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Pós-graduação

A pós-graduação brasileira vale no exterior?

Descubra se o diploma de pós-graduação brasileiro tem validade internacional e veja como funciona a validação nos principais destinos

Em resumo:

  • A pós-graduação brasileira vale no exterior, mas o processo não é automático e exige revalidação de acordo com a legislação e os critérios educacionais de cada país.
  • O nível da formação muda o peso do diploma lá fora: cursos Stricto Sensu (Mestrados e Doutorados) possuem equivalência acadêmica global direta, enquanto os Lato Sensu (Especializações e MBAs) são equiparados a certificados de educação continuadal.
  • Embora as regras mudem conforme o destino, a legalização costuma exigir o Apostilamento de Haia no documento original e traduções juramentadas.

Construir uma carreira internacional é o grande objetivo de profissionais que buscam salários mais atrativos e o contato com novas culturas.

Em busca dessa meta, muitos candidatos investem, inclusive, em especializações, como forma de agregar valor ao currículo e se destacar nos mercados globais.

Porém, na hora de concorrer às vagas, uma dúvida decisiva costuma travar o processo: o diploma de pós-graduação brasileiro tem validade fora do país?

Já adiantamos que a resposta para essa questão não se resume a “sim” ou “não”. A Revista Quero explica, a seguir, como funciona o reconhecimento da pós-graduação brasileira no exterior e o que é necessário para legalizar a documentação.

A pós-graduação brasileira vale no exterior?

O diploma de pós-graduação brasileiro tem validade internacional?

Não existe um acordo global que torne um diploma brasileiro automaticamente válido em qualquer lugar do mundo.

Cada país possui a sua própria legislação educacional e os seus próprios critérios para reconhecer o ensino estrangeiro.

Na prática, isso significa que o seu certificado tem, sim, um mérito, mas precisa passar por um processo burocrático de validação caso você queira utilizá-lo para fins acadêmicos ou para atuar em profissões regulamentadas no exterior.

Diferença entre Lato Sensu e Stricto Sensu

O nível da sua pós-graduação muda a forma como o diploma é visto por instituições estrangeiras:

Stricto Sensu (Mestrado e Doutorado)

Por terem foco em pesquisa e com defesa de tese ou dissertação, esses cursos seguem um padrão acadêmico reconhecido globalmente.

O Mestrado brasileiro equivale diretamente ao Master’s Degree estrangeiro. Já o Doutorado é reconhecido como um Ph.D. (Doctor of Philosophy) ou Doctorate.

Lato Sensu (Especializações e MBAs)

Aqui é onde mora a maior diferença. No Brasil, esses cursos conferem o título de “especialista”.

Já no exterior, esses diplomas costumam ser traduzidos e equiparados a um Postgraduate Certificate (PGCert), a um Postgraduate Diploma (PGDip) ou a um certificado de educação continuada (Continuing Education).

Academicamente, eles não servem como pré-requisito para ingressar em programas acadêmicos avançados. Já no mercado de trabalho corporativo, são vistos como uma prova de que o candidato investe em aprimoramento profissional contínuo.

Como funciona a validação nos principais destinos?

Como não há uma regra única, a forma de legalizar e comprovar a sua formação muda dependendo do seu destino.

Veja como o processo ocorre em alguns dos países mais buscados pelos brasileiros:

Estados Unidos

Nos EUA, não existe um órgão único do governo responsável por revalidar diplomas estrangeiros.

O processo é descentralizado e feito por empresas privadas conhecidas como agências de Credential Evaluation Service (sendo a WES e a ECE as mais famosas).

Para validar o seu diploma, é preciso obter o Apostilamento de Haia (um selo de cartório brasileiro que atesta a autenticidade internacional) no documento original e providenciar a tradução juramentada para o inglês.

Dependendo da agência avaliadora, os documentos precisarão ser enviados diretamente pela instituição de ensino brasileira.

Portugal

Por conta dos acordos bilaterais e da facilidade do idioma, o processo em Portugal costuma ser mais centralizado e gerido pelo próprio governo, por meio da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES).

O pedido é feito de forma online e o país trabalha com três vias de reconhecimento: o Automático (para diplomas que já possuem equivalência direta tabelada), o de Nível (que compara o seu curso com um grau português, como Mestre ou Doutor) e o Específico (que analisa a grade curricular completa da sua área).

Como não existe equivalência direta no sistema europeu para a especialização brasileira, os cursos lato sensu geralmente não passam pelo processo formal de reconhecimento da DGES, sendo utilizados apenas como formação complementar.

Canadá

Se o seu plano é imigrar para o Canadá (especialmente por programas como o Express Entry), você precisará do Educational Credential Assessment (ECA).

Trata-se de um relatório exigido pelo governo canadense que prova que a sua formação estrangeira é válida e equivalente aos padrões do país.

Assim como nos EUA, você precisará de traduções juramentadas e deverá enviar a sua documentação acadêmica para organizações designadas pela imigração canadense (como a WES Canadá ou a Universidade de Toronto) para que elas emitam a equivalência.

Reino Unido

Para quem busca oportunidades na Inglaterra, Escócia, País de Gales ou Irlanda do Norte, o órgão oficial responsável pelo reconhecimento de qualificações internacionais é o Ecctis (que atua em nome do governo britânico).

O processo envolve o envio do seu diploma e histórico escolar para que a agência emita um documento chamado Statement of Comparability (Declaração de Comparabilidade).

Esse laudo oficial informa aos empregadores e às universidades locais a qual nível do sistema educacional do Reino Unido a sua especialização no Brasil corresponde.

Qual é o impacto da pós no mercado de trabalho internacional?

Um certificado de pós-graduação lato sensu feito no Brasil não é visto como um Master’s Degree (mestrado) nos Estados Unidos ou na Europa.

Para os recrutadores internacionais, esse título é interpretado como um certificado de educação continuada ou um diploma de aprimoramento profissional.

Isso não significa que ele não tenha valor — pelo contrário. Empresas em valorizam profissionais que praticam o lifelong learning (aprendizado contínuo).

Ter uma pós no currículo mostra ao empregador estrangeiro que você é proativo, focado na sua carreira e possui um conhecimento técnico atualizado e aprofundado na sua área.

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