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Literatura

A Escrava Isaura

Alanis Zambrini
Publicado por Alanis Zambrini
Última atualização: 12/3/2019

Introdução

Características do livro

“A Escrava Isaura” é um romance escrito por Bernardo Guimarães, publicado em 1875. Foi um livro muito polêmico em sua época, justamente por trazer o tema do abolicionismo misturado ao sentimentalismo, numa época em que a escravidão começava a ser questionada (afinal, a abolição da escravatura aconteceu somente em 1888). 

A obra fez com que seu autor ficasse muito famoso, e foi muito popular, principalmente, entre o público feminino, pois as mulheres sentiam compaixão pela personagem principal.

Além disso, é importante sabermos que “A Escrava Isaura” pertence à segunda geração do romantismo, apesar de tratar de um tema mais realista, pois traz consigo muita idealização das personagens, um grande sentimentalismo e uma visão maniqueísta (não há profundidade psicológica, pois quem é mau é apenas mau, e quem é bom é completamente bom).

Resumo da obra

“A Escrava Isaura” é um romance narrado em terceira pessoa, por um narrador onisciente e onipresente. Na obra, temos a história de Isaura, a protagonista, que é uma escrava branca extremamente bonita, filha de Miguel (um português branco) e uma escrava negra.

Isaura trabalha para o comendador Almeida, e foi criada, desde muito criança, pela mulher do comendador, que sempre tentou lhe dar a melhor educação e pretendia libertar a menina da escravidão. Com isso, Isaura acabou aprendendo muitas coisas que apenas mulheres nobres podiam aprender, como ler e escrever, tocar piano e falar outras línguas.

Depois de um certo tempo, o comendador resolve se aposentar e a se mudar para a corte do Rio de Janeiro, deixando sua fazenda para o seu filho, Leôncio, que era casado com Malvina, mas era muito apaixonado por Isaura. 

Em meio a todas essas mudanças, a mulher do comendador acaba morrendo de repente, não deixando nenhuma carta ou documento que pudesse livrar Isaura da escravidão. Assim, com a morte de sua patroa, a moça passa a pertencer a Leôncio, e vira sua escrava.

Depois desses acontecimentos, ficamos sabendo que vários homens da fazenda estão apaixonados por Isaura, principalmente por sua beleza e seu jeito delicado e doce. Entre eles estão Belchior, o jardineiro, e Henrique, cunhado de Leôncio. Porém, todos acabam se frustrando, pois Isaura deixa muito claro que iria se entregar a um homem somente por amor.

Assim, passado um tempo, o próprio comendador acaba falecendo, o que leva Malvina a pressionar Leôncio a libertar Isaura, já que seus dois antigos patrões estavam mortos (o comendador e sua mulher). Porém, Leôncio não quer libertar a moça, pois deseja tê-la para si, já que é muito apaixonado por ela.

Isaura, porém, sempre recusa os flertes de Leôncio, que, frustrado, decide forçá-la a ficar com ele, castigando-a e fazendo a moça dormir na senzala e trabalhar mais pesado.

Em meio a toda essa confusão, Miguel, pai de Isaura, consegue reunir a quantia necessária para libertá-la. Contudo, Leôncio não aceita o dinheiro, e decide manter Isaura consigo, fazendo com que Malvina ficasse indignada e voltasse para a casa de seus pais.

Com isso, Miguel decide fugir com a filha para Recife, pois viu os tormentos que ela estava passando por causa de Leôncio.

Em Recife, os dois conseguem uma vida livre, pois trocam seus nomes (Isaura troca o seu nome para Elvira, enquanto Miguel troca o seu por Anselmo) e mudam para uma casa nova. Lá, Isaura conhece Álvaro, um rapaz muito bonito, rico, abolicionista e republicano. Os dois começam logo a se conhecer melhor, e vão se apaixonando um pelo outro.

Certa noite, Álvaro convida Isaura para um baile que haveria na cidade, e a jovem acaba aceitando o convite. Porém, no baile, sua identidade é revelada, e ela assume para todos que é uma escrava fugida. Álvaro, apesar de tudo, defende a moça, e continua apaixonado por ela.

