
Orçamento departamental: como montar o plano anual da área
| 04/11/26Aprenda a montar o orçamento anual da área com metas, histórico, premissas, custos recorrentes, iniciativas, prioridades e cenário de corte.
Entenda como a diversidade demográfica e cognitiva influencia o desempenho das equipes e veja o que pesquisas revelam sobre inclusão e gestão de projetos.
Em resumo:
Veja mais informações a seguir!
A diversidade nas organizações costuma ser discutida a partir de diferentes perspectivas. Enquanto algumas abordagens enfatizam seus benefícios, outras questionam sua influência sobre os resultados empresariais.
Entretanto, pesquisas sobre gestão e desempenho coletivo oferecem evidências importantes para compreender essa relação.
Um exemplo é o estudo publicado pela consultoria McKinsey em 2023, que analisou a relação entre diversidade na liderança e desempenho financeiro das empresas.
A pesquisa reuniu dados de mais de 1.200 organizações em 23 países, considerando um período de 15 anos.
Um dos principais resultados foi que empresas com maior diversidade de gênero nos cargos de liderança tinham 39% mais probabilidade de apresentar desempenho financeiro superior ao de seus concorrentes do que aquelas com menor diversidade.
Uma associação semelhante foi identificada na análise de diversidade étnica e cultural entre executivos.
É importante observar que esses resultados não comprovam uma relação direta de causa e efeito. Empresas com práticas de gestão mais desenvolvidas podem apresentar, simultaneamente, maior diversidade e melhores resultados financeiros.
Ainda assim, os dados indicam uma associação consistente entre diversidade na liderança e desempenho empresarial.
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A diversidade também é relevante para compreender como grupos trabalham juntos e resolvem problemas.
Em 2010, a pesquisadora Anita Woolley e seus colaboradores publicaram um estudo na revista científica Science sobre o conceito de inteligência coletiva.
A investigação procurou responder a uma questão: uma equipe possui uma capacidade geral de resolver problemas que vai além das habilidades individuais de seus integrantes?
Os resultados indicaram que sim.
Um dos aspectos mais interessantes foi a identificação de fatores associados à inteligência coletiva que não estavam diretamente relacionados ao nível de inteligência individual dos participantes.
Entre eles, destacaram-se:
Esses resultados ajudam a compreender que o desempenho de um grupo não depende apenas de reunir profissionais com excelentes competências individuais.
A maneira como as pessoas interagem também influencia a capacidade coletiva de analisar informações, discutir alternativas e encontrar soluções.
Para a gestão de projetos, a consequência é direta: reuniões dominadas por poucos participantes podem limitar a contribuição dos demais profissionais e reduzir a variedade de informações consideradas nas decisões.
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A diversidade nas equipes pode ser analisada por diferentes dimensões. Duas delas são especialmente relevantes para a gestão de projetos: a diversidade demográfica e a diversidade cognitiva.
Embora estejam relacionadas, elas não representam exatamente a mesma coisa.
A diversidade demográfica considera características sociais e de origem dos integrantes de uma equipe, como:
A presença de diferentes experiências de vida pode ampliar as perspectivas consideradas durante o planejamento e a execução de um projeto.
A diversidade cognitiva está relacionada às diferentes maneiras de pensar, interpretar informações e resolver problemas.
Uma equipe pode reunir profissionais com formações e experiências distintas, por exemplo:
Cada integrante observa o projeto a partir de uma perspectiva diferente.
Essa variedade pode ajudar a identificar problemas que passariam despercebidos em uma equipe com experiências muito semelhantes.
O pesquisador Bent Flyvbjerg, no livro How Big Things Get Done (2023), aborda a importância de considerar perspectivas externas e referências que ampliem a análise dos projetos.
A aplicação dessa lógica à composição das equipes ajuda a reduzir pontos cegos. Afinal, profissionais com experiências semelhantes podem compartilhar as mesmas premissas e deixar de questionar aspectos importantes do planejamento.
Em projetos complexos, a diversidade cognitiva contribui para ampliar as perguntas feitas antes de uma decisão e melhorar a análise das possíveis consequências.
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Nem sempre o gerente de projetos tem autonomia para contratar profissionais ou definir toda a composição de uma equipe. Em muitas organizações, essas decisões são responsabilidade do departamento de Recursos Humanos ou da alta gestão.
Isso não significa, porém, que o gestor não possa influenciar a diversidade de perspectivas durante o desenvolvimento do projeto.
Existem pelo menos três aspectos sob sua responsabilidade.
