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Literatura

Clarice Lispector

Laisa Ribeiro
Publicado por Laisa Ribeiro
Última atualização: 13/9/2018

Introdução

Clarice Lispector é uma das autoras cujas frases mais circulam nas redes sociais. Quer um exemplo? Até mesmo essa frase que ela mandou em uma carta para a irmã é uma das mais procuradas: “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.”

Quer conhecer um pouco mais sobre essa autora que não tem apenas frases boas, mas obras inteiras maravilhosas? Vem com a gente!

Quem foi Clarice Lispector?

Ela foi uma escritora notável da terceira fase do Modernismo Brasileiro, a Geração de 45. Ela escreveu romances, poesias, crônicas e literatura infantil. É considerada uma das escritoras mais importantes do Brasil.

A autora nasceu na Ucrânia, mas devido à perseguição que os judeus sofriam naquela época, sua família veio para o Brasil. Clarice Lispector se considerava pernambucana.

Prosa intimista e fluxo de consciência

Clarice Lispector escreveu de uma forma muito poética. Ela sempre escreveu uma prosa muito intimista, ou seja, uma prosa que valorizava a jornada da personagem rumo a um estado mais introspectivo, solitário, em que ele pudesse olhar para dentro de si e pensar em suas emoções.

A prosa intimista também se preocupava com os conflitos internos do ser humano, envolvendo questões psicológicas e, até mesmo, espirituais e metafísicas.

Muitas vezes, diversos romances da autora continham páginas e páginas em que nenhuma ação acontecia, mas todas as palavras mostravam como a mente da personagem estava em constante movimento.

Tudo isso era possível devido ao fluxo de consciência, em que o autor escreve mostrando a forma como a personagem pensa e como os seus pensamentos vão mudando com rapidez.

Esse tipo de prosa mostra como o terreno interno do ser humano é fértil e como apenas sentimentos podem preencher muitas páginas e mostrar muitas histórias. As lembranças, por si só, já são um grande material para Clarice Lispector.

Carreira literária

Clarice Lispector publicou seu primeiro conto em 1940. Em 1942, seu primeiro romance já era publicado: “Perto do coração selvagem”. Muitos se surpreenderam em como ela era jovem e como sua prosa era parecida com a de James Joyce.

Em 1960, ela publica um importante livro de contos, “Laços de família”. Em 1964, publica “A paixão segundo G.H.” – que, sem spoilers nem nada, prometemos que esse livro te fará ver as baratas de outra forma -. Em 1969, é publicado “Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres”.

Clarice Lispector foi criticada por sempre criar narradoras femininas. Por causa disso, ela decide se lançar ao desafio de criar um narrador masculino.

A ironia dessa decisão é que Clarice cria um personagem homem que narra a vida de uma mulher. Em “A hora da estrela”, publicado em 1977, um jornalista conta a história de Macabéa, uma moça muito simples, do Nordeste brasileiro, que vai para o Rio de Janeiro em busca de oportunidades.

“Quando acordava não sabia mais quem era. Só depois é que pensava com satisfação: sou datilógrafa e virgem, e gosto de coca-cola. Só então vestia-se de si mesma, passava o resto do dia representando com obediência o papel de ser.”

O romance tem uma adaptação para o cinema e está disponível no YouTube!

Conclusão

Clarice Lispector tem uma das prosas poéticas mais singulares e bonitas da literatura brasileira. Sua obra mostra como a prosa intimista também teve seu espaço dentro do movimento literário do Modernismo.


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2017)

Leia o seguinte texto para responder à questão:

Declaração de amor

Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. […] A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.

Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Às vezes se assusta com o imprevisível de uma frase. Eu gosto de manejá-la – Como gostava de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes a galope. Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo em minhas mãos. E este desejo todos os que escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança de língua já feita. Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.

Essas dificuldades, nós as temos. Mas não fale do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega.

Se eu fosse muda e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria. inglês, que é preciso e belo. Mas, como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida.

(LISPECTOR, C. A descoberta do mundo Rio de Janeiro Rocco, 1999 (adaptado))

O trecho em que Clarice Lispector declara seu amor pela língua portuguesa, acentuando seu caráter patrimonial e sua capacidade de renovação, é

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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