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Literatura

Machado de Assis

Laisa Ribeiro
Publicado por Laisa Ribeiro
Última atualização: 30/8/2018

Introdução

Já ouviu falar de uns olhos de cigana oblíqua e dissimulada? Pois essa é uma das frases mais famosas da literatura brasileira e foi usada para descrever os olhos da inesquecível Capitu, de “Dom Casmurro”.

Machado de Assis sabia como falar sobre olhos, não é mesmo? Mas não apenas isso! Machado foi um dos maiores escritores brasileiros e a influência de seus livros reverbera até hoje.

Contexto histórico

Machado de Assis viveu durante a segunda metade do século XIX. O Brasil ainda estava sob o comando do Segundo Reinado, com Dom Pedro II. Com o fim do tráfico de escravos negros em 1850, a decadência da economia da cana-de-açúcar aumentou rapidamente.

O país começou a passar por momentos de instabilidade econômica e política, o que fez com que o Império fosse criticado e surgissem as primeiras ideias de uma revolução que mudasse a figura do imperador para a de um presidente.

Diante dessa situação, a literatura precisava de um autor que conseguisse fazer um retrato sobre essa época. Foi quando surgiu Machado de Assis, que, não satisfeito em criar um retrato fiel, também fez um retrato impiedoso sobre o que se passava.

Machado de Assis, o escritor

Ele era da estética realista, mas afirmou: “É taça que pode ter lavores de igual escola, mas leva outro vinho”. Qual seria esse vinho? Qual seria essa diferença que Machado de Assis trouxe para o realismo?

A inovação do autor estava no fato de que ele retratava tão fielmente a elite dominante da época que, mais do que constrangimento, os leitores conseguiam até mesmo se identificar com as personagens.

Machado de Assis teve uma infância difícil. Pobre e negro no Rio de Janeiro, sofreu diversos preconceitos. Além disso, ele era gago e epilético. Todavia, sempre foi autodidata, ou seja, aprendeu muito estudando sozinho.

Aos 29 anos, se casou com Carolina, esposa pela qual foi apaixonado até o fim de sua vida. Sua carreira de escritor deslanchou ao ponto de Machado de Assis criar a Academia Brasileira de Letras, da qual é presidente perpétuo.

As duas fases das obras machadianas

Seus romances tem duas fases: uma com influência romântica e, a mais famosa, uma com uma estética realista.

Fase romântica

Sua fase romântica inclui livros como “Ressurreição” (1872), “A mão e a luva” (1874), “Helena” (1876) e “Iaiá Garcia” (1878). Nessas obras, Machado ainda é muito influenciado pela estética que propunha um início, um meio e um fim específicos para os romances.

Mas até mesmo ali Machado de Assis já mostrava uma preocupação com temas como a ascensão social. Suas histórias de amor sempre envolviam dinheiro, casamento e família. A intenção era divertir e moralizar, como previa os folhetins da época.

Fase realista

A segunda fase, realista, foi marcada por muito sucesso. Seu sarcasmo e sua melancolia logo chamaram atenção. Livros como “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (1881), “Dom Casmurro” (1899), “Esaú e Jacó” (1904) e “Memorial de Aires “(1908) foram retratos fiéis da elite do Rio de Janeiro do Segundo Reinado.

Machado de Assis gostava de deixar nítido a falsidade que envolvia a vida dos indivíduos casados, com muita traição. Machado, com muito pessimismo, mostrava como as relações interpessoais da época eram marcados por puro interesse.

Memórias póstumas de Brás Cubas

Em 1881, o realismo chega ao Brasil com o seu livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Nele, um homem, que já está morto, o defunto-autor, conta como foi sua vida terrena. Esse livro marca uma ruptura com o romantismo.

Já não há uma história central com a qual se preocupar, como na estética romântica. Machado tece uma série de episódios da vida de Brás Cubas, repleta de divagações.

