O repertório da redação do Enem vai além de teóricos: podem ser citados filmes, músicas, séries, fatos históricos e obras literárias, desde que tenham relação direta com o tema.
As citações podem ser diretas, indiretas ou implícitas, e devem ser usadas de forma natural, coerente e sempre conectadas à tese defendida no texto.
O segredo é integrar bem o repertório à argumentação, utilizando estruturas que tornem a citação parte do raciocínio.
Saiba mais abaixo!
Faltando pouco para o Enem 2025, cresce a expectativa entre os candidatos e, junto com ela, as dúvidas sobre a redação, uma das partes mais importantes e decisivas da prova.
A nota obtida no texto tem um peso significativo no resultado final e pode ser o diferencial para conquistar uma vaga no ensino superior. Por isso, dominar a estrutura da redação e saber como e o que citar é essencial.
A seguir, confira o que pode ser usado como citação na redação do Enem e como fazer citações corretas e bem contextualizadas para elevar sua pontuação.
Muitos estudantes ainda pensam que apenas filósofos e sociólogos podem ser citados no texto, mas o repertório que pode ser utilizado no Enem é muito mais amplo.
Isso porque o que realmente importa é a relevância e a coerência da citação em relação ao tema proposto, e não apenas o nome do autor mencionado.
Assim, um repertório sociocultural válido inclui referências de diversas áreas do conhecimento e da cultura, desde que sejam empregadas de forma contextual e crítica.
Veja exemplos do que pode ser citado na redação do Enem:
Frases, ideias e pensamentos de teóricos (como Karl Marx, Simone de Beauvoir, Paulo Freire, Hannah Arendt, Djamila Ribeiro, entre outros);
Referências literárias (obras de Machado de Assis, Clarice Lispector, George Orwell, Conceição Evaristo, entre outros);
Trechos de músicas (como letras de Chico Buarque, Elza Soares ou Emicida, quando relacionados ao tema);
Filmes e séries (por exemplo, “Black Mirror” em uma discussão sobre tecnologia ou “O Dilema das Redes” sobre redes sociais);
Eventos históricos e acontecimentos atuais, como a Revolução Industrial, a pandemia de Covid-19 ou debates sobre IA;
Documentos oficiais e legislações, como a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei Maria da Penha, Marco Civil da Internet e LGPD.
Reportagens e pesquisas acadêmicas (quando forem fontes reconhecidas).
O mais importante é que a citação faça sentido dentro da argumentação e contribua para a construção de uma análise crítica, em vez de apenas enfeitar o texto.
Saber o que citar é apenas o primeiro passo, o desafio está em como inserir a citação de forma natural e eficiente no texto.
O Enem não exige que as citações sejam literais nem que estejam entre aspas, desde que o estudante demonstre domínio do conteúdo e utilize o repertório de maneira autoral e pertinente.
Existem diferentes formas de fazer isso:
Citação direta: quando a frase é reproduzida exatamente como foi dita. Exemplo: Como afirmou o filósofo Jean-Paul Sartre, “o homem está condenado a ser livre”, expressão que reforça a responsabilidade individual diante das escolhas sociais.
Citação indireta (ou paráfrase): quando a ideia é reescrita com outras palavras. Exemplo: Segundo Simone de Beauvoir, a desigualdade entre homens e mulheres é fruto de construções sociais, o que mostra como a educação é fundamental para a mudança cultural.
Repertório implícito: quando o autor não é mencionado, mas o contexto faz referência a uma obra ou conceito. Exemplo: A distopia retratada na obra Admirável Mundo Novo ilustra o perigo da desumanização causada pelo excesso de controle tecnológico.
Além de autores clássicos, elementos da cultura pop também podem enriquecer a redação.
Em um tema sobre tecnologia e relações humanas, por exemplo, é possível citar o filme Her (2013), de Spike Jonze, que retrata a relação entre um homem e um sistema de inteligência artificial, levantando reflexões sobre solidão, dependência digital e os limites da interação humana com as máquinas.
O uso de repertórios contemporâneos demonstra repertório diversificado e leitura de mundo, critérios valorizados na competência II da correção do Enem.
Mais importante do que citar nomes e dados é integrar bem a referência ao argumento. A citação precisa dialogar com o que está sendo defendido, e não aparecer isolada no texto.
Para isso, é possível usar algumas estruturas prontas que ajudam a introduzir diferentes tipos de repertório de forma coesa e contextualizada:
Autor clássico: use quando quiser embasar um ponto de vista teórico. Exemplo: “Como defende Paulo Freire, a educação é um instrumento de emancipação; logo, políticas de letramento midiático são essenciais para formar cidadãos críticos.”
Dado oficial: serve para dar credibilidade e base factual à argumentação. Exemplo: “Segundo o artigo 6º da Constituição Federal, a alimentação é um direito social; portanto, cabe ao Estado garantir políticas que combatam a insegurança alimentar.”
Obra cultural: ideal para ilustrar um fenômeno social ou comportamental. Exemplo: “A representação da invisibilidade do trabalho doméstico em ‘Que Horas Ela Volta?‘ evidencia as falhas estruturais na promoção da igualdade social; assim, reforça-se a necessidade de políticas públicas mais inclusivas.”
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