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Efeito de humor

Português - Manual do Enem
João Ferreira Publicado por João Ferreira
 -  Última atualização: 27/9/2022

Índice

Introdução

Introdução

Nos últimos anos, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e os vestibulares em geral mudaram a forma de avaliar um estudante. Cada vez mais a “decoreba” sai de cena para uma aplicação mais interpretativa das questões, que relacionam contexto e efetiva compreensão daquilo que está sendo lido.

Na língua portuguesa, há várias formas de se expressar, sendo uma delas por meio dos efeitos de humor em textos, tirinhas, anúncios publicitários, memes e charges. O efeito de humor é um dos efeitos de sentido possíveis para um texto.

Compreenda, a seguir, o que são os efeitos de sentido e como identificar o efeito de humor no texto de apoio de uma questão.

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Quais são os efeitos de sentido?

Nem sempre em um texto o sentido daquilo que está querendo ser dito está exposto nos significados simples da oração ou das próprias palavras. O escritor encontra nessa artimanha de nossa língua uma forma de, criativamente, mexer com a nossa perspicácia e percepção direta sobre as coisas, nos tirando de um lugar comum.

Os efeitos de sentido mais comuns nos textos, são:

  • ambiguidade;
  • duplo sentido;
  • ironia;
  • humor.

Os efeitos de sentido estão presentes em quase todas as piadas que conhecemos, e também são um recurso amplamente utilizados em tirinhas e crônicas, que contam com um espaço curto para provocar o leitor e gerar sua reflexão, crítica ou efeito humorístico desejado.

O que é efeito de humor em um texto?

O efeito de humor está presente em um texto quando uma situação provoca surpresa cômica, devido a alguns fatores, como deslizes dos personagens, situações absurdas, soluções fora do comum para algum problema, ou até certos estereótipos.

Como identificar efeitos de humor no texto?

A seguir, vamos ler uma breve crônica de Luís Fernando Veríssimo para identificar qual o texto de humor em um texto.

O Lixo

Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que

se falam.

- Bom dia...

- Bom dia.

- A senhora é do 610.

- E o senhor do 612

- É.

- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...

- Pois é...

- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...

- O meu quê?

- O seu lixo.

- Ah...

- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...

- Na verdade sou só eu.

- Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.

- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...

- Entendo.

- A senhora também...

- Me chame de você.

- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em

seu lixo. Champignons, coisas assim...

- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às

vezes sobra...

- A senhora... Você não tem família?

- Tenho, mas não aqui.

- No Espírito Santo.

- Como é que você sabe?

- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.

- É. Mamãe escreve todas as semanas.

- Ela é professora?

- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?

- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.

- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.

- Pois é...

- No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.

- É.

- Más notícias?

- Meu pai. Morreu.

- Sinto muito.

- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.

- Foi por isso que você recomeçou a fumar?

- Como é que você sabe?

- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu

lixo.

- É verdade. Mas consegui parar outra vez.

- Eu, graças a Deus, nunca fumei.

- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...

- Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.

- Você brigou com o namorado, certo?

- Isso você também descobriu no lixo?

- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de

papel.

- É, chorei bastante, mas já passou.

- Mas hoje ainda tem uns lencinhos...

- É que eu estou com um pouco de coriza.

- Ah.

- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.

- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.

- Namorada?

- Não.

- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.

- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.

- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.

- Você já está analisando o meu lixo!

- Não posso negar que o seu lixo me interessou.

- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi

a poesia.

- Não! Você viu meus poemas?

- Vi e gostei muito.

- Mas são muito ruins!

- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.

- Se eu soubesse que você ia ler...

- Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da

pessoa ainda é propriedade dela?

- Acho que não. Lixo é domínio público.

- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida

privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais

social. Será isso?

- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...

- Ontem, no seu lixo...

- O quê?

- Me enganei, ou eram cascas de camarão?

- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.

- Eu adoro camarão.

- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...

- Jantar juntos?

- É.

- Não quero dar trabalho.

- Trabalho nenhum.

- Vai sujar a sua cozinha?

- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.- No seu lixo ou no meu?

(VERÍSSIMO, Luís Fernando. O analista de Bagé. RJ: Objetiva. 2002)

Na crônica de Veríssimo, o efeito de humor aparece logo no início, quando os dois vizinhos que nunca haviam se visto pessoalmente começam a demonstrar saber muito sobre a vida um do outro pelo fato de mexerem e verificarem o que cada um depositou lá todos os dias. 

O efeito de humor reside em apresentar um ato que poderia ser incômodo para alguns, mas que acaba sendo um ponto comum e até de certa forma romântico. São pessoas solitárias, mas que acabam se unindo e marcando um jantar devido aos interesses em comum, todos descobertos pelo lixo.

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Qual o efeito de humor em uma tirinha?

A seguir, vamos ler e observar uma charge da cartunista e ilustradora Laerte Coutinho:

(Créditos: Laerte)

Para identificar o efeito de humor nessa tirinha, precisamos refletir: o que provocou a graça nesta situação? No primeiro quadro, o homem demonstra uma expressão de choque ao ver um rato se aproximando. Em seguida, avisa a pessoa que lhe chamou que há um rato no local, buscando uma solução para este problema de saneamento.

Só que a pessoa realizando a chamada para atendimento simplesmente não se importa com o rato e apenas busca fazer com que a fila ande logo. Neste fator de surpresa, uma situação completamente incomum, reside o humor da tirinha e provoca o efeito humorístico pretendido pela cartunista.

Qual é a diferença entre humor e ironia?

A ironia pode estar presente em um texto humorístico e é usada como recurso linguístico em muitos textos literários. Ela é um efeito de sentido específico que aparece quando uma palavra ou expressão é colocada fora da sua aplicação comum.

A ironia normalmente é mais sutil do que os demais efeitos de sentido que provocam o efeito de humor. Pode até passar despercebida por alguns leitores.

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Exercício de fixação
Passo 1 de 2
(ENEM-2019)

Ed Mort só vai

“Mort. Ed Mort. Detetive particular. Está na plaqueta. Tenho um escritório numa galeria de Copacabana entre um fliperama e uma loja de carimbos. Dá só para o essencial, um telefone mudo e um cinzeiro. Mas insisto numa mesa e numa cadeira. Apesar do protesto das baratas. Elas não vencerão. Comprei um jogo de máscaras. No meu trabalho o disfarce é essencial. Para escapar dos credores. Outro dia entrei na sala e vi a cara do King Kong andando pelo chão. As baratas estavam roubando as máscaras. Espisoteei meia dúzia. As outras atacaram a mesa. Consegui salvar a minha Bic e o jornal. O jornal era novo, tinha só uma semana. Mas elas levaram a agenda. Saí ganhando. A agenda estava em branco. Meu último caso fora com a funcionária do Erótica, a primeira ótica da cidade com balconista topless. Acabara mal. Mort. Ed Mort. Está na plaqueta".

VERISSIMO, L. F. Ed Mort: todas as histórias. Porto Alegre: L&PM, 1997 (adaptado)

Nessa crônica, o efeito de humor é basicamente construído por uma:

A segmentação de enunciados baseada na descrição dos hábitos do personagem
B ordenação dos constituintes oracionais na qual se destaca o núcleo verbal.
C estrutura composicional caracterizada pelo arranjo singular dos períodos.
D sequenciação narrativa na qual se articulam eventos absurdos.
E seleção lexical na qual predominam informações redundantes

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