O que fazer quando o CPI fica abaixo de 0,9?
Um CPI inferior a 0,9 pode ser adotado como um limite de alerta em determinados projetos, mas não existe um valor universal que determine, isoladamente, a necessidade de intervenção. O nível de tolerância deve considerar a criticidade da iniciativa, os critérios de governança e as regras de controle estabelecidas.
Um CPI de 0,85, por exemplo, indica que o projeto está gerando R$ 0,85 em valor orçado de trabalho para cada R$ 1 gasto.
Se esse desempenho persistir até o encerramento, o custo final poderá ficar significativamente acima do orçamento inicial. Em uma estimativa simplificada, considerando que o trabalho restante será executado com a mesma eficiência de custos, o orçamento necessário poderá chegar a aproximadamente 117,6% do valor originalmente previsto.
Isso representa um custo final cerca de 17,6% superior ao orçamento inicial. A projeção, contudo, depende das premissas utilizadas e deve ser revisada conforme as condições do projeto.
Quais ações o gerente de projetos deve tomar?
Ao identificar um CPI abaixo do limite de tolerância definido, o GP pode adotar quatro medidas:
- Identificar a origem dos desvios: analisar quais atividades ou pacotes de trabalho apresentam os piores resultados de custo.
- Avaliar a possibilidade de recuperação: verificar se o problema decorre de uma estimativa pontual, de mudanças no escopo ou de uma ineficiência recorrente.
- Revisar a estimativa de custo final: atualizar o Estimate at Completion (EAC), considerando o desempenho atual e as condições esperadas para o trabalho restante.
- Comunicar os riscos ao sponsor: apresentar os indicadores, os impactos financeiros estimados e as medidas corretivas propostas.
O objetivo não é apenas registrar o desvio, mas transformar os dados em decisões. Promessas genéricas de melhoria não substituem uma previsão de custos fundamentada e um plano de ação verificável.
Quando o Earned Value Management não compensa?
Embora o EVM ofereça uma visão integrada do desempenho, sua implementação exige planejamento estruturado, definição de uma linha de base e distribuição do orçamento entre atividades ou pacotes de trabalho.
Esses requisitos podem aumentar o esforço de acompanhamento em projetos menores ou com pouca complexidade.
Em iniciativas de baixo orçamento, curta duração ou escopo simples, um cronograma atualizado, indicadores de conclusão por entrega e controle de despesas por categoria podem oferecer visibilidade suficiente. A decisão de adotar o EVM deve considerar o custo de implantação e manutenção do método em relação aos benefícios esperados.
Em projetos de maior porte, longa duração ou com exigências contratuais de acompanhamento, o EVM tende a ser mais útil, especialmente quando a organização precisa consolidar informações de custo e cronograma para diferentes partes interessadas.
Mais importante do que estabelecer um limite financeiro fixo é avaliar a complexidade do projeto, a disponibilidade de dados confiáveis e o nível de controle necessário.
Como aplicar o EVM na prática?
A aplicação do Earned Value Management pode ser feita com ferramentas de gerenciamento de projetos ou mesmo com uma planilha. O essencial é manter os dados atualizados e utilizar uma linha de base consistente.
Microsoft Project e Power BI
O Microsoft Project oferece recursos de acompanhamento de custos e valor agregado, conforme a versão e a configuração utilizadas. Para isso, é necessário estruturar o cronograma, registrar os custos pertinentes e definir uma linha de base.
Os dados podem ser utilizados em relatórios e painéis de acompanhamento. Quando integrados a soluções de análise, como o Power BI, também podem apoiar a visualização de indicadores de desempenho em projetos e portfólios.
Planilha Excel
Para equipes que não utilizam ferramentas especializadas, uma planilha pode ser suficiente para começar. Uma estrutura básica deve incluir:
- Pacote de trabalho ou atividade.
- Valor Planejado (PV).
- Valor Agregado (EV).
- Custo Real (AC).
- Índice de Desempenho de Prazo (SPI).
- Índice de Desempenho de Custo (CPI).
- Data de referência da análise.
Com essas informações, o gerente de projetos pode acompanhar a evolução dos indicadores ao longo do tempo e identificar mudanças no desempenho.
Independentemente da ferramenta, a qualidade da análise depende da consistência das estimativas, da atualização dos custos e da medição objetiva do trabalho concluído.
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