O enredo não possui nada de impressionante, uma vez que a genialidade do autor está na construção dessa personagem. Brás está longe de ser perfeito. Ele é arrogante, prepotente e preconceituoso.

Sua própria família permitia que ele fosse dessa forma: por exemplo, era completamente aceitável que ele subisse nas costas de um menino escravo de sua idade e o usasse como “cavalinho”.

A crítica não é direta nem fácil. Machado de Assis soube como usar a sutileza para criar um retrato impiedoso e esse é o seu grande diferencial.

Para os amantes da sétima arte, uma indicação é assistir ao filme que adapta a vida de Brás Cubas para o cinema. O filme é nacional e é de 2001.

Dom Casmurro

Em “Dom Casmurro”, conhecemos Bentinho, um garoto cuja mãe prometera que ele se tornaria padre. O que ela não esperava é que ele fosse se apaixonar por Capitu, a vizinha com olhos oblíquos e dissimulados.

A partir de um plano engenhoso, eles se livram da promessa e se casam, mas Bentinho, louco de ciúme, acredita que Capitu está cometendo adultério. Bentinho passa a acreditar que seu filho é, na verdade, fruto da relação de Capitu com seu melhor amigo, Escobar.

Nunca saberemos se Capitu traiu ou não, Machado de Assis fez questão de deixar essa questão em aberto, afinal, só temos o ponto de vista de um narrador não-confiável, que era motivado por um ciúme avassalador. Mas esse não é o ponto mais importante.

O relevante é perceber esse retrato de um homem da elite brasileira, que se afundou na melancolia e na tristeza ao ponto de ser conhecido como Dom Casmurro. Um homem que tenta voltar ao passado de todas as formas, mas não consegue, pois todos já morreram e ele está sozinho com as suas lembranças.

Por meio de divagações e conversas constantes com o leitor, o narrador provoca, ironiza e insulta o seu público-alvo. O leitor vira motivo de chacota, mas continua lendo. O objetivo de Machado de Assis era manter a atenção de quem estava lendo a obra.

Aqui, não há o sentimentalismo das obras românticas. Os personagens têm mais defeitos do que virtudes. Todos, de certa forma, são mesquinhos e interesseiros. Mas o que cativa o leitor é a ousadia do narrador em lhe mostrar tais personagens sob um ângulo irônico.

Contos

Além dos romances, Machado de Assis foi um importante contista. Suas obras mais famosas que reúnem seus contos são “Papéis Avulsos” (1882), “Histórias sem data” (1884), “Várias histórias” (1896) e “Relíquias da Casa Velha” (1906).  

Seus contos mais famosos são “Missa do Galo”, em que ele mostra a sedução de um jovem por uma mulher mais velha, e “O Alienista”, em que o autor faz uma crítica ao pensamento científico que havia dominado a sociedade de sua época.

Dica cultural

Machado de Assis foi um dos grandes escritores brasileiros. Lê-lo é uma experiência incrível e uma viagem no tempo em que você pode conhecer de perto a sociedade do século XIX.

Até mesmo observar os defeitos são bons, uma vez que você pode fazer uma comparação com os dias de hoje. O quanto o Brasil mudou? As obras realistas podem te dar a oportunidade de fazer esse exercício.

Quer conhecer melhor esses olhos de cigana oblíqua e dissimulada? Assista à belíssima minissérie “Capitu”, de 2008. É poesia em forma de imagem e apostamos que você possa até se emocionar.


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2010)

“Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Filho de um operário mestiço de negro e português, Francisco José de Assis, e de D. Maria Leopoldina Machado de Assis, aquele que viria a tornar-se o maior escritor do país e um mestre da língua, perde a mãe muito cedo e é criado pela madrasta, Maria Inês, também mulata, que se dedica ao menino e o matricula na escola pública, única que frequentou o autodidata Machado de Assis.” (Disponível em: http://www.passeiweb.com. Acesso em: 1 maio 2009).

Considerando os seus conhecimentos sobre os gêneros textuais, o texto citado constitui-se de:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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