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Redação

Carta argumentativa

Bianca Ferraz
Publicado por Bianca Ferraz
Última atualização: 11/10/2018

Introdução

A carta é um gênero bastante conhecido. Antes da disseminação das tecnologias de comunicação, a correspondência por carta era muito comum entre as pessoas, sobretudo entre aquelas que moravam distantes umas das outras. 

Nesse caso, estamos diante da carta pessoal, em que, geralmente, são compartilhados momentos e lembranças. No entanto, existem vários tipos de cartas, e elas se diferenciam de acordo com o seu objetivo.

Temos, por exemplo, além da carta pessoal, a carta de leitor – dirigida a veículos de imprensa e redigida por um leitor que tem como objetivo fazer uma crítica ou um elogio ao veículo que recebe a carta; a carta aberta – que, na maior parte dos casos, é dirigida a autoridades com o objetivo de fazer reivindicações, entre outras.

Para atingir esses objetivos, é necessário utilizar recursos na construção do texto. Muitas vezes, a situação de produção da carta exige que se construa uma argumentação. Quando isso acontece, estamos diante de uma carta argumentativa.

A carta argumentativa apresenta um remetente e um destinatário bem definidos e, de forma geral, permite que seu remetente se expresse sobre problemas enfrentados em seu dia a dia, buscando convencer o seu interlocutor da urgência de resolução do problema em questão. Para que haja esse convencimento, ou seja, para que o remetente consiga persuadir o seu interlocutor, ele deve argumentar.

Características da carta argumentativa

A carta argumentativa apresenta características específicas que se relacionam com o seu objetivo de convencimento. Veja algumas dessas características:

  • É escrita em 1ª pessoa do singular, pois possui um caráter pessoal, visto que seu objetivo é apresentar um ponto de vista sobre um tema.
  • Apresenta um interlocutor definido. Além disso, essa interlocução deve ser trabalhada ao longo do texto.
  • Seu objetivo é convencer o interlocutor de um ponto de vista sobre um tema, portanto, ela deve trabalhar a persuasão.
  • Apresenta argumentos que fundamentam o posicionamento defendido pelo remetente da carta.
  • Em geral, apresenta uma reclamação ou solicitação.

Estrutura da carta argumentativa

Cabeçalho

Indica o local e a data da escrita da carta.

Exemplo: São José dos Campos, 18 de julho de 2018.

Saudação inicial e vocativo

Introduz o destinatário da carta por meio de uma forma de tratamento adequada a ele e vocativo. Pronomes de tratamento devem ser utilizados de acordo com o grau de formalidade da carta e de proximidade entre o remetente e o destinatário.

Exemplos: Prezados senhores; Vossa Excelência; Caro Deputado Alexandre Rodrigues.

Corpo textual

No corpo da carta, devem ser apresentados os motivos que levaram a carta a ser escrita bem como os argumentos que fundamentam o posicionamento do autor da carta sobre o tema que está sendo debatido.

Para o início da carta, pode ser utilizada a estrutura “Venho por meio desta” seguida do propósito com o qual o texto está sendo elaborado.

A linguagem utilizada deve ser clara, objetiva e coesa, para que o ponto de vista do autor da carta possa ser compreendido com facilidade.

O discurso deve ser construído na 1ª pessoa do singular e deve haver marcas de interlocução ao longo de todo o texto, o que pode ser feito por meio de pronomes ou mesmo por meio de verbos (alguns exemplos são: olhe, imagine, veja, saiba etc).

A parte final do texto pode apresentar sugestões para melhoria dos problemas debatidos. Uma possibilidade de construção para finalizar o corpo da carta é: Espero que considere o acima exposto e tome as devidas providências para a resolução do problema.

Despedida

A despedida da carta argumentativa deve seguir o mesmo grau de formalidade e proximidade que foi apresentado ao longo do texto. Algumas expressões que podem ser utilizadas para a despedida são: atenciosamente; cordialmente; sem mais, despeço-me, entre outras.

Assinatura

Indica o nome do remetente da carta.

Exemplo

Para a resolução das questões que virão a seguir, leia este exemplo de carta.

