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SAFe 6.0: o que mudou no framework ágil e como aplicar nas empresas

O SAFe 6.0 ampliou o foco em agilidade de negócios, simplificou configurações e reforçou a gestão do fluxo de trabalho e a medição de resultados. Entenda as principais mudanças e seus impactos nas empresas.



Em resumo:

  • O SAFe 6.0 ampliou o conceito de Business Agility, com o objetivo de levar os princípios ágeis para além das equipes de tecnologia e desenvolvimento.
  • Entre as principais mudanças estão o destaque aos aceleradores de fluxo, a simplificação das configurações do framework e a maior atenção aos resultados de negócio.
  • Empresas que utilizam o SAFe podem incorporar as práticas da versão 6.0 gradualmente, enquanto profissionais certificados podem atualizar seus conhecimentos com os materiais oficiais.

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Mário Trentim ministra palestra sobre execução estratégica e apresenta conceitos da Hélice da Execução para líderes e gestores.
Em palestra, Mário Trentim apresenta a Hélice da Execução, framework criado para conectar estratégia, governança, gestão de valor e capacidade de entrega.

O SAFe (Scaled Agile Framework) é um framework que ajuda empresas a aplicar metodologias ágeis em larga escala. Seu objetivo é coordenar o trabalho de múltiplas equipes, conectando as atividades de desenvolvimento às prioridades estratégicas da organização.

Enquanto o Scrum pode atender às necessidades de uma equipe que trabalha em um produto específico, empresas com dezenas de times precisam alinhar prioridades, prazos, recursos e entregas. É nesse contexto que frameworks como SAFe e LeSS, além de modelos organizacionais inspirados no Spotify, são utilizados.

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O SAFe se diferencia por oferecer orientações estruturadas para coordenar equipes e alinhar a execução à estratégia corporativa. Essa característica pode ser útil em organizações de médio e grande porte que precisam conciliar práticas ágeis com processos de governança e planejamento.

A versão 6.0, lançada em 2023, reforçou a proposta de integrar agilidade, estratégia e resultados de negócio. As mudanças também buscaram tornar a adoção do framework mais clara e ampliar sua aplicação para diferentes áreas das empresas.

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Quais foram as principais mudanças do SAFe 6.0?

A versão 6.0 trouxe mudanças na abordagem da agilidade organizacional, na estrutura do framework e nas práticas de gestão do fluxo de trabalho. Entre os principais pontos estão:

1. Business Agility como foco da organização

Uma das principais direções do SAFe 6.0 é ampliar o conceito de Business Agility, ou agilidade de negócios.

A proposta é aplicar princípios ágeis para além das equipes de tecnologia, envolvendo áreas como Recursos Humanos, finanças e operações. Dessa forma, a agilidade deixa de ser tratada somente como uma prática de desenvolvimento de software e passa a orientar processos organizacionais mais amplos.

Na prática, essa abordagem busca aproximar as equipes responsáveis pela execução das áreas que definem prioridades, distribuem recursos e acompanham os resultados da empresa.

2. Simplificação das configurações do framework

O SAFe passou por ajustes em sua estrutura para facilitar a compreensão de suas configurações e orientar a adoção de acordo com as necessidades de cada organização.

A escolha da configuração adequada depende de fatores como o tamanho da empresa, a quantidade de equipes, a complexidade das soluções e a necessidade de coordenação entre diferentes áreas.

A intenção é tornar mais clara a definição de quais elementos do framework devem ser utilizados em cada contexto, evitando que as organizações adotem práticas desnecessárias para sua realidade.

3. Maior atenção ao fluxo contínuo de trabalho

O SAFe 6.0 reforçou a importância de identificar e remover obstáculos que prejudicam o fluxo de entrega de valor.

Nesse contexto, os Flow Accelerators, ou aceleradores de fluxo, reúnem práticas destinadas a reduzir atrasos, gargalos e dependências entre equipes.

A abordagem se relaciona aos princípios Lean, que buscam reduzir desperdícios e melhorar processos, e à Teoria das Restrições, que propõe identificar os principais fatores que limitam o desempenho de um sistema.

O objetivo é ajudar as organizações a entregar valor com mais previsibilidade, sem se limitar ao acompanhamento de tarefas individuais ou à velocidade de uma equipe isolada.

