
Mesário tem direito a folga? Entenda as regras das Eleições 2026
| 11/09/26Saiba quais são os direitos do mesário nas Eleições 2026, incluindo folgas, auxílio-alimentação e concursos.
Vírus raro já deixou mortos em embarcação internacional e colocou autoridades de saúde de vários países em alerta
Em resumo:
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O surto de hantavírus registrado em um navio de cruzeiro internacional colocou autoridades sanitárias em alerta e reacendeu discussões sobre vírus emergentes monitorados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Até esta terça-feira (12), 11 casos de hantavírus foram confirmados entre passageiros da embarcação MV Hondius, que saiu da Argentina e seguia rumo a Cabo Verde. Três pessoas morreram.
O caso chamou atenção internacional pelo contexto incomum do surto: passageiros de diferentes nacionalidades, circulação entre países e suspeitas envolvendo possíveis contatos fora do navio.
“Os hantavírus estão associados a exposições em áreas rurais, onde ocorre a presença de roedores silvestres. Um surto em um navio chama atenção porque envolve um ambiente fechado, incomum para manutenção do vírus e dos roedores silvestres”, explica o professor e especialista em vírus emergentes da Universidade de São Paulo (USP), Jansen de Araujo.

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Segundo a OMS, a situação segue sob monitoramento internacional, embora o risco de disseminação em larga escala seja considerado baixo até o momento.
Além dos casos confirmados entre passageiros do cruzeiro, autoridades da França, Holanda, Singapura e Estados Unidos também passaram a monitorar pessoas com sintomas suspeitos ou que tiveram contato próximo com infectados.
A OMS informou que acompanha o rastreamento internacional de contatos para tentar limitar novas transmissões, especialmente devido ao longo período de incubação do vírus.
“Em surtos envolvendo vírus emergentes como hantavírus, especialmente em contextos incomuns, o monitoramento é essencial para avaliar risco global, detectar rapidamente novos casos e evitar desinformação. Além disso, nesse caso, eventos em navios envolvem passageiros de diferentes países, o que exige coordenação internacional de vigilância”, reforça Araujo.
De acordo com o Ministério da Saúde, o hantavírus é um vírus da família Hantaviridae que causa a hantavirose, uma zoonose viral aguda transmitida principalmente por roedores silvestres infectados.
No Brasil, a doença costuma se manifestar na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), considerada a forma mais grave da infecção.
Os roedores podem carregar o vírus por toda a vida sem apresentar sintomas e eliminam partículas virais pela urina, saliva e fezes.
O especialista em vírus emergentes da USP destaca que esse vírus é muito diferente do SARS-Cov-2, que a transmissão não é eficiente entre pessoas, e que esse vírus já está causando infecções desde 1951 na região oriental, onde foi, inclusive, descoberto.
De acordo com o livro Microbiologia – Trabulsi (7ª edição), os hantavírus surgiram na década de 1950 e ficaram inicialmente conhecidos como “Febre Hemorrágica da Coreia”, após causarem mortes de soldados americanos durante a Guerra da Coreia.
O agente etiológico, porém, só foi identificado em 1978 em um roedor silvestre da espécie Apodemus agrarius. O vírus recebeu o nome de “Hantaan” em referência ao rio Han e ao vale Taan, região próxima à fronteira entre as duas Coreias onde a infecção era endêmica.
A obra também destaca que a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SPCVH) foi descrita pela primeira vez em 1993, nos Estados Unidos, quando pesquisadores identificaram que hantavírus americanos também causavam doença em humanos. Esse vírus foi chamado de “Sin Nombre”.
Desde então, casos passaram a ser registrados em diferentes países das Américas. Os primeiros casos clínicos brasileiros da síndrome foram identificados em 1993 pelo Instituto Adolfo Lutz, no município de Juquitiba, em São Paulo.
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Segundo o Ministério da Saúde, a principal forma de infecção ocorre pela inalação de aerossóis contaminados formados a partir das excretas de roedores infectados. Outras formas de transmissão incluem:
Há ainda registros raros de transmissão entre humanos associados ao hantavírus Andes, identificados principalmente na Argentina e no Chile.
O período de incubação pode variar bastante: de três dias até 60 dias, com média entre uma e cinco semanas.
Na fase inicial, a doença pode provocar sintomas parecidos com outras infecções virais, o que dificulta o diagnóstico rápido. Entre os sintomas mais comuns estão:
Nos casos mais graves, a hantavirose pode evoluir rapidamente para comprometimento pulmonar e cardiovascular.
“A gravidade da hantavirose depende de múltiplos fatores. Existem diferenças relacionadas à cepa viral, à carga de exposição e também à resposta imunológica de cada um”, esclarece o professor da USP.
Em casos mais graves, os pacientes podem apresentar:
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Ainda segundo o Ministério da Saúde, não existe tratamento específico contra o hantavírus. O atendimento é baseado em medidas de suporte, com monitoramento intensivo dos sintomas e suporte respiratório e cardiovascular em casos graves.
Dependendo da evolução clínica, alguns pacientes podem precisar de:
Por causa da rápida evolução da doença, o diagnóstico precoce é considerado fundamental para reduzir o risco de morte.
O Brasil registra casos de hantavirose desde 1993, quando ocorreu a primeira confirmação da doença no município de Juquitiba, no interior de São Paulo. Desde então, diferentes variantes do vírus passaram a ser identificadas em regiões rurais e áreas de expansão agrícola do país.
Segundo o Ministério da Saúde, a hantavirose é registrada em todas as regiões do Brasil, mas os maiores índices de casos confirmados se concentram nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Ainda de acordo com o órgão, as infecções ocorrem principalmente em áreas rurais e estão frequentemente associadas a atividades agrícolas e ao contato com ambientes infestados por roedores silvestres.
O Ministério da Saúde também aponta que homens entre 20 e 39 anos representam o grupo mais afetado pela doença, cuja taxa média de letalidade no país chega a 46,5%.
No site oficial do órgão, também é possível ver um boletim epidemiológico. Os dados mostram que o Brasil registrou 341 óbitos confirmados por hantavirose entre 2013 e 2026. O maior número de mortes foi registrado em 2013, com 58 óbitos, seguido por 2016, com 46. Nos anos seguintes, houve tendência de redução. Em 2025, por exemplo, foram contabilizados 15 óbitos até a última atualização, enquanto 2026 registrava uma morte confirmada até abril.
Surtos envolvendo hantavírus chamam atenção por envolverem vírus emergentes com potencial de rápida evolução clínica. Outro fator de preocupação é a relação entre o aumento de casos e mudanças ambientais.
Segundo o Ministério da Saúde, fatores como desmatamento, expansão urbana sobre áreas rurais e crescimento de regiões agrícolas favorecem o aumento da população de roedores silvestres e ampliam o contato humano com os reservatórios do vírus.
Araujo reconhece que momentos como esse podem gerar alarde na população: “como passamos por uma pandemia do coronavírus, a memória recente desperta o terror em qualquer lugar do planeta, quando se trata de uma doença viral, pouco divulgada”.
Apesar do alerta internacional, a OMS reforçou que o cenário atual é diferente do observado na pandemia de Covid-19 e que não há indícios de uma nova emergência sanitária global neste momento.
O professor Jansen de Araujo vai ao encontro dessa visão: para ele, vigilância não significa necessariamente risco iminente de uma nova pandemia. O especialista reforça que o papel da vigilância é justamente detectar precocemente situações incomuns e permitir respostas rápidas das autoridades de saúde.
“Quando a comunicação é baseada em evidências científica e contextualizada, reduz-se o espaço para alarmismo e desinformação”, reforça o especialista.
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