Após meia hora do início da prova do primeiro dia do Enem 2024, o tema de redação foi divulgado. Nesta edição, os candidatos tiveram que fazer uma redação de até 30 linhas sobre o tema: “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil“.
No X (antigo Twitter), muitos usuários comentaram que o tema era muito atual, fácil de desenvolver, e até elogiaram a escolha do Inep, órgão responsável pela prova. No entanto, alguns admitiram que não teriam nem ideia do que escrever:
Mas afinal, o tema de redação do Enem 2024 estava difícil? Confira a opinião de professores e coordenadores e veja alguns repertórios que poderiam ser citados!
Na visão da professora de redação Camila Rodrigues, os candidatos não teriam problema com o grau de dificuldade do tema de redação, contudo, não é possível subestimar uma temática tão relevante e complexa atualmente..
“Imagino que possam ter certa facilidade em desenvolver o tema se levarmos em consideração o auxílio dos textos motivadores disponibilizados na prova. No entanto, é uma temática que deve ser refletida e discutida com o grau de importância e de complexidade que merece”, afirma.
A autora de Redação do Fibonacci Sistema de Ensino, Mara Coura Linhares, concorda e também esclarece que, na sua visão, o tema não estava difícil de ser trabalhado pelos alunos, uma vez que a valorização africana no país já é uma temática existente no currículo escolar quando se pensa na obrigação do ensino de história e cultura afro-brasileira.
“É um conteúdo que faz parte dos anos escolares se a gente pensar que a maioria dos alunos que fazem o Enem estão no final do ensino médio, então já tiveram durante todos esses anos conteúdos relacionados ao combate ao preconceito racial, ao racismo estrutural. É um tema que está ao alcance dos estudantes como repertório sociocultural”, analisa.
Para a coordenadora da equipe redação do Oficina do Estudante, Jéssica Dorta, o tema estava ‘super tranquilo’, inclusive, por ter reproduzido a mesma estrutura e lógica da proposta da edição de 2022.
“O tema “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil” certamente não trará dificuldades para os participantes que se prepararam para a prova, uma vez que se manteve coerente ao perfil já há anos delineado e, inclusive, reproduz a mesma estrutura e a mesma lógica da prova de 2022: “Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil”, salienta.
O professor de redação do Curso Anglo, Sérgio Paganim, também comenta que o tema possui diversas possibilidades de repertórios e aspectos históricos relacionados, o que de certa forma auxilia bastante na hora de discorrer sobre o assunto.
“Um tema moderno, um tema aparentemente acessível e um tema muito discutido, seja nas escolas, na imprensa e na sociedade moderna como um todo”, pontua.
O que dava para usar como repertório para o tema “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”?
Na visão do professor Sérgio, como esse é um tema em que os repertórios são abundantes, existem muitos pensadores e muitos aspectos atuais, históricos e sociológicos que podem contribuir.
“Exemplos claros são, citar “Casa-Grande & Senzala”, do Gilberto Freyre, para fazer a análise histórica ou mesmo o “Mito das Três Raças”, com Florestan Fernandes e Lilia Schwarcz, pra fazer a análise da herança e o porquê dessa herança não ser tão valorizada no presente”, explica.
A autora Mara Coura Linhares também exemplifica alguns repertórios que poderiam ter sido utilizados pelos candidatos, como a obra “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, em que o terreiro da mãe de santo sofreu retaliação, inclusive do próprio Estado.
“A mãe de santo pede ajuda aos Capitães da Areia para poder recuperar as imagens que foram apreendidas, e a gente observa então o próprio estado dificultando a valorização da herança africana”, analisa.
“Nós temos também a Angela Davis, filósofa, professora e ativista estadunidense, que fala que em uma sociedade racista não basta não ser racista é necessário ser anti-racista, isso demonstra que, para que haja a valorização da herança cultural africana, é preciso combater o racismo estrutural no Brasil primeiro”, reitera.
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