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Vale a pena fazer extensão universitária nos Estados Unidos? O que 13 anos como professor e aluno me ensinaram

Extensão universitária nos Estados Unidos vale a pena? Veja o que a experiência acadêmica e profissional de Mario Trentim revela sobre benefícios, limites e perfil ideal.



Em resumo:

  • A extensão universitária nos EUA pode oferecer credencial acadêmica, networking internacional e experiência em um ambiente universitário americano.
  • O formato não substitui um MBA, não garante emprego internacional e exige inglês suficiente para participação ativa.
  • Executivos e gestores em estágio sênior tendem a aproveitar melhor programas de curta duração em universidades americanas.

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Fui bolsista na University of La Verne, na Califórnia, em 2011. Depois, fui aluno da SUNY, a State University of New York, em 2014. Hoje, atuo como professor e coordenador de programas internacionais na CSUN e na SUNY.

Ao longo desses anos, uma das perguntas que mais escuto é: vale a pena fazer extensão universitária nos Estados Unidos?

Minha resposta continua sendo a mesma: depende do que você espera que essa experiência produza na sua carreira.

Essa é, na minha opinião, a pergunta mais importante antes de qualquer investimento em desenvolvimento profissional.

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A extensão universitária nos EUA pode ser uma ferramenta relevante para determinados profissionais, mas não deve ser tratada como solução universal.

+ O que é extensão universitária nos EUA e como funciona para profissionais brasileiros

O que a extensão universitária nos Estados Unidos oferece

Depois de anos ocupando os dois lados dessa experiência, como aluno e professor, vejo quatro entregas que aparecem com frequência nos programas internacionais de curta duração.

1. Credencial acadêmica internacional

A primeira entrega é a credencial acadêmica formal.

O participante recebe certificado ou diploma emitido por uma universidade americana. Esse documento pode ser apresentado no currículo e em plataformas profissionais, como o LinkedIn, na seção de formação acadêmica.

Existe uma diferença importante entre um certificado de participação em um evento e uma credencial acadêmica emitida por uma instituição de ensino superior.

Para profissionais que desejam fortalecer sua trajetória internacional, essa experiência pode contribuir para apresentar uma formação realizada dentro do sistema universitário americano.

2. Networking internacional

A segunda entrega é a rede de contatos.

Imagine passar algumas semanas em uma turma formada por profissionais de diferentes países, setores e níveis de experiência.

As discussões não ficam restritas ao conteúdo apresentado pelo professor. Cada participante leva para a sala de aula seus próprios desafios, experiências e referências profissionais.

Esse ambiente cria oportunidades de relacionamento que dificilmente surgem em um congresso ou evento de apenas um dia.

Networking internacional não se constrói apenas no LinkedIn. Ele também nasce de experiências compartilhadas.

Em programas realizados na CSUN e na SUNY, profissionais de diferentes países participam das atividades acadêmicas e das discussões de casos. Essa diversidade é parte relevante da experiência.

3. Experiência em uma universidade americana

A terceira entrega é a vivência acadêmica.

Estudar em uma universidade dos Estados Unidos significa entrar em contato com uma dinâmica diferente daquela que muitos profissionais brasileiros encontraram na graduação ou no MBA.

A discussão de casos, a participação ativa em sala, a defesa de argumentos e a necessidade de acompanhar o ritmo das atividades em inglês fazem parte desse processo.

É uma experiência que permite entender, na prática, como funciona um ambiente acadêmico internacional.

4. Desenvolvimento da comunicação profissional em inglês

A quarta entrega talvez seja a que mais surpreende alguns participantes.

Não estou falando simplesmente de aprender inglês ou aumentar a fluência.

A questão é outra: aprender a articular e defender uma posição em inglês diante de profissionais de diferentes países.

Existe uma diferença entre participar de uma reunião em inglês e defender um argumento em uma discussão de caso, sob pressão, diante de executivos internacionais.

Depois de algumas semanas discutindo gestão em inglês dentro de uma universidade americana, muitos profissionais passam a ocupar esse espaço de maneira diferente.

+ SUNY em Nova York: como funciona o curso de gestão de projetos

O que a extensão universitária nos EUA não oferece

Também é importante falar sobre o que esse tipo de programa não entrega.

A extensão universitária não substitui um MBA para quem procura uma formação abrangente em gestão ao longo de dois anos. Também não equivale a uma graduação, pós-graduação stricto sensu ou certificação técnica específica.

Além disso, o certificado não garante uma vaga de emprego internacional.

