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Literatura

Carta de Pero Vaz de Caminha

Laisa Ribeiro
Publicado por Laisa Ribeiro
Última atualização: 13/8/2018

Introdução

Quando você viaja e conhece um novo lugar, como você o mostra para os seus amigos? Provavelmente, você posta alguns Stories no seu Instagram ou posta algumas fotos no seu Facebook.

Mas e em 1500? Como as pessoas faziam para descrever um lugar que ela acabara de conhecer? Ora pois, um escrivão português passou por essa situação e utilizou a carta!

Em 1500, o escrivão Pero Vaz de Caminha embarcou na frota de Pedro Álvares de Cabral. Sua função seria descrever a terra que seria encontrada em uma carta para D. Manuel I.

O que seria apenas uma mensagem de elucidação sobre um novo território tornou-se um documento muito importante, que é considerado o primeiro marco literário do nosso país.

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Literatura de informação

Nas aulas de quinhentismo, você aprendeu que essa escola literária ficou conhecida como “literatura de informação”, uma vez que ela foi feita por portugueses que queriam descrever e informar Portugal acerca da natureza brasileira e do povo indígena que morava aqui muito antes deles chegarem.

A carta de Pero Vaz de Caminha faz parte do quinhentismo. Mas por que essa primeira carta é tão importante, além de seu pioneirismo? Nela, nós encontramos informações de momentos históricos importantíssimos do nosso país!.

O que parecia um simples dia 1 de maio de 1500 gerou encontros que influenciam até hoje a nossa política, a nossa sociologia e muitas outras facetas de nossa sociedade, como a destruição das florestas, o preconceito contra o povo indígena – e sua cultura –  e até mesmo os crimes de ódio cometidos contra eles.

Na carta, Pero Vaz de Caminha mostra como foi o primeiro encontro entre os portugueses e os indígenas:

“Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos, e suas setas. Vinham todos rijamente em direção ao batel. E Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os depuseram.”

“A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixa de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. Acerca disso são de grande inocência. Ambos traziam o beiço de baixo furado e metido nele um osso verdadeiro, de comprimento de uma mão travessa, e da grossura de um fuso de algodão, agudo na ponta como um furador. Metem-nos pela parte de dentro do beiço; e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é feita a modo de roque de xadrez. E trazem-no ali encaixado de sorte que não os magoa, nem lhes põe estorvo no falar, nem no comer e beber.”

Nesses trechos, é possível identificar que os portugueses trouxeram consigo os padrões de beleza eurocêntricos e os usaram ao dizer que os índios tinham “bons rostos e bons narizes, bem feitos.” Além disso, eles inferiorizam o povo indígena ao considerá-lo ingênuo.

Pero Vaz de Caminha descreve como é a relação entre esses dois povos de costumes tão diferentes: os índios não entendem o motivo pelo qual os portugueses apreciam o sabor do vinho; por outro lado, os portugueses não entendem a cultura e a forma como os índios usam seus adereços.

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Colonização e imposição de outra cultura

A carta também descreve um ponto crucial dos povos europeus daquele tempo: um desejo de colonizar e impor sua cultura aos povos que eles consideravam “atrasados”.

Pero Vaz de Caminha descreve a primeira missa católica rezada no Brasil e, logo após, aconselha o rei de Portugal que a principal missão dos portugueses é converter os indígenas à religião do reino, ignorando que eles já possuíam sua própria religião e seus próprios rituais religiosos.

“Ao domingo de Páscoa, pela manhã, determinou o Capitão ir ouvir missa e sermão naquele ilhéu. E mandou a todos os capitães que se arranjassem nos batéis e fossem com ele. E assim foi feito. Mandou armar um pavilhão naquele ilhéu, e dentro levantar um altar mui bem arranjado. E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual disse o padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes que todos assistiram, a qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção.”

“Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.”

É por isso que a palavra “descobrimento”, em "descobrimento do Brasil", é tão questionada por diversos teóricos, uma vez que ela ignora a vivência e a cultura dos índios, que já estavam estabelecidos no Brasil antes do “descobrimento” feito pelos europeus.

É muito importante abandonar o ponto de visto eurocêntrico e ler a carta de Pero Vaz de Caminha pensando do ponto de vista dos povos indígenas que já moravam aqui. Se eles já estavam no Brasil, não foram eles que descobriram o local?

Essa é a importância dos documentos históricos: a literatura pode nos mostrar como o povo de uma determinada época e país pensava e se relacionava com os outros povos. Por isso, é sempre importante abrir a mente e ler todos os tipos de literatura!


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2013)

De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa. Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares [...]. Porém o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. (Carta de Pero Vaz de Caminha. In: MARQUES, A.; BERUTTI, F.; FARIA, R. História moderna através de textos. São Paulo: Contexto, 2001)

A carta de Pero Vaz de Caminha permite entender o projeto colonizador para a nova terra. Nesse trecho, o relato enfatiza o seguinte objetivo:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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