A primeira eleição com urna eletrônica no Brasil aconteceu no ano de 1996. Nesta ocasião, o equipamento foi utilizado nas capitais e cidades com mais de 200 mil eleitores.
Foi apenas em 2000 que o país migrou para um modelo eleitoral totalmente informatizado.
A poucas semanas de uma nova eleição, milhões de brasileiros começam a resgatar, juntamente com o título de eleitor, as tradicionais dúvidas sobre a urna eletrônica.
O sistema de votação adotado desde 1996 em solo nacional é reconhecido como pioneiro em integração tecnológica, tornando o Brasil uma das poucas referências em apuração digital.
Para te manter bem informado sobre essa ferramenta que completa seu 30º ano nesta eleição, confira quando foi a primeira votação com urna eletrônica no Brasil e descubra como ela foi implementada.
Fábio Pozzebom/Agência Brasil
Como surgiu a ideia da urna eletrônica no Brasil?
Antes da tecnologia chegar às seções eleitorais o sistema de votação brasileiro era totalmente analógico e dependia exclusivamente de cédulas de papel impresso.
Essa contagem manual demorava dias para ser concluída e abria margem para erros durante a totalização dos votos em cada município.
Além da lentidão, o maior problema enfrentado pelo Tribunal Superior Eleitoral eram as fraudes relatadas por todo o país.
Casos de urnas de lona violadas e votos alterados na contagem eram manchetes frequentes a cada nova disputa política que acontecia.
Para garantir a verdadeira integridade da democracia a Justiça Eleitoral decidiu investir de forma definitiva em uma solução tecnológica, rápida e segura.
Quando aconteceu a primeira votação digital no país?
A estreia oficial da urna eletrônica brasileira aconteceu nas eleições municipais do ano de 1996.
Neste primeiro momento de teste a grande novidade tecnológica não chegou para todos os eleitores. O sistema foi implementado apenas nas capitais dos estados e nos municípios brasileiros que possuíam mais de 200 mil eleitores.
Com essa divisão, cerca de um terço do eleitorado nacional testou a tecnologia inédita na escolha de prefeitos e vereadores daquele ano.
O sucesso foi imediato e a velocidade da apuração surpreendeu tanto a população quanto os candidatos envolvidos no pleito.
Quem inventou a urna eletrônica brasileira?
Muitos cidadãos acreditam que a urna foi comprada pronta do exterior, mas ela é uma invenção genuinamente brasileira.
Todo o projeto de engenharia foi liderado pelo Tribunal Superior Eleitoral em parceria com os mais respeitados centros de pesquisa do país.
Especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e técnicos do Centro Técnico Aeroespacial uniram forças para desenvolver o equipamento.
Como foi o processo de transição do papel para o meio digital?
A migração do papel para o universo digital exigiu um planejamento estratégico e investimento governamental ao longo dos anos.
Após o sucesso na estreia de 1996 a meta do governo era expandir a tecnologia de forma gradual por todo o vasto território brasileiro.
Nas eleições do ano de 1998 a urna deu mais um passo e chegou a todos os municípios que possuíam mais de 40 mil eleitores registrados.
Foi apenas no ano 2000 que o Brasil finalmente realizou a sua primeira eleição municipal de forma totalmente informatizada.
Quais as diferenças entre a primeira urna e o modelo atual?
Apesar da essência de funcionamento do equipamento permanecer a mesma a tecnologia avançou de maneira exponencial ao longo das últimas décadas.
O modelo original de 1996 possuía componentes muito mais pesados e não contava com recursos de acessibilidade para os eleitores.
Hoje as máquinas contam com terminais modernos de biometria e baterias potentes que duram muito mais tempo sem energia na tomada.
Característica
Urna de 1996
Urnas Atuais (Modelo 2022)
Identificação
Assinatura no caderno de papel
Leitura biométrica da digital
Tela de exibição
Cristal líquido simples (LCD básico)
Tela colorida e de alta definição
Teclado
Físico com pouca ergonomia
Físico com excelente resposta tátil
Processamento
Lento e com baixa capacidade
Rápido, seguro e altamente criptografado
Como a urna eletrônica evita fraudes nas eleições?
O principal mecanismo de segurança da urna eletrônica brasileira é o seu isolamento completo de qualquer tipo de rede externa.
O equipamento não possui placa de rede, conexão com internet, bluetooth ou qualquer outro sistema de comunicação sem fio habilitado.
Isso impede completamente que hackers acessem o sistema de forma remota para alterar o código-fonte ou desviar o fluxo de votos.
Confira algumas das principais barreiras de proteção do nosso voto digital
Impressão da zerésima antes da votação provando que não há votos na máquina
Assinatura digital e criptografia pesada em todos os dados armazenados
Teste de integridade realizado com votos impressos no mesmo dia da eleição
Abertura do código-fonte para inspeção rigorosa de partidos e entidades civis
O Brasil é o único país a usar urnas eletrônicas?
Existe um mito muito popular de que apenas o Brasil adotou o voto digital, mas essa informação não procede.
Dezenas de países utilizam algum tipo de tecnologia eletrônica direta em seus processos eleitorais atualmente, incluindo a Índia, a França e os Estados Unidos.
A grande diferença é que o Brasil possui o maior sistema de votação eletrônica totalmente unificado e padronizado do planeta.
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