Outro ponto é o domínio do inglês. Se o profissional não consegue acompanhar as aulas ou participar das discussões, parte importante da experiência deixa de existir.

Por isso, considero mais produtivo enxergar a extensão universitária como uma ferramenta com objetivos específicos.

Antes de investir, eu faria uma pergunta simples: o que preciso que essa experiência produza na minha carreira?

Se a resposta envolver uma credencial acadêmica americana, networking internacional e vivência em uma universidade dos Estados Unidos sem precisar interromper a carreira por dois anos para fazer um MBA, o formato pode fazer sentido.

Se a necessidade for obter um grau acadêmico completo em gestão, a resposta provavelmente será diferente.

+ Estude nos EUA com bolsa: conheça programas da CSUN e SUNY

Para quem vale a pena fazer extensão universitária nos Estados Unidos?

Na minha experiência, o perfil que mais aproveita programas desse tipo é formado por executivos e gestores com aproximadamente cinco a quinze anos de carreira, especialmente aqueles que chegaram a posições mais seniores e identificaram a necessidade de ampliar seu repertório.

São profissionais que começam a mirar posições em boards, oportunidades internacionais ou funções de liderança em organizações globais.

Nesse estágio, a questão deixa de ser apenas acumular cursos. Passa a envolver credenciais, repertório, exposição internacional e capacidade de participar de conversas profissionais em outros ambientes.

A experiência também pode ser interessante para quem já possui inglês operacional, mas nunca precisou utilizá-lo em um contexto acadêmico internacional.

Existe uma diferença entre compreender uma apresentação em inglês e defender uma posição durante uma discussão de caso com profissionais de diferentes países.

Por fim, há o networking.

Uma rede internacional construída a partir de semanas de convivência acadêmica tende a ter uma natureza diferente daquela formada exclusivamente por conexões virtuais.

Como funcionam os programas da CSUN e da SUNY

Na California State University, Northridge (CSUN), o programa ocorre em julho, no campus de Northridge, na Califórnia, e conta com acreditação AACSB.

Na State University of New York (SUNY), o programa ocorre em janeiro, em Nova York, e inclui atividades como visita às Nações Unidas.

Nos dois casos, existem bolsas de até 60% por meio da IBS Americas para profissionais que atendem aos critérios dos programas.

A proposta, portanto, é combinar uma experiência acadêmica internacional de curta duração com contato direto com universidades americanas e profissionais de diferentes países.

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Para quem não vale a pena?

Dizer para quem o programa não é indicado também faz parte da orientação.

A extensão universitária nos EUA pode não ser a melhor escolha para quem ainda está construindo a base da carreira e não possui experiência suficiente para acompanhar discussões no nível proposto.

O formato pressupõe alguma trajetória profissional. Sem esse repertório, o participante pode entrar nas dinâmicas de sala de aula em uma posição de desvantagem.

Também não considero adequado para quem ainda não possui inglês suficiente para acompanhar aulas e participar das discussões.

O programa não tem como objetivo ensinar inglês básico. A expectativa é que o profissional já consiga se comunicar e participar ativamente das atividades.

Por fim, não faz sentido para quem espera que um certificado de universidade americana resolva sozinho um problema de carreira.

O certificado pode abrir uma conversa. Não fecha uma vaga.

Quem fecha a vaga é o conjunto formado por experiência, competências, repertório, relacionamento profissional e capacidade de transformar oportunidades em resultados.

A pergunta certa antes de investir

Depois de 13 anos como aluno e professor em experiências acadêmicas nos Estados Unidos, considero que a questão central não é simplesmente saber se vale a pena fazer extensão universitária nos EUA.

A pergunta é: tenho o perfil e um objetivo profissional claro para aproveitar esse formato?

Para quem possui experiência profissional, inglês operacional, disposição para participar ativamente e um objetivo relacionado a carreira internacional, a extensão universitária pode oferecer um retorno relevante.

Para quem ainda precisa construir essas bases, talvez o investimento mais adequado seja outro.

O ponto não é escolher entre extensão, MBA ou outras formas de desenvolvimento profissional como se existisse uma opção universalmente melhor.

É entender qual instrumento atende ao momento da carreira.

Quando essa escolha é feita com clareza, a experiência deixa de ser apenas uma passagem por uma universidade americana e passa a fazer parte de uma estratégia de carreira.


Sobre o autor

Mario H. Trentim é membro do Board of Directors do PMI, Reitor da Allevo Tech / Qeevo Group, doutorando do ITA e autor de 13 livros sobre gestão e execução estratégica.

Atua como conselheiro e conector estratégico em organizações em transformação.

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