Outro fator que contribui para o aumento da desigualdade salarial é que, em muitos casos, benefícios como licença maternidade são vistos como um desabono na carreira de um profissional por parte dos empregadores. Não é difícil encontrar relatos de mulheres desligadas de seus empregos ou impedidas de assumirem posições melhor remuneradas após se tornarem mães.
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Homens realmente ganham mais que mulheres?
Um levantamento realizado pela equipe da Quero Bolsa com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de 2019, apontou que pela primeira vez em sete anos houve um aumento da diferença de salários entre homens e mulheres, após quedas consecutivas.
O salário das mulheres corresponde a 67,92% dos homens. Se compararmos o salário com uma pizza em que o salário dos homens seria equivalente a 8 fatias – uma pizza inteira – o salário das mulheres seria, aproximadamente, de cinco fatias e meia.
No entanto, mesmo nos anos em que a diferença salarial era menor, a porcentagem do salário das mulheres em relação ao dos homens não era muito diferente de agora. Desde 2015, a menor diferença salarial foi registrada em 2018, ano em que as mulheres chegaram a receber 69,11% do que ganhavam os homens.
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A desigualdade salarial entre gêneros vai contra o artigo 7º da Constituição Federal, o qual proíbe a diferença de salários por sexo, cor, idade ou estado civil e, ainda, contra o artigo 5º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que garante salários iguais, sem distinção de sexo, para trabalhos de igual valor.
Quais são os estados com maior diferença salarial?
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2019, realizada pelo IBGE, apontou que as mulheres costumam receber 77,7% dos salários dos homens.
Nos estados da região Norte do Brasil; Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, as mulheres recebem 92,6% dos salários dos homens. Nos nove estados do Nordeste brasileiro; Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, essa porcentagem é de 86,5%. Apesar de apresentarem remunerações com maior paridade que na média do país, as duas regiões também são apontadas como aquelas onde o rendimento médio, independente de gênero, é menor.
É no Centro-Oeste, Sudeste e Sul que as diferenças salariais e de rendimento médio são maiores. Nos estados do Centro-Oeste, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal, mulheres recebem, em média, 76,4% do salário dos homens.
Nos estados do Sudeste; Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, essa porcentagem é de 74%. Por fim, nos três estados do Sul; Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, as mulheres têm remuneração média equivalente a 72,8% da dos homens.