4. Foco em resultados de negócio e métricas de valor

Outra mudança importante é a ênfase na conexão entre o trabalho das equipes e os resultados esperados pela organização.

Em vez de avaliar o desempenho apenas pela quantidade de tarefas concluídas ou pela velocidade dos times, a proposta é considerar também os efeitos das entregas para clientes e para o negócio.

Nesse contexto, os OKRs (Objectives and Key Results, ou Objetivos e Resultados-Chave) podem ajudar a conectar objetivos estratégicos a resultados mensuráveis.

É importante distinguir dois conceitos:

  • Métricas de output: medem atividades e entregas realizadas, como funcionalidades desenvolvidas e tarefas concluídas.
  • Métricas de outcome: avaliam os resultados gerados, como melhoria na experiência do cliente, redução de custos ou aumento da conversão.

As métricas de atividade continuam sendo úteis para acompanhar o trabalho. A diferença está em complementá-las com indicadores que permitam avaliar se as entregas produziram os efeitos esperados.

+ Agile para PMEs: o que funciona na prática

O que o SAFe 6.0 muda na prática para as empresas?

Os impactos da versão 6.0 variam conforme o nível de maturidade ágil da organização e a forma como o framework já é utilizado.

Para empresas que adotam o SAFe, as mudanças podem orientar ajustes na gestão, no planejamento e na avaliação de resultados.

Para empresas que já utilizam o SAFe

Organizações que trabalham com o framework podem revisar seus processos para identificar oportunidades de melhoria no fluxo de entrega e na integração entre as áreas de negócio e tecnologia.

Entre as iniciativas possíveis estão:

  • Ampliar a participação de áreas não técnicas no planejamento e na execução da estratégia.
  • Identificar gargalos e dependências que atrasam as entregas.
  • Relacionar as prioridades das equipes aos objetivos estratégicos.
  • Complementar métricas de produtividade com indicadores de resultados para clientes e para o negócio.

A adoção dessas práticas não exige necessariamente uma mudança completa na estrutura organizacional. A empresa pode avaliar quais ajustes fazem sentido para seus processos e incorporá-los gradualmente.

Para empresas que estão considerando adotar o SAFe

Organizações que pretendem escalar suas práticas ágeis precisam avaliar a complexidade de suas operações antes de escolher um framework.

O SAFe pode ser uma alternativa para empresas que precisam coordenar várias equipes, alinhar prioridades entre departamentos e estabelecer mecanismos de planejamento em escala.

A adoção deve considerar a quantidade de times, as dependências entre projetos, os objetivos estratégicos e a capacidade de mudança da organização. O framework não substitui a necessidade de adaptar processos à realidade da empresa.

Para profissionais com certificação SAFe

Profissionais que já possuem certificações relacionadas ao framework podem aproveitar as mudanças para atualizar seus conhecimentos sobre agilidade organizacional, gestão de fluxo e métricas de resultados.

Entre as certificações associadas ao ecossistema SAFe estão SAFe Agilist (SA), SAFe Practice Consultant (SPC), Product Owner/Product Manager (POPM) e Release Train Engineer (RTE).

Quem obteve uma certificação em uma versão anterior deve consultar os materiais oficiais da Scaled Agile para verificar o conteúdo atualizado e eventuais requisitos de renovação. A validade e as condições de manutenção dependem da certificação específica.

+ Agile fora de TI: como aplicar metodologias ágeis em marketing, RH e educação

Como se preparar para trabalhar com frameworks ágeis?

O uso de frameworks como o SAFe exige conhecimentos que vão além da aplicação de cerimônias e ferramentas. Profissionais que atuam com agilidade em escala precisam compreender gestão de projetos, planejamento estratégico, indicadores de desempenho e coordenação de equipes multidisciplinares.

Também é importante desenvolver competências relacionadas à comunicação, à análise de dados e à identificação de gargalos nos processos de trabalho.

A atualização profissional pode envolver cursos, certificações, estudos de caso e aplicação prática dos conceitos em projetos reais. A escolha depende dos objetivos de carreira e das responsabilidades exercidas pelo profissional.

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Sobre o autor

Mario H. Trentim é membro do Board of Directors do PMI, Reitor da Allevo Tech / Qeevo Group, doutorando do ITA e autor de 13 livros sobre gestão e execução estratégica.

Atua como conselheiro e conector estratégico em organizações em transformação.

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