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Filosofia

Mito da Caverna

Natália Cruz
Publicado por Natália Cruz
Última atualização: 15/10/2018

Introdução

A Alegoria da Caverna ou Mito da Caverna é um texto escrito por Platão,  com o uso do método dialético e se encontra na obra A República. O texto contém uma série de ideias desenvolvidas por Platão ao longo da vida, dentre elas está a divisão entre o mundo sensível e o mundo inteligível, ideias que foram inspiradas nas teorias de Sócrates.

No Mito da Caverna o mundo sensível é aquele no qual os sentidos é que determinam a experimentação das coisas e o entendimento dos fatos enquanto o mundo inteligível é aquele no qual a razão é que determina o entendimento das coisas.

A Alegoria ou Mito da Caverna apresenta, portanto, as bases para explicar o conhecimento do senso comum em oposição ao conhecimento do senso crítico.

O mito

Segundo Platão, um grupo de homens vivia amarrado em uma caverna. Os homens encontravam-se virados de costas para a entrada da caverna, viam apenas o fundo iluminado indiretamente por uma fogueira. As únicas imagens vistas por esses homens eram as sombras das pessoas, animais e objetos que estavam do lado de fora, e que para eles constituíam a realidade.

Em um determinado dia, um dos homens consegue se libertar das correntes e escapar. Ao sair da caverna, a luz do sol o cega momentaneamente, uma vez que esse homem vivia na escuridão e a única luz que conhecia era a da fogueira, que indiretamente iluminava o fundo da caverna.

O homem não conhecia nada além das sombras que apareciam no fundo da caverna. Tantas novidades o assustaram e o homem desejou voltar imediatamente para a caverna, local em que se sentia confortável, familiarizado e protegido.

O homem, no entanto, venceu o medo e ficou por algum tempo observando as luzes, formas, cores e movimentos que nunca tinha visto, que não conhecia e não sabia o que eram ou pra que serviam.

Ao voltar para a caverna, o homem dividiu com os que ali estavam os conhecimentos e novidades que teve contato no momento que passou fora da caverna. Mas foi ridicularizado pelos companheiros que ainda estavam presos, pois eles só enxergavam as sombras e acreditavam que o que estava ali refletido era única verdade possível.

As falas do homem que saiu da caverna foram consideradas absurdas, malucas e mentirosas. Para evitar que os outros fossem contaminados pela loucura e insanidade, o homem que escapou foi morto pelos prisioneiros.

Interpretação

O mito faz uma analogia à vida humana e a aquisição do conhecimento. A caverna representa o mundo, todos os indivíduos encontram-se dentro da caverna e acreditam apenas nas imagens que são refletidas pela fogueira. As crenças, culturas e opiniões do senso comum são consideradas verdades, as únicas verdades, assim como as sombras da caverna.

O indivíduo que se liberta das correntes, liberta-se também do senso comum, das ideias propagadas por outros e tidas como verdadeiras. Ao entrar em contato com o conhecimento, representado pelo sol, os indivíduos ficam temporariamente cegos, confusos. A insegurança com a quebra das noções do senso comum, a apresentação de outras realidades e possibilidades, causa incômodo, por isso, a reação mais comum é voltar para a caverna e continuar com uma visão já conhecida e confortável.

O conhecimento pode ser chocante, incômodo e confuso para aqueles que nunca haviam entrado em contato com outras formas de ver o mundo. Ao voltar para a caverna, o fugitivo desagrada os que continuavam presos. Para evitar que outros tenham acesso ao conhecimento e voltem cheios de ideias diferentes e consideradas malucas, o fugitivo é morto e o senso comum reestabelecido, no entanto, o conhecimento é capaz de despertar a curiosidade de alguns dos prisioneiros, não é possível para Platão ficar indiferente ao conhecimento.

A morte do fugitivo é uma analogia à morte de Sócrates, morto pelos atenienses por conta de seus pensamentos filosóficos que desestabilizaram as ideias do senso comum. O homem no mito, sai do mundo sensível e vai para o mundo inteligível.

Atualmente o mito ainda representa muitas sociedades e indivíduos, que preferem seguir o senso comum e as ideias já pré estabelecidas a pensar, formular suas próprias opiniões e questionar suas crenças. É mais cômodo e seguro manter e seguir ideias já estabelecidas.


Exercícios

Exercício 1
(UEM – Verão/2008)

“Sócrates: Imaginemos que existam pessoas morando numa caverna. Pela entrada dessa caverna entra a luz vinda de uma fogueira situada sobre uma pequena elevação que existe na frente dela. Os seus habitantes estão lá dentro desde a infância, algemados por correntes nas pernas e no pescoço, de modo que não conseguem mover-se nem olhar para trás, e só podem ver o que ocorre à sua frente. (...) Naquela situação, você acha que os habitantes da caverna, a respeito de si mesmos e dos outros, consigam ver outra coisa além das sombras que o fogo projeta na parede ao fundo da caverna?”.

(PLATÃO. A República [adaptação de Marcelo Perine]. São Paulo: Editora Scipione, 2002. p. 83).

Em relação ao célebre mito da caverna e às doutrinas que ele representa, assinale V para as questões corretas e F para as Falsas:

(     ) No mito da caverna, Platão pretende descrever os primórdios da existência humana, relatando como eram a vida e a organização social dos homens no princípio de seu processo evolutivo, quando habitavam em cavernas.

(     ) O mito da caverna faz referência ao contraste ser e parecer, isto é, realidade e aparência, que marca o pensamento filosófico desde sua origem e que é assumido por Platão em sua famosa teoria das Idéias.

(     ) O mito da caverna simboliza o processo de emancipação espiritual que o exercício da filosofia é capaz de promover, libertando o indivíduo das sombras da ignorância e dos preconceitos.

(     ) É uma característica essencial da filosofia de Platão a distinção entre mundo inteligível e mundo sensível; o primeiro ocupado pelas Idéias perfeitas, o segundo pelos objetos físicos, que participam daquelas Idéias ou são suas cópias imperfeitas.

(     ) No mito da caverna, o prisioneiro que se liberta e contempla a realidade fora da caverna, devendo voltar à caverna para libertar seus companheiros, representa o filósofo que, na concepção platônica, conhecedor do Bem e da Verdade, é o mais apto a governar a cidade.

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, shorts e tênis acenando

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