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Geografia

Mudanças Climáticas

Angelo Carvalho
Publicado por Angelo Carvalho
Última atualização: 15/10/2018

Introdução

Você já deve ter ouvido falar sobre mudanças climáticas pelo menos uma vez na vida. Entretanto, saberia dizer realmente o que elas significam?

Primeiramente, é necessário diferenciar tempo e clima. Enquanto o primeiro é um estado passageiro da atmosfera, o segundo é a sucessão habitual dos tipos de tempo, isto é, a maneira como, normalmente, o tempo muda em um determinado local.

Dessa forma, pode-se perceber que as mudanças climáticas não ocorrem de um dia para o outro, mas sim ao longo de vários anos ou décadas. As mudanças climáticas podem ser naturais ou antropogênicas (causadas pela atividade humana).

Causas Naturais

O clima varia naturalmente em todas as escalas temporais e espaciais.

Por meio de bolhas de ar aprisionadas nas geleiras da Antártica, foi possível comprovar a variação climática da Terra nos últimos 800 mil anos.

Nos últimos 400 mil anos, ocorreram quatro ciclos distintos. Esses ciclos são glaciais e interglaciais. A variação entre esses ciclos se dá devido a uma série de fatores, sendo o principal a alteração da composição da atmosfera terrestre.

A variação entre esses dois períodos é o melhor exemplo de mudança climática natural.

Dessa forma, mudam-se as condições de absorção da energia solar, o que leva a temperatura média do planeta a ficar alguns graus mais alta nos períodos interglaciais, ou mais baixa, nos glaciais.

Atualmente, a Terra se encontra num pico interglacial, e a temperatura está mais alta cerca de 5 °C a 6 °C em relação ao pico do último período glacial, 20 mil anos atrás.

Alterações na radiação solar e movimentos orbitais da Terra são outros exemplos de causas naturais das mudanças climáticas que podem ser citados.

Causas Antropogênicas

A partir da Revolução Industrial, marcada pelo desenvolvimento das máquinas automáticas movidas a combustíveis fósseis, o homem passou a realizar atividades irresponsáveis contra a natureza, passando a ter grande influência nas mudanças climáticas.

Desde 2007, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), organização responsável por emitir relatório climáticos, afirma que 90% das mudanças climáticas observadas é causada pela atividade humana.

Aquecimento Global e Efeito Estufa

O efeito estufa é um processo natural decorrente da relação entre luz solar, superfície do planeta e os gases que formam a atmosfera terrestre.

Este efeito consiste na retenção de parte da radiação infravermelha que é emitida pela superfície do planeta após esta ser aquecida pelos raios de sol. A retenção é realizada por alguns gases que possuem a capacidade de absorver radiação infravermelha, chamados gases-estufa.

Entre os gases-estufa se destacam:

  • CO2 (dióxido de carbono);
  • CH4 (metano);
  • N2O (óxido nitroso);
  • CFC (clorofluorcarbonetos);
  • vapor-d’água.

A concentração desses gases na atmosfera oscilou ao longo da História do planeta, o que levou também à variação da intensidade do efeito estufa.

A atividade humana, principalmente após a Revolução Industrial, foi responsável pelo brutal aumento de produtividade e consumo de energia. Com isso, há a liberação de grandes quantidades de gases de efeito estufa para a atmosfera, em função das atividades humanas. Assim, é gerado um aumento na concentração desses gases em um nível superior aos dos últimos mil anos.

Variação da concentração de CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera nos últimos 400 mil anos. É possível observar o crescimento exponencial da concentração nos tempos recentes.

Variação da concentração de CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera nos últimos 400 mil anos. É possível observar o crescimento exponencial da concentração nos tempos recentes.

As principais atividades responsáveis por essa liberação são a queima de combustíveis fósseis, o desmatamento, a decomposição de matéria orgânica (por exemplo, em lixões e barragens hidrelétricas) e o uso de adubos químicos na agricultura.

Dessa forma, fica reforçada a tese do aquecimento global de origem antropogênica.

Consequências do aquecimento global

Entre as consequências da intensificação do efeito estufa, ou seja, do aquecimento global, pode-se destacar:

  • Aquecimento desigual da superfície terrestre: o aquecimento não vem sendo e nem será igual para todo o planeta como um todo. Devido à complexidade dos sistemas climáticos, algumas regiões tendem a ser mais aquecidas que outras;
  • Caos Climático: o aquecimento diferencial pode acarretar em alterações quase imprevisíveis nos mecanismos de formação dos climas regionais. Além disso, as mudanças climáticas poderiam tornar eventos como furacões muito mais recorrentes do que são atualmente.
  • Mudança nos biomas: mudanças climáticas que envolvem alterações na temperatura e nos índices pluviométricos de cada região tendem a mudar drasticamente a distribuição da fauna e da flora no planeta.
  • Derretimento das calotas polares e das neves das altas montanhas: esse fato, por sua vez, aumentaria o nível dos oceanos, o que geraria a inundação de todas as áreas baixas próximas ao litoral, regiões que costumam ter grande diversidade biológica e intensa ocupação populacional.

Tratados e Acordo Internacionais

Assim como os países possuem responsabilidades históricas diferenciadas quanto à emissão de gases de efeito estufa que contribuem para a mudança climática, há diferença entre os graus de vulnerabilidade dos países frente aos fenômenos sociais e ambientais extremos decorrentes da mudança do clima global.

Os impactos das mudanças climáticas vão variar conforme as diferenças regionais existentes, tais como o nível de renda e o desenvolvimento tecnológico dos países.

Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima

A Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), foi criada em 1992, com o objetivo principal de afirmar o comprometimento dos países com metas de estabilização das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera.

A convenção atribui a maior parcela das emissões globais de gases-estufa aos países desenvolvidos.

Por isso, cabe a esse grupo de países o estabelecimento de medidas de redução de suas emissões, assim como o investimento em projetos de conservação ambiental e de captura de carbono em países em desenvolvimento.

Protocolo de Quioto

Em 1997, foi celebrado o Protocolo de Quioto, na UNFCCC. O protocolo estabeleceu metas obrigatórias de redução de 5% das emissões de gases-estufa, tendo como ano base as emissões de 1990, para 37 países desenvolvidos.

Estes países assumiram diferentes metas percentuais de redução dentro da meta global estabelecida.

Acordo de Copenhague

Durante a COP-15, realizada em Copenhague, na Dinamarca em 2009, foi firmado o Acordo de Copenhague.

Este acordo internacional recomendou aos países participantes da Convenção dos Clima que adotassem Ações Nacionais de Mitigação à Mudança do Clima.

Além disso, foi apresentado um guia metodológico para o desenvolvimento de atividades relacionadas à Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal e Conservação (REDD+).


Exercícios

Exercício 1
(FGV/2004)

Fenômeno de origem complexa e ainda obscura. Suspeita-se de um componente antropogênico, quantificado pelo aumento da concentração na atmosfera de gases, como o CO, da queima de combustíveis fósseis, além da emissão espontânea de metano no processo digestivo de vários mamíferos.

(Folha de S. Paulo. Caderno Mais, 21 set. 2003. p.6)

O texto refere-se ao problema:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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