo de estrutura apresentam predominantemente rochas metamórficas e magmáticas.

Quando os crátons se encontram expostos na superfície, geralmente sustentando formas de relevo de média elevação e alto desgaste, são chamados de escudos cristalinos. Em nosso país, os principais exemplos desse tipo de estrutura são o escudo sul-amazônico, o escudo das guianas e o do São Francisco.

Os crátons podem estar cobertos por espessas camadas de sedimentos, como no caso das bacias sedimentares, e neste caso, diz-se que são plataformas cristalinas.

Cinturões Orogênicos

Os cinturões orogênicos são estruturas formadas pelos desdobramentos (orogênese), consequência da tectônica de placas. Como exemplo desse tipo de estrutura, podemos citar as cadeias montanhosas dos Andes, dos Alpes e do Himalaia, que são nomeados de Dobramentos modernos.

Os Himalaias, a cadeia montanhosa mais alta do mundo.

Os Himalaias, a cadeia montanhosa mais alta do mundo.

Bacias Sedimentares

As bacias sedimentares se formam em regiões que, no passado, foram grandes ambientes de sedimentação (locais que recebiam sedimentos das áreas vizinhas). Dessa forma, essas estruturas são construídas por meio da sobreposição de grandes camadas de rochas sedimentares.

A maior parte dessas bacias se formou em áreas de antigos lagos ou mares pouco profundos, que posteriormente sofreram a ação de forças endógenas. No Brasil, as maiores bacias sedimentares são: a do Paraná, a Amazônica e a do Parnaíba.

As formas do relevo

As formas de relevo se desenvolvem sobre as estruturas. As principais formas são os planaltos, as planícies e as depressões. A principal diferença entre elas se dá de acordo com o processo que as origina.

Planaltos

Os planaltos são áreas formadas por rochas magmáticas e metamórficas, onde os processos de desgaste são maiores do que os de deposição, ou seja, regiões que estão perdendo material ao ser erodidas. Geralmente, os planaltos possuem mais de 200 metros de altitude e apresentam declives nas suas bordas. No Brasil, são exemplos dessa forma de relevo o Planalto Central Brasileiro, os planaltos da Região Amazônica e os planaltos da bacia sedimentar do Paraná.

Planícies

Classificam-se como planícies as formas de relevo planas ou pouco inclinadas, cujo os processos de deposição têm predominância sobre os de desgaste. As planícies costumam estar localizadas próximas ao litoral e são formadas pelo acúmulo de sedimentos de outras formas que sofreram desgaste. As principais planícies no Brasil são a Planície Amazônica, Planície do  Pantanal e Planície Litorânea.

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Depressões

As depressões são formas rebaixadas em relação às áreas vizinhas. Em geral, possuem superfície aplainada e são resultado de longos processos erosivos. Um exemplo desse tipo de forma de relevo são as Depressões Marginais Norte e Sul-Amazônicas.

Relevo Brasileiro

O relevo brasileiro, assim como o do mundo inteiro, apresenta uma velocidade de transformação bastante baixa. Deste modo, pode-se dizer que, no geral, ele é praticamente o mesmo há milhares de anos. Os agentes externos que mais participam da formação do relevo brasileiro são o clima (temperatura, ventos, chuvas) e os rios.

A respeito dos estudos sobre o relevo brasileiro, destacam-se principalmente o de 3 autores: Aroldo de Azevedo, Aziz Ab’Saber e Jurandyr L.S. Ross.

Aroldo de Azevedo

Ao elaborar sua divisão (1949), o professor Aroldo de Azevedo dividiu o relevo brasileiro em planaltos e planícies, como mostra a Figura abaixo.

Classificação do Relevo Brasileiro por Aroldo de Azevedo em 1949.

Classificação do Relevo Brasileiro por Aroldo de Azevedo em 1949.

Para realizar essa classificação, o autor levou em conta principalmente as diferenças de altitude. Dessa forma, classificou-se como planícies as formas de relevo relativamente planas, com altitudes inferiores a 200 metros. Em contrapartida, os planaltos foram classificados como as partes de relevo cuja altitude superam 200 metros.

Com essa classificação, 59% do território brasileiro foi considerado planaltos e 41% planícies.

Aziz Ab’Saber

Durante a década seguinte, Aziz Ab’Saber aperfeiçoou a classificação anteriormente realizada, dando prioridade aos processos de formação do relevo, ou seja, às diferentes estruturas e aos mecanismos de esculturação.

Nesta divisão, as áreas cujo o processo de erosão apresenta predominância sobre o de sedimentação foram chamadas de planaltos. Em áreas em que ocorre o contrário - processo de sedimentação é maior que o de erosão - foram considerados planícies.

Classificação do Relevo Brasileiro por Aziz Ab’Saber em meados da década de 60.

Classificação do Relevo Brasileiro por Aziz Ab’Saber em meados da década de 60.

Jurandyr L. S. Ross

Com o avanço tecnológico, foi possível conhecer melhor as características do território brasileiro. Com auxílio dos estudos do professor Ab’Saber e das informações adquiridas por meio do projeto Radam (reconhecimento dos recursos naturais através de radar), Jurandyr L. S. Ross apresentou, em 1989, uma classificação dos relevos brasileiros bem mais detalhada, levando em consideração as estruturas e a influência de agentes climáticos antigos e atuais, na formação do relevo.

Classificação do Relevo Brasileiro por Jurandyr Ross em 1989.

Classificação do Relevo Brasileiro por Jurandyr Ross em 1989.

Nessa classificação, as unidades dos planaltos foram divididas de acordo com as estruturas que as sustentam:

  • Planaltos em bacias sedimentares;
  • Planaltos em intrusões e coberturas residuais de plataforma;
  • Planaltos em núcleos cristalinos arqueados;
  • Planaltos em cinturões orogênicos.

As depressões são formadas por longos processos erosivos, geralmente em regiões de menor resistência. O uso dessa forma de relevo é uma novidade em relação às classificações anteriores, entretanto, sua presença é bastante frequente no território brasileiro.


Exercícios

Exercício 1
(UFMS Adaptada/2007)

O relevo corresponde às formas assumidas pelo terreno após serem moldadas pela atuação de agentes internos e externos sobre a crosta terrestre. Sobre o relevo brasileiro, é correto afirmar:

(           ) Nunca houve atividade vulcânica no território brasileiro, considerando que não há nenhum vulcão em atividade.

(           ) Apresenta escudos cristalinos de formação rochosas antigas datadas do Pré-cambriano.

(           ) Em decorrência da pouca diversidade de formação geológica do território brasileiro, há um predomínio de planaltos e planícies.

(           ) Há pouca incidência de processos erosivos, considerando que o relevo brasileiro é, em sua maioria, de formação geológica antiga.

(           ) A distância do território brasileiro dos limites da placa tectônica Sul-Americana garante-lhe maior estabilidade geológica.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

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