O gerente pode convidar profissionais de diferentes áreas para participar do projeto, considerando quais conhecimentos e experiências ainda não estão representados.
Dependendo da iniciativa, isso pode incluir representantes de:
A participação desses profissionais permite identificar necessidades e riscos que poderiam não ser percebidos pela equipe responsável pelo planejamento inicial.
Ter uma equipe diversificada no organograma não significa necessariamente que todas as perspectivas estejam presentes nas decisões importantes.
Em algumas organizações, os profissionais participam da execução, mas as definições estratégicas ficam concentradas em um grupo restrito de gestores.
O gerente de projetos pode reduzir esse problema ao identificar quais áreas precisam participar de cada decisão e garantir que seus representantes tenham espaço para apresentar análises e sugestões.
A participação precisa ser efetiva, não apenas formal.
Uma maneira de ampliar a qualidade das decisões é estimular a apresentação de argumentos contrários às propostas discutidas.
Essa prática se aproxima do conceito de premortem, popularizado pelo psicólogo e pesquisador Daniel Kahneman.
O exercício consiste em imaginar que um projeto ou uma decisão já fracassou e, a partir desse cenário, identificar quais fatores poderiam ter provocado o resultado negativo.
O gerente pode utilizar essa abordagem para incentivar os integrantes a questionar premissas, antecipar riscos e apresentar objeções.
Para funcionar, o contraponto precisa ser genuíno. Não basta escolher alguém para discordar por obrigação. É importante considerar profissionais com experiências e formas de raciocínio diferentes das predominantes no grupo.
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A adoção de políticas de diversidade não garante, por si só, mudanças positivas no desempenho organizacional.
Para que diferentes perspectivas contribuam efetivamente para os resultados, é necessário evitar algumas práticas recorrentes.
Treinamentos sobre vieses e diversidade podem contribuir para ampliar o conhecimento dos profissionais, mas não substituem mudanças nos processos de gestão.
Uma pesquisa de Frank Dobbin e Alexandra Kalev, publicada em 2016 na Harvard Business Review, analisou práticas de diversidade nas empresas e apontou limitações de treinamentos obrigatórios utilizados isoladamente.
Os pesquisadores destacaram a importância de medidas estruturais, como:
A mudança precisa fazer parte da estrutura organizacional, e não ficar restrita a ações pontuais.
A presença de profissionais com diferentes experiências e origens não significa que suas contribuições serão consideradas.
Quando integrantes de grupos sub-representados são constantemente ignorados ou têm suas opiniões desvalorizadas, a organização não aproveita o potencial da diversidade.
Esse cenário pode gerar desmotivação, sensação de isolamento e aumento da rotatividade.
Por isso, diversidade e inclusão precisam caminhar juntas. Não basta ampliar a representação: é necessário garantir condições para que todos participem das discussões e decisões.
Outro equívoco é tratar diversidade e competência profissional como critérios incompatíveis.
A diversidade não substitui conhecimentos técnicos, experiência ou qualificação. Ela amplia as perspectivas disponíveis dentro de uma equipe.
A seleção de profissionais deve considerar as competências necessárias para cada função, ao mesmo tempo que busca evitar critérios que limitem desnecessariamente a variedade de experiências e conhecimentos.
O objetivo é reunir pessoas qualificadas que também possam contribuir com diferentes formas de interpretar problemas e desenvolver soluções.
Por que algumas ideias nunca se transformam em projetos reais?
A diversidade nas equipes precisa ser considerada como parte da estratégia de gestão, e não apenas como uma característica da composição do quadro de funcionários.
Pesquisas sobre desempenho financeiro, inteligência coletiva e comportamento organizacional mostram que os resultados dependem também da maneira como os profissionais interagem e participam das decisões.
Para o gerente de projetos, isso significa observar não apenas quem integra a equipe, mas quais perspectivas estão efetivamente representadas no trabalho.
Antes de iniciar um projeto ou revisar sua estrutura, vale considerar três perguntas:
A diversidade produz melhores condições para a análise coletiva quando existe espaço para participação, questionamento e troca de conhecimentos.
O desafio da liderança não é simplesmente reunir profissionais diferentes, mas garantir que suas experiências e perspectivas contribuam efetivamente para as decisões. É dessa interação que pode surgir uma equipe mais preparada para lidar com problemas complexos, antecipar riscos e alcançar resultados consistentes.
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Mario H. Trentim é membro do Board of Directors do PMI, Reitor da Allevo Tech / Qeevo Group, doutorando do ITA e autor de 13 livros sobre gestão e execução estratégica.
Atua como conselheiro e conector estratégico em organizações em transformação.
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