Babilônios: história, Código de Hamurábi e legado da Babilônia
Publicado por Fábio Vieira | Última atualização: 13/10/2026Índice
Introdução
Os babilônios transformaram a cidade da Babilônia em um dos principais centros políticos e culturais da Mesopotâmia. Dois momentos merecem atenção: o reinado de Hamurábi, no século XVIII a.C., e o Império Neobabilônico, muitos séculos depois. Separar esses períodos ajuda a entender leis, religião, conquistas e o prestígio duradouro da cidade.
Em resumo:
- Hamurábi ampliou o primeiro Império Babilônico e reuniu decisões legais.
- O Código de Hamurábi refletia uma sociedade desigual e não criou a primeira lei.
- A Babilônia teve dois grandes períodos de projeção política.
- Astronomia, matemática, escrita e religião mesopotâmica floresceram na cidade.
Quem foram os babilônios?
Babilônios é o nome dado aos habitantes e grupos ligados à Babilônia, cidade situada junto ao Eufrates. No início do segundo milênio a.C., reis amoritas ampliaram seu poder. Hamurábi, que governou aproximadamente entre 1792 e 1750 a.C., conquistou cidades vizinhas e tornou a Babilônia capital de um reino extenso.
Após sua morte, o domínio perdeu força. Isso não encerrou a importância da cidade, que continuou como referência religiosa e intelectual. Para compreender essa primeira fase, consulte o primeiro Império da Babilônia.

O que fizeram os babilônios durante o governo de Hamurábi?
Hamurábi combinou campanhas militares, alianças, obras hidráulicas e administração. Ao controlar canais e cidades, procurou garantir produção agrícola e tributos. Cartas de seu reinado mostram decisões sobre funcionários, soldados e disputas. O poder não dependia só da força: também precisava se apresentar como protetor da ordem.
A reunião de leis na famosa estela fazia parte dessa imagem real. No topo, Hamurábi aparece diante de Shamash, divindade associada à justiça. A cena liga autoridade política e legitimação religiosa. Em uma questão, imagem e texto devem ser analisados juntos: a lei também comunica quem tem o direito de governar.
O que é o Código de Hamurábi?
O Código de Hamurábi é uma coleção de decisões e normas gravadas em uma estela. Ele trata de comércio, propriedade, família, trabalho, lesões e responsabilidades profissionais. Não foi o primeiro conjunto legal escrito conhecido; coleções anteriores existiram na Mesopotâmia. Também não funcionava como um código moderno aplicado de maneira idêntica a todos.
A expressão “olho por olho” resume a lei de talião, isto é, a ideia de proporcionalidade entre dano e punição. Porém, a pena dependia da posição social e do sexo das pessoas envolvidas. O documento revela tanto a busca por ordem quanto a desigualdade babilônica.
Como eram religião e cultura na Babilônia?
Os babilônios eram politeístas. Marduk tornou-se a principal divindade da cidade e ganhou destaque à medida que a Babilônia se fortaleceu. Templos eram centros de culto, propriedade e trabalho. Sacerdotes preservavam rituais e conhecimentos, enquanto escribas copiavam textos em cuneiforme.
Observações do céu ajudavam a organizar calendários e práticas divinatórias. Matemáticos babilônicos trabalharam com o sistema sexagesimal e resolveram problemas de medição e cálculo. Essas atividades tinham aplicações administrativas e religiosas. Para enxergar as continuidades, retome a página sobre cultura mesopotâmica.
O que foi o Império Neobabilônico?
Séculos depois de Hamurábi, uma dinastia caldeia derrotou o domínio assírio e iniciou o Império Neobabilônico, entre 626 e 539 a.C. Nabucodonosor II ampliou a cidade, realizou campanhas e conquistou Jerusalém. A deportação de parte da população de Judá ficou conhecida como Cativeiro Babilônico.
Essa fase é tema do artigo sobre Império Caldeu. Em 539 a.C., Ciro, rei persa, tomou a Babilônia. Atenção: Hamurábi e Nabucodonosor II não foram contemporâneos; entre seus reinados há mais de mil anos.
Como a Babilônia influenciou o mundo antigo?
A influência babilônica passou por redes de comércio, diplomacia, conquista e estudo. Textos literários, métodos matemáticos, registros astronômicos e tradições religiosas circularam por diferentes impérios. A cidade tornou-se símbolo de riqueza e poder, inclusive em narrativas produzidas por povos que viveram sob seu domínio.
Provas podem explorar essa memória de forma crítica. “Babilônia” pode indicar a cidade histórica, um império específico ou uma representação simbólica posterior. Examine a data e a autoria da fonte antes de responder. Isso impede que relatos de épocas diferentes sejam tratados como descrição direta do mesmo acontecimento.
Uma boa linha do tempo precisa deixar um grande intervalo entre Hamurábi e Nabucodonosor II. O primeiro pertence ao século XVIII a.C.; o segundo, ao século VI a.C. Entre eles, a Babilônia mudou de governantes, mas preservou prestígio. Esse intervalo impede que o Código de Hamurábi, o Cativeiro Babilônico e a conquista persa sejam colocados no mesmo reinado.
Para interpretar o Código, não julgue apenas se uma pena parece justa hoje. Pergunte que bem era protegido, quais grupos recebiam tratamento diferente e como o rei se apresentava. Depois compare com a ideia moderna de igualdade jurídica. A prova pode cobrar a distância histórica entre esses modelos, mas também o papel comum das leis na organização de conflitos e na comunicação da autoridade.
Em uma revisão final, associe quatro documentos a quatro perguntas. A estela de Hamurábi informa sobre lei e hierarquia; uma tábua astronômica mostra observação e cálculo; uma planta urbana revela monumentalidade; e um relato sobre conquista pode expressar a memória de outro povo. Nenhuma fonte fala sozinha. Data, autoria e finalidade definem o que ela permite concluir. Esse método também ajuda a distinguir a Babilônia histórica de imagens simbólicas construídas muitos séculos depois.
Exercício de fixação sobre os babilônios
Questão autoral inspirada no estilo do Enem.
As penas diferentes previstas na estela de Hamurábi, conforme a posição das pessoas envolvidas, revelam uma sociedade
- sem autoridades políticas e religiosas.
- baseada na igualdade jurídica moderna.
- hierarquizada, cuja justiça distinguia grupos sociais.
- governada exclusivamente por assembleias populares.
Gabarito:
C. O documento organizava conflitos, mas refletia diferenças de status. Por isso, não deve ser apresentado como declaração de igualdade perante a lei.
Como organizar o estudo dos babilônios?
Separe o reinado de Hamurábi do Império Neobabilônico. No primeiro, destaque unificação e legislação; no segundo, expansão caldeia, Nabucodonosor II e conquista persa. Relacione sempre lei, hierarquia e legitimação religiosa, em vez de decorar apenas a fórmula “olho por olho”.
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