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Literatura

Morte e vida Severina

Laisa Ribeiro
Publicado por Laisa Ribeiro
Última atualização: 13/9/2018

Introdução

“Somos muitos Severinos, iguais em tudo na vida: na mesma cabeça grande que a custo é que se equilibra.”

Conhece esses versos? Eles são considerados um dos mais bonitos e importantes da literatura brasileira e fazem parte de Morte e vida Severina, do poeta João Cabral de Melo Neto.

Obra

Morte e vida Severina foi a obra-prima de João Cabral de Melo Neto, escrita entre 1954 a 1955. Criada como um poema dramático, a obra pode ser encenada; inclusive o objetivo do autor era que sua encenação ocorresse durante o período do Natal, como um auto de teor regionalista, uma vez que fala sobre os problemas pelos quais o Nordeste brasileiro passava.

A obra foi traduzida para diversos idiomas e consagrou João Cabral de Melo Neto. Além disso, ela foi adaptada para a televisão, para o cinema, para o teatro e até em forma de animação.

Quem foi João Cabral de Melo Neto?

João foi o poeta mais importante da geração de 45. Influenciado por Drummond e Murilo Mendes, logo achou sua voz única. Devido à sua formação de engenheiro, colocou toda a precisão de um estudante de exatas em sua poesia. Sua obra era seca e objetiva. Não havia floreios, apenas o que precisava ser dito.

Pernambucano, ele conhecia muito bem os problemas pelos quais o Nordeste brasileiro passava e dedicou diversos livros a falar sobre a miséria e a opressão as quais os moradores do local vivenciavam.

Solo do sertão nordestino sobre o qual o poeta escreve.Seca do solo do sertão nordestino

Enredo

Morte e vida Severina mostra ao leitor o personagem Severino, um retirante nordestino. Perceba como o título coloca a palavra “morte” antes de “vida”, mostrando como é mais fácil morrer do que viver na miséria em que ele vivia.

O enredo mostra Severino deixando o sertão rumo ao litoral, em busca de uma vida melhor. No caminho, ele vai encontrando outros moradores do sertão nordestino que, como ele, também estão sofrendo diante do esquecimento que o local recebe do Estado e das autoridades, principalmente a população pobre.

O poeta mostra e critica diversas situações, como as injustiças do povo, o solo rachado e a forma como os latifundiários mandam matar os sertanejos.Severino percebe que a Morte é a única que lucra naquele lugar.

Pensando em se suicidar no Rio Capibaribe, ele é impedido pelo carpinteiro José, que lhe conta que seu filho está nascendo. Aqui, começam as referências bíblicas e o motivo pelo qual a peça é tão propícia a ser encenada durante o Natal.

O verso a seguir mostra como todos no sertão compartilham a mesma sina, a mesma situação e, às vezes, até o mesmo nome:

"O meu nome é Severino, como não tenho outro de pia. Como há muitos Severinos, que é santo de romaria, deram então de me chamar Severino de Maria como há muitos Severinos com mães chamadas Maria, fiquei sendo o da Maria do finado Zacarias."

Morte matada ou morte morrida?

"E foi morrida essa morte,

irmãos das almas,

essa foi morte morrida

ou foi matada?"

Em uma importante cena, uma das personagens comenta sobre a diferença da morte matada e da morte morrida. Naquele contexto, a morte matada significaria um assassinato, uma morte por revólver. Aqui, o poeta faz uma crítica às diversas formas como as pessoas pobres do sertão nordestino são assassinadas por latifundiários ricos e pela violência.

A morte morrida seria a morte natural, ocorrida até mesmo por causa da fome, uma vez que a miséria é uma realidade implacável no sertão. Sem o auxílio do Estado, muitos muitos morriam precocemente nessa situação. O autor chega a dizer que até mesmo os que não nasceram já sofriam com a fome.

Conclusão

Morte e vida Severina se mostra extremamente importante e, infelizmente, muito atual, quando se pensa na forma como o Estado ainda mantém diversas regiões do país em estado de esquecimento e negligência. Por meio dos versos objetivos e extremamente ritmados, o leitor tem uma experiência única ao ler o poema dramático de João Cabral de Melo Neto.


Exercícios

Exercício 1
(Enem/2011)

Morte e vida Severina

Somos muitos Severinos

iguais em tudo na vida:

na mesma cabeça grande

que a custo é que se equilibra,

no mesmo ventre crescido

sobre as mesmas pernas finas,

e iguais também porque o sangue

que usamos tem pouca tinta.

E se somos Severinos

iguais em tudo na vida,

morremos de morte igual,

mesma morte Severina:

que é a morte de que se morre

de velhice antes dos trinta,

de emboscada antes dos vinte,

de fome um pouco por dia.

MELO NETO, J. C. Obra completa. Rio Janeiro: Nova Aguilar, 1994 (fragmento).

Nesse fragmento, parte de um auto de Natal, o poeta retrata uma situação marcada pela:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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