Em meio a isso, Leôncio descobre onde Isaura está, e a leva de volta junto com seu pai, condenando-os a ficarem presos na fazenda, e a não terem contato com ninguém de fora.

Apesar disso, o final de “A Escrava Isaura” é feliz: Álvaro parte em busca de Isaura, e descobre que Leôncio estava falindo. Assim, o rapaz compra as dívidas do antigo proprietário e, deste modo, todos os bens de Leôncio passam a ser de Álvaro, inclusive sua amada Isaura. O vilão Leôncio, ao se ver nesta situação, acaba suicidando-se, nunca mais atormentando Isaura.

Personagens principais

  • Isaura: escrava de pele branca, é a protagonista de “A Escrava Isaura”. Foi criada como filha pela família que a possuía, porém, com a morte de seus antigos patrões, fica a mercê das crueldades de Leôncio.  
  • Leôncio: com a morte dos pais, se torna o dono de Isaura. É casado com Malvina, porém, é apaixonado pela escrava. É o vilão da obra, pois atormenta Isaura com suas investidas e não quer libertar a moça, fazendo de tudo para tê-la somente para si.
  • Álvaro: homem rico, abolicionista e republicano, que acaba se apaixonando por Isaura em Recife. No final, pretende libertar a moça e se casar com ela, depois de tê-la comprado de Leôncio.
  • Miguel: Pai de Isaura, é um feitor português humilde.
  • Belchior: jardineiro da casa que também é apaixonado por Isaura. 

Malvina: Esposa de Leôncio, simpatizava com Isaura, mas depois que percebe as intenções do marido, acaba voltando para a casa de seus pais.


Exercícios

Exercício 1
(PUCCAMP)

 Texto crítico:

"Embora seja importante indagar das razões por que público brasileiro dos anos de 1870 avidamente leu e com entusiasmo aplaudiu "A Escrava Isaura", razões que encontram o principal motivo em onda então crescente de sentimento abolicionista – convenhamos em que muito mais importante o comportamento desse público é, para a crítica, a natureza desse romance.

Mesmo lido com simpatia, "A Escrava Isaura" não resiste à crítica. Seu enredo resulta em ser inverossímel, tais e tantos são os expedientes primários do Autor, usados para conduzir por determinados caminhos e para desenlace preestabelecido: em freqüentes ex-abruptos, mudam os sentimentos dos protagonistas com relação à bela e desditosa Isaura, e assim de protetores se transformam de pronto em pérfidos algozes, servindo à linha dramática premeditada pelo ficcionistas; não menos precipitada e artificialmente se engendram e desenrolam as situações ou episódios concebidos sempre com a intenção de marcar "passus" da vida "crucis" da desgraçada heroína, que, por fim, mais arrastada pelo autor que pelas forças do drama que vive, encontra no alto do seu calvário, ao invés do sacrifício final (o que teria dado ao romance verossimilhança e força), a salvação e a felicidade de extrema.

Tão primário e artificial quanto enredo que domina a obra, dando-lhe típica estrutura novelesca ou romanesca, é, não digo a concepção, mas o modo de conduzir personagens: Isaura, Malvina, Rosa, Leôncio, Álvaro, Belchior, André, o Dr. Geraldo, Martim e Miguel, se têm peculiaridades físicas e morais que os caracterizam suficientemente e os individualizam na galeria das personagens da ficção romântica, se ocupam posições bem "marcadas" no palco dos acontecimentos, decomposto em dois cenários (uma fazenda de café da Baixada Fluminense e o Recife), não chegam contudo, a receber suficiente estofo psicológico: daí a impressão que deixam, não apenas de símbolos dramáticos quase vazios, senão que também títeres (vá lá a cansada imagem) conduzidos pelo autor, para esta ou aquela ação indispensável, a seu ver, às suas principais intenções" (Antônio Soares Amora, "O Romantismo", vol. II da A Literatura Brasileira).

Segundo o texto:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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