
Metodologia de ensino Reggio Emilia: entenda como funciona
| 06/10/26A abordagem Reggio Emilia valoriza a criança como protagonista. Entenda!
A abordagem Reggio Emilia valoriza a criança como protagonista. Entenda!
A abordagem Reggio Emilia valoriza a criança como protagonista, a investigação, as múltiplas formas de expressão e a participação ativa das famílias na Educação Infantil.
Em resumo:

A metodologia de ensino Reggio Emilia é uma abordagem educacional desenvolvida na cidade de Reggio Emilia, na Itália. Embora seja chamada de metodologia com frequência, sua organização oficial a define como uma filosofia educacional, e não como um currículo ou manual que possa ser reproduzido de maneira idêntica.
A proposta parte da imagem da criança como sujeito de direitos, competente, curiosa e capaz de construir conhecimentos nas relações com outras crianças, adultos e ambientes.
Segundo a organização oficial Reggio Children, a criança aprende por meio das chamadas cem linguagens: diferentes formas de pensar, comunicar, investigar e atribuir sentido ao mundo.
Essas linguagens incluem, por exemplo:
O número cem funciona como uma metáfora para as inúmeras possibilidades de expressão e aprendizagem infantil.
A história educacional de Reggio Emilia é anterior à Segunda Guerra Mundial. A linha do tempo da Reggio Children registra experiências locais desde o século XIX e a criação de uma pré-escola municipal em 1913.
O período posterior à guerra, entretanto, foi decisivo. Mulheres, famílias e comunidades organizaram escolas autogeridas na região. Em maio de 1945, moradores de Villa Cella construíram coletivamente uma escola que se tornou símbolo desse movimento de reconstrução.
A União das Mulheres Italianas também participou da criação e da administração de dezenas de pré-escolas na província. Essa mobilização ajudou a consolidar valores como participação comunitária, responsabilidade coletiva e integração entre educação e direitos sociais.
A primeira pré-escola da rede municipal foi inaugurada em 1963. O pedagogo Loris Malaguzzi colaborou com o projeto e posteriormente coordenou os serviços municipais de Educação Infantil, contribuindo para sistematizar a abordagem.
A história de Reggio Emilia, portanto, não corresponde à invenção isolada de um educador. Ela resulta da participação de crianças, professores, mulheres, famílias, gestores públicos e comunidades.
A Reggio Children apresenta um conjunto amplo de valores, sem reduzi-lo a uma lista rígida de pilares. Os principais elementos podem ser organizados da seguinte forma:
| Princípio | O que significa na prática |
| Criança protagonista | A criança formula perguntas, faz escolhas e participa dos rumos das investigações. |
| Cem linguagens | Diferentes formas de expressão recebem valor, sem limitar a aprendizagem à fala ou à escrita. |
| Aprendizagem em grupo | O conhecimento é construído no diálogo, na comparação de ideias e na colaboração. |
| Escuta ativa | Professores observam falas, gestos, interesses, hipóteses e relações entre as crianças. |
| Ambiente educador | Espaços, objetos, iluminação e materiais são planejados para favorecer encontros e pesquisas. |
| Projetos investigativos | Temas podem nascer de perguntas e acontecimentos observados no cotidiano. |
| Documentação pedagógica | Registros tornam visíveis os processos individuais e coletivos de aprendizagem. |
| Participação das famílias | Responsáveis são envolvidos na vida da escola e na reflexão sobre o desenvolvimento infantil. |
| Formação contínua | Educadores estudam, documentam e analisam coletivamente a própria prática. |
Esses princípios aparecem nos valores oficiais da abordagem, que destacam a pesquisa, a participação, a documentação, a organização dos espaços e a formação profissional permanente.
A criança não é vista como receptora passiva de informações. Ela observa, pergunta, experimenta, comunica descobertas e confronta suas hipóteses com as dos colegas.
Em entrevista concedida à Revista Quero, o educador Geraldo Peçanha de Almeida resume esse princípio:
Reggio traz a criança verdadeiramente para o lugar do protagonismo de sua história. Tem apoio e condução de uma pedagogista […], mas é a criança a autora de sua própria formação.
Geraldo Peçanha de Almeida é psicanalista pela Sociedade Internacional de Psicanálise de São Paulo, especialista em Educação Infantil, pedagogo pela Universidade Estadual Paulista e autor de livros para crianças, educadores e famílias.
Esse protagonismo não significa deixar a criança sem acompanhamento ou retirar a responsabilidade do adulto. Cabe ao professor escutar, garantir segurança, selecionar materiais, criar contextos de investigação e ampliar as possibilidades de aprendizagem.
A liberdade é construída dentro de relações, combinados e condições adequadas à faixa etária.
A rotina pode começar com uma pergunta, um fenômeno observado ou uma situação que desperte a curiosidade do grupo. O professor não precisa apresentar imediatamente uma resposta pronta.
Se as crianças encontram folhas diferentes no pátio, por exemplo, o educador pode disponibilizar lupas, papéis, argila, fotografias e recipientes para classificação. As perguntas e comparações das crianças ajudam a definir os próximos passos.
Durante esse processo, o professor observa e registra:
Essa dinâmica recebe o nome de progettazione. Trata-se de um planejamento flexível que articula observação, intenção pedagógica e possíveis caminhos, sem estabelecer antecipadamente todos os resultados.
Uma investigação inspirada em Reggio Emilia pode partir da observação e avançar para a exploração, a representação e a documentação das descobertas.

