
Crescer na carreira também exige mudar o jeito de trabalhar
| 29/09/26Insights da B55 Conference mostram como desenvolver competências, ouvir feedbacks e melhorar a colaboração pode ajudar na evolução da carreira.
Longe da visão romantizada de startups, painel com fundadores de Nubank, XP, Stone e B55 cobra planejamento estratégico de longo prazo e adverte: a meta do empreendedor é chegar vivo daqui a 50 anos
Em resumo:
O painel de abertura da primeira edição do B55 Conference, evento voltado ao empreendedorismo realizado pelo Instituto B55, reuniu os fundadores da instituição e mais de 3 mil empresários na manhã desta terça-feira (29) para debater cultura organizacional e liderança.
Durante a apresentação, conduzida por Guilherme Benchimol (da XP), Andre Street (da Stone), Cristhiano Faé (CEO da B55) e David Vélez (do Nubank), os líderes compartilharam as dores reais de escalar negócios no Brasil, desmistificaram o glamour da jornada empreendedora e destacaram a importância de investimento responsável aliado à formação de “super times”.

Com direito à casa cheia, os fundadores do Instituto B55 subiram ao palco para abrir a série de palestras com o tema “construindo negócios que mudam mercados“.
Em conjunto, os líderes levaram o público a refletir sobre os desafios de gerenciar um negócio. A tônica foi desconstruir a romantização criada sobre o tema, bem como as promessas de inovação e sucesso imediato.
“A jornada é dura, é desafiadora muitas vezes, tem pressão, mas você tem que gostar dela porque a somatória disso vai te permitir ter uma empresa sólida ao longo de muitos anos”, ressaltou Guilherme Benchimol.
Após o choque de realidade, as discussões se voltaram para as metodologias de sobrevivência financeira e a principal advertência foi sobre a dispersão de foco.
Os líderes alertaram que empreendedores, por natureza, são criativos e tendem a querer abraçar múltiplas frentes, o que costuma inviabilizar o negócio.
A recomendação foi clara: é preciso ter disciplina para dizer “não” ao brilho do dia a dia e focar em fazer apenas uma coisa.
“O Brasil é um lugar de dinheiro caro. Então você precisa ser muito cuidadoso, cauteloso, ao alocar capital”, alertou André Street, cravando que a missão primordial de quem está à frente de um negócio é garantir o caixa para “chegar vivo daqui a 50 anos”.
Ao longo do debate, André Street também aprofundou a visão sobre cultura organizacional, defendendo que ela deve ser documentada logo nos primeiros meses da empresa.
Para que essa cultura se mantenha viva, o recrutamento precisa operar com uma régua criteriosa, em busca de uma verdadeira “diversidade psicológica”.
O alerta foi para que os empresários parem de contratar “clones”, pessoas com perfis idênticos. “A coisa mais importante que tem na sua empresa são as pessoas que vão servir os seus clientes”, pontuou Street.
Com a equipe formada, o debate se voltou à meritocracia autêntica. Os executivos alertaram que a avaliação de um funcionário não pode ser baseada apenas em números. É preciso usar uma “dupla régua”: checar a entrega de resultados e, simultaneamente, o comportamento.
Para eles, essa trava serve para impedir a ascensão dos chamados “brilhantes tóxicos” — profissionais que alcançam metas financeiras, mas que corroem o ambiente de trabalho e destroem a cultura do time.
Os líderes também lembraram que muitos gestores evitam demitir colaboradores por um “histórico de lealdade emocional”. Na hora de desligar quem não se adequa, a orientação foi despersonalizar a decisão.

No último bloco, a plateia foi convidada a responder intimamente a uma pergunta: “Você recontrataria todos os seus liderados hoje?”.
Um dado revelado no evento apontou que, na média global, apenas 50% dos líderes dizem “sim” a essa questão, escancarando a falta de alinhamento nas equipes.
Para corrigir o rumo, os fundadores indicam que o líder precisa deixar de ser um mero operador e evoluir para um “construtor de times”, realocando grande parte do seu tempo para rituais de pessoas, feedback e gestão.
Por fim, David Vélez reforçou que a jornada exige saber ouvir o mercado com pensamento crítico, mas ter a convicção de ignorar conselhos convencionais quando o contexto muda.
Para encerrar a manhã com inspiração e mostrar que a dureza do processo vale a pena, Vélez deixou sua definição final sobre o que é estar no comando:
“Você só se transforma em líder se você é capaz de fazer o seu time acreditar em coisas impossíveis e depois você chegar lá”.
Ao longo deste primeiro dia do evento, outros destaques serão:
A B55 Conference ocorre nos dias 29 e 30 de setembro.
Empreender no Brasil exige mais do que promessas milagrosas: exige método, execução prática e troca direta entre quem está na arena.
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Insights da B55 Conference mostram como desenvolver competências, ouvir feedbacks e melhorar a colaboração pode ajudar na evolução da carreira.

Longe da visão romantizada de startups, painel com fundadores de Nubank, XP, Stone e B55 cobra planejamento estratégico de longo prazo e adverte: a meta do empreendedor é chegar vivo daqui a 50 anos

Primeira edição do B55 Conference, focado em empreendedorismo, deverá receber mais de 3 mil empresários no Suhai Music Hall, em São Paulo.