Info Icon Ajuda Help Icon Ajuda
Literatura

Terra Sonâmbula

Alanis Zambrini
Publicado por Alanis Zambrini
Última atualização: 9/12/2019

Introdução

Terra Sonâmbula

Terra Sonâmbula é um romance escrito pelo autor moçambicano Mia Couto, publicado em 1992, e que conta a história de Muidinga e Tuahir em meio ao pano de fundo da guerra civil, ocorrida em Moçambique 10 anos após a guerra anticolonial contra Portugal, que aconteceu neste mesmo país.

Assim, esta obra, por meio de um recurso oníricomisturando sonhos e realidade, nos expõe à devastação da guerra e às heranças coloniais que perduraram na Moçambique pós-independência. Além disso, a obra conta com traços do realismo mágico e da arte narrativa tradicional africana, buscando mostrar interposições de sonhos e trazendo uma narrativa poética e única.

Contexto histórico

Terra Sonâmbula nos mostra a devastação causada por diversos conflitos armados ocorridos em Moçambique.

De 1965 a 1975, houve uma guerra anticolonial, contra o domínio de Portugal e pela Independência do país. Após a conquista da liberdade de Portugal, em 1975, tem-se uma guerra civil no país, com disputas internas pelo poder entre os partidos Renamo e Frelimo. Tais conflitos ocorreram de 1976 a 1992, fazendo milhares de vítimas e arrasando o país.

Assim, a obra retrata o último período dessa guerra civil, pois o livro foi publicado pela primeira vez no ano em que foi assinado o Acordo Geral de Paz entre os dois grupos.

Resumo da obra

Em Terra Sonâmbula, nos deparamos com o menino Muidinga, que perdeu sua memória depois de ter sido envenenado ao comer uma mandioca brava, e o velho Tuahir, que decide guiar Muidinga e servir de figura paterna para este. Assim, o livro nos mostra o caminho feito por ambos para sobreviverem em meio ao cenário da guerra civil moçambicana.

Com isso, Muidinga acaba achando um carro com vários corpos carbonizados e alguns cadernos, que traziam relatos de um garoto chamado Kindzu. Aqui, o livro apresenta uma história dentro de uma história, pois em diferentes capítulos vamos ver o que acontece com Muidinga e Tuahir e em outros capítulos vamos saber da vida de Kindzu, mostrando perspectivas diferentes sobre o cenário da guerra.

Os cadernos contam a história de Kindzu, que foi mandado embora pela mãe, cuja perda de todos os filhos a fez não querer ficar com o que ela menos gostava. Assim, ele caminha sozinho na tentativa de unir-se  aos guerreiros que lutam pelo país, os Naparamas.

Um certo dia, ele encontra um navio naufragado e descobre que uma mulher chamada Farida mora ali. Ao encontrar Farida, Kindzu acaba apaixonando-se por ela, que conta sua história de vida - como foi estuprada por seu pai de criação e como este estupro gerou uma criança, Gaspar, que desapareceu e que nunca mais havia sido visto pela mãe.

Kindzu promete à Farida que encontraria seu filho desaparecido, e acaba vivendo diversas aventuras e passando por várias dificuldades em meio a esta empreitada.

No final da obra, fantasia e realidade se misturam, não sendo possível diferenciá-las. Deste modo, Mia Couto constrói uma teia de acontecimentos entre Muidinga, Tuahir e Kindzu, cujos caminhos vão se encontrando e se cruzando à medida que a dupla passa por lugares diferentes, vendo a destruição e o sentimento de desespero causado pela guerra.

Personagens principais:

  • Muidinga: protagonista da história, que perdeu sua memória.
  • Tuahir: velho sábio que guia Muidinga depois da guerra.
  • Siqueleto: último sobrevivente de uma aldeia.
  • Kindzu: menino morto, que escreveu os cadernos encontrados por Muidinga.
  • Taímo: pai de Kindzu.
  • Junhito: irmão de Kindzu.
  • Farida: mulher por quem Kindzu se apaixona e que revela uma história de vida sofrida.
  • Dona Virgínia: portuguesa e mãe de consideração de Farida.
  • Romão Pinto: português e pai de consideração de Farida.
  • Gaspar: filho desaparecido de Farida e que foi concebido pelo estupro de Farida por Romão.
  • Estêvão Jonas: administrador e marido de Carolinda.
  • Carolinda: mulher do administrador, que mantém uma relação romântica com Kindzu.
  • Assane: antigo secretário administrador da região de Matimati.
  • Quintino: guia de Kindzu.

Referências

COUTO, Mia. Terra Sonâmbula. São Paulo: Companhia de Bolso, 2015.


Exercícios

Exercício 1
(UNICAMP - 2016)

Leia o seguinte trecho da obra Terra Sonâmbula, de Mia Couto, extraído do Sexto caderno de Kindzu, subintitulado O regresso a Matimati.

Lembrei meu pai, sua palavra sempre azeda: agora, somos um povo de mendigos, nem temos onde cair vivos. Era como se ainda escutasse:

- Mas você, meu filho, não se meta a mudar os destinos.

Afinal, eu contrariava suas mandanças. Fossem os naparamas, fosse o filho de Farida: eu não estava a deixar o tempo quieto. Talvez, quem sabe, cumprisse o que sempre fora: sonhador de lembranças, inventor de verdades. Um sonâmbulo passeando entre o fogo. Um sonâmbulo como a terra em que nascera. Ou como aquelas fogueiras por entre as quais eu abria caminho no areal. 

(Mia Couto, Terra Sonâmbula. São Paulo: Companhia de Bolso, 2015, p. 104.)

Na passagem citada, a personagem Kindzu recorda os ensinamentos de seu pai diante do estado desolador em que se encontrava sua terra, assolada pela guerra, e reflete sobre a coerência de suas ações em relação a tais ensinamentos. Levando em consideração o contexto da narrativa do romance de Mia Couto, é correto afirmar que:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

Inscreva-se abaixo e receba novidades sobre o Enem, Sisu, Prouni e Fies:

Carregando...