Um plano de aula Reggio Emilia não deve funcionar como uma receita fechada. O mais adequado é preparar um contexto investigativo e registrar os caminhos construídos pelas crianças.
| Momento | Possível ação do professor |
| Observação inicial | Identificar perguntas, brincadeiras e interesses recorrentes do grupo. |
| Definição da intenção | Relacionar o interesse observado aos objetivos de aprendizagem da turma. |
| Preparação do contexto | Organizar materiais acessíveis, variados e seguros. |
| Investigação | Permitir exploração individual e coletiva, sem antecipar respostas. |
| Escuta | Registrar falas, gestos, desenhos, hipóteses e interações. |
| Intervenção | Fazer perguntas que ajudem a criança a comparar, explicar ou reconsiderar ideias. |
| Documentação | Selecionar evidências que mostrem como o pensamento se desenvolveu. |
| Continuidade | Planejar novas experiências a partir do que foi observado. |
No Brasil, esse planejamento também precisa dialogar com a Base Nacional Comum Curricular. A BNCC deve orientar as propostas pedagógicas das escolas públicas e privadas.
A ênfase em participação, exploração, expressão, convivência e investigação pode conversar com os direitos de aprendizagem da Educação Infantil, desde que a escola assegure intencionalidade pedagógica e os objetivos previstos no currículo.
As atividades não são padronizadas, pois devem nascer do contexto da turma. Algumas possibilidades são:
Os materiais devem ser selecionados conforme a idade, a supervisão disponível e as regras de segurança da instituição. A valorização da exploração não elimina o dever de cuidado.
Na abordagem Reggio Emilia, o ambiente é frequentemente descrito como um educador. Isso significa que a disposição dos móveis, os materiais, a iluminação e a circulação interferem na maneira como as crianças se relacionam e aprendem.
Os espaços costumam favorecer:
Outro elemento característico é o atelier, espaço de pesquisa e experimentação com diferentes linguagens. O atelierista é o profissional que colabora com crianças e professores na exploração de materiais, imagens e processos criativos.
Nem toda escola brasileira possui um atelierista ou uma estrutura igual à italiana. Por isso, uma instituição pode declarar-se “inspirada em Reggio Emilia”, mas precisa explicar como traduz esses princípios para sua realidade.
A documentação pedagógica não é apenas uma coleção de fotografias ou um portfólio de atividades prontas. Ela envolve observar, selecionar registros, interpretar processos e compartilhar reflexões.
A documentação pedagógica permite um olhar longitudinal na trajetória de uma criança até aquele ponto. É justamente esse olhar longitudinal que permite ao educador avaliar e perceber o que falta, o que repor, o que trazer e o que repartir entre essas crianças e seus pares de caminhada, explica Geraldo Peçanha de Almeida.
Podem fazer parte da documentação:
A documentação torna visível como a criança pensa e como o grupo constrói conhecimentos. O projeto Making Learning Visible, desenvolvido pelo Project Zero da Universidade Harvard em colaboração com educadores de Reggio Emilia, estudou justamente o uso desses registros para compreender e apoiar aprendizagens individuais e coletivas.
Esse acompanhamento não significa ausência de avaliação. A avaliação acontece por meio de observação, interpretação, diálogo entre educadores e análise longitudinal do percurso infantil.
A participação familiar é um elemento estrutural da abordagem. Pais e responsáveis não aparecem somente em reuniões destinadas a receber notas ou avisos.
As famílias podem contribuir com:
Essa relação ajuda os responsáveis a compreender não apenas o que a criança produziu, mas como pensou, interagiu e modificou suas hipóteses.
As duas propostas valorizam autonomia, participação ativa e ambientes cuidadosamente preparados. Entretanto, existem diferenças importantes.
| Aspecto | Reggio Emilia | Montessori |
| Definição | Abordagem ou filosofia educacional | Método educacional estruturado |
| Origem | Experiência municipal e comunitária de Reggio Emilia | Trabalho desenvolvido por Maria Montessori |
| Planejamento | Projetos emergem da escuta e das investigações do grupo | Há uma sequência de materiais e apresentações próprias |
| Aprendizagem | Forte ênfase nas relações e na construção coletiva | Maior presença do trabalho individual e da autonomia pessoal |
| Materiais | Variados, abertos e reorganizados conforme o projeto | Materiais específicos, autocorretivos e sequenciados |
| Professor | Pesquisador, observador e parceiro das investigações | Guia que apresenta materiais e acompanha o trabalho autônomo |
| Registro | Documentação pedagógica ocupa posição central | Observação orienta a apresentação de novos desafios |
A descrição institucional da American Montessori Society destaca o ambiente preparado e os materiais práticos e sequenciais como características do método Montessori.
Uma escola também pode combinar referências, mas deve comunicar com clareza quais princípios adota e como eles aparecem na rotina.
A família pode observar a prática cotidiana e fazer perguntas específicas durante a visita:
Também é possível comparar localização, proposta pedagógica, valores e oportunidades no buscador de escolas com bolsas da Quero Bolsa.
Livros e PDFs sobre Reggio Emilia devem ser procurados em editoras, bibliotecas, universidades e instituições autorizadas. Arquivos disponibilizados sem indicação de autoria ou licença podem estar desatualizados ou violar direitos autorais.
A Reggio Children mantém um catálogo de publicações sobre as cem linguagens, documentação e experiências desenvolvidas nas escolas municipais.
O Project Zero também disponibiliza materiais institucionais relacionados à documentação da aprendizagem. Esses conteúdos ajudam a aprofundar os conceitos, mas não substituem a formação continuada da equipe escolar.
A abordagem Reggio Emilia pode interessar a famílias que valorizam investigação, criatividade, convivência, escuta e participação ativa das crianças. A escolha, porém, não deve depender somente do nome apresentado pela escola.
A visita presencial ajuda a verificar como a proposta aparece na rotina, na formação dos professores, nos espaços, na documentação e na relação com as famílias. Também permite avaliar acolhimento