Campinas, 28 de fevereiro de 2000.

Exmo. Sr. Deputado,

Nas últimas semanas, tenho acompanhado atentamente o debate que tem se desenrolado no país em relação à criação da Agência Nacional da Água (ANA) e, ciente de sua posição contrária ao surgimento de tal órgão, lanço mão de minha condição de cidadão e dirijo-me ao senhor não somente com a intenção de persuadi-lo do contrário, como também de convencê-lo a participar ativamente na criação do mesmo.

Provavelmente sua resistência à criação de um órgão dessa natureza venha da crença, profundamente arraigada no subconsciente de todo brasileiro, de que ao nosso país nada falta ou faltará. Todavia, constatações feitas nas últimas décadas têm derrubado sistematicamente todas as nossas convicções de que a Natureza neste lado da América é inesgotável: mesmo a Amazônia, infinito e majestoso verde pairante sobre nosso território, mostrou ser extremamente frágil às nossas investidas, além de contar com um solo contraditoriamente infértil. Com relação à questão dos recursos hídricos a situação não é diferente: nos últimos anos, temos presenciado, atônitos, o surgimento de um fenômeno que jamais acreditaríamos ser possível no Brasil: a desertificação, ocorrendo não só no Nordeste, como também em áreas que há muito tempo abrigavam exuberantes florestas tropicais.

Entretanto, o maior risco imediato para nosso meio ambiente, sr. Deputado, não é sequer o aterrorizante avanço da desertificação. Como o senhor deve saber muito bem, nesta década, um fato notável no cenário industrial do país é o crescimento acelerado da presença de indústrias no chamado “interior” – conjunto de cidades de médio porte não conturbadas como grandes metrópoles: grandes centros urbanos não atraem pólos industriais como antigamente, fazendo com que estes se dispersem por diversas cidades. Isso implica um aumento vertiginoso de focos de poluição, que inclui também fortes agressões às fontes de recursos hídricos – tais como rios e mananciais -, complicando o trabalho já ineficiente de fiscalização executado pelo Estado. Tal dispersão industrial acarretará, ainda, a necessidade de criação, por parte das cidades atingidas por essa industrialização, de novas zonas de ocupação urbana para suprir as necessidades de moradia da força de trabalho que irá chegar com as indústrias. 

Não sei se o senhor tem ciência do seguinte fato, mas eu certamente não deixarei de mencioná-lo: frequentemente as Prefeituras de diversas cidades têm permitido ou ignorado a ocupação de áreas de mananciais, o que significa ainda mais um risco para nossa reserva de recursos hídricos.

Nesse cenário, a criação da ANA é indispensável, posto que a atuação dos atuais órgãos responsáveis pelo gerenciamento da água no país mostra-se ineficiente e lenta ante tantas mudanças. A capacidade que a ANA teria para resolver tais situações, senhor Deputado, é inegável.

Esperando tê-lo convencido da importância da ANA, tomo a liberdade, ainda, de oferecer algumas sugestões que o senhor poderia, oportunamente, adotar como parte do programa a ser executado pela agência, caso o senhor venha a participar ativamente de sua criação.

Inicialmente, senhor Deputado, seria necessária a regulamentação da Lei do Uso das Águas (9.433), incluindo taxas a serem cobradas de usuários tais como indústrias, hidrelétricas e outros – afinal, a cobrança de tais taxas seria um recurso valioso para estimular o uso criterioso e otimizado da água por parte das indústrias – principalmente químicas e petroquímicas – no que diz respeito ao controle da poluição de rios e mananciais.

Além disso, acredito que seria indispensável a inclusão de uma política de pressão sobre Prefeituras de todo o território nacional, no sentido de obrigá-las a impedir a ocupação urbana de áreas de mananciais.

Certo de sua atenção e da criteriosa análise de minhas sugestões, despeço-me cordialmente.

A.M.R.


Exercícios

Exercício 1
(Quero Bolsa)

Qual característica da carta argumentativa está expressa no trecho a seguir: “Certo de sua atenção e da criteriosa análise de minhas sugestões, despeço-me cordialmente”:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, shorts e tênis acenando

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