O boreout é uma síndrome ligada ao tédio extremo no trabalho.
Ela surge com a falta de tarefas significativas, desafios e sensação de inutilidade.
Os sintomas incluem apatia, ansiedade leve, procrastinação, irritabilidade, perda de concentração e sensação de vazio.
Diferente do burnout, que vem da sobrecarga e é reconhecido pela OMS, o boreout ainda não tem reconhecimento oficial.
Costuma aparecer em ambientes com tarefas repetitivas, metas vagas, pouco feedback e baixa valorização.
O boreout prejudica a saúde mental, aumenta o risco de depressão e afeta produtividade, clima e retenção de talentos.
A prevenção inclui redesenho de cargos, desenvolvimento, escuta ativa, trilhas de aprendizagem e monitoramento do clima.
O burnout, ou esgotamento provocado pelo excesso de trabalho, é um fenômeno já bem conhecido por profissionais e empresas. No entanto, o extremo oposto também começa a chamar atenção: o boreout, nome dado ao tédio crônico no ambiente profissional.
Assim como o burnout acendeu o alerta sobre os impactos emocionais do trabalho, o boreout também é motivo de preocupação, principalmente por afetar a motivação, o bem-estar e o desempenho profissional.
Neste artigo, entenda o que é o boreout, quais as causas, sintomas e consequências dessa síndrome, e estratégias de prevenção.
O que é boreout?
O termo boreout foi proposto em 2007 pelos consultores suíços Peter Werder e Philippe Rothlin para descrever uma forma de sofrimento psicológico provocada pela falta de trabalho significativo.
A palavra vem da combinação dos termos em inglês boredom (tédio) e burnout (esgotamento), indicando um estado de esvaziamento emocional causado pela inatividade. Em vez de sobrecarga, o problema está na subcarga de tarefas, na ausência de desafios e na sensação contínua de inutilidade.
De acordo com a pesquisadora Lotta Harju, da EM Lyon Business School, o boreout está ligado à vivência de falta de sentido no trabalho, combinada à ausência de estímulo e reconhecimento.
Em um estudo publicado em 2022, Harju identificou perfis distintos de sofrimento ocupacional e demonstrou que o tédio prolongado pode coexistir com a exaustão emocional, especialmente em contextos de trabalho repetitivo, mal estruturado ou desprovido de desafios reais .
Entre os principais sintomas emocionais e cognitivos do boreout estão: apatia, ansiedade leve, irritabilidade, fadiga, procrastinação e perda de concentração, além de desmotivação, monotonia e sensação de inutilidade.
O quadro de tédio crônico, associado ao vazio profissional, pode comprometer a autoestima e, com o tempo, levar à depressão e isolamento.
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Diferença entre boreout e burnout
Apesar de provocarem impactos semelhantes, boreout e burnout têm origens distintas. Enquanto o burnout está ligado à sobrecarga, pressão constante e excesso de responsabilidades, o boreout surge da falta de tarefas significativas, repetição excessiva e ausência de propósito no trabalho.
Outra diferença é que o burnout é oficialmente reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma síndrome ocupacional. Já o boreout ainda não possui reconhecimento oficial como condição clínica, o que dificulta sua identificação e abordagem em contextos profissionais e de saúde.
Causas do boreout: quando o trabalho deixa de fazer sentido
O boreout costuma surgir em ambientes marcados por rotinas mecânicas, tarefas repetitivas e ausência de metas claras. A falta de valorização profissional, o baixo estímulo ao desenvolvimento, a escassez de feedbacks construtivos e a convivência em ambientes tóxicos contribuem para a perda gradual de interesse pelo trabalho.
Esses fatores geram uma sensação de estagnação e inutilidade, intensificada quando não há espaço para criatividade, reconhecimento ou progressão de carreira. Nessas condições, o tempo deixa de ter significado, e o trabalho perde seu valor simbólico e prático.
Pesquisas mostram que esse tipo de desmotivação é mais comum do que se imagina. Segundo o relatório State of the Global Workplace 2025, 62% dos profissionais no mundo não estão engajados. Outros 17% são classificados como “ativamente desengajados”, ou seja, profissionais que expressam insatisfação de forma mais evidente.
Consequências do boreout para profissionais e empresas
O boreout pode parecer um problema silencioso, mas seus efeitos são significativos tanto para quem sofre com ele quanto para as organizações. No aspecto individual, o tédio crônico pode evoluir para ansiedade persistente, baixa autoestima e quadros de depressão, afetando a saúde mental e emocional.
Nas empresas, os impactos se refletem em queda de produtividade, aumento de erros operacionais e desmotivação coletiva, criando um clima organizacional marcado por apatia e desconexão. O desengajamento se espalha, afetando equipes inteiras e comprometendo a performance global.
Uma das consequências mais visíveis é o aumento no número de licenças médicas e desligamentos voluntários. Em 2024, o Brasil registrou mais de 472 mil afastamentos por transtornos mentais, segundo o Ministério da Previdência Social — um crescimento de 68% em relação ao ano anterior.
Além disso, o turnover elevado e o desinteresse prolongado prejudicam o employer branding, afetando a reputação da empresa como marca empregadora.
A dificuldade de atrair e reter talentos em ambientes onde reina a estagnação acaba gerando um ciclo de baixa performance e desvalorização interna.
Como prevenir o boreout nas empresas: estratégias de gestão e bem-estar
Prevenir o boreout é mais do que manter as pessoas ocupadas — é preciso oferecer um ambiente que estimule autonomia, aprendizado e propósito.
Empresas que mantêm profissionais presos a funções automatizadas, sem espaço para criatividade ou evolução, alimentam o risco de estagnação emocional e produtiva.
Líderes e equipes de RH podem adotar ações estratégicas para minimizar o problema e promover uma cultura mais saudável e engajadora. Confira algumas dicas abaixo:
Redesenho de cargos e responsabilidades: Ajustar funções para garantir tarefas com significado, equilíbrio e possibilidade de desafio profissional.
Programas de desenvolvimento e capacitação: Oferecer oportunidades reais de crescimento por meio de mentorias, treinamentos e planos de carreira.
Trilhas de aprendizagem personalizadas: Criar jornadas educativas alinhadas às habilidades e aspirações individuais, evitando a estagnação técnica e intelectual.
Escuta ativa e gestão próxima: Implementar práticas regulares de escuta e feedback, criando espaços seguros para expressar insatisfações e propor melhorias.
Monitoramento constante do clima organizacional: Usar pesquisas e indicadores internos para identificar sinais precoces de desmotivação e agir antes que evoluam para quadros críticos.
Ao combinar essas ações com uma cultura voltada à valorização do indivíduo, as empresas reduzem significativamente os riscos de boreout e fortalecem o bem-estar e a performance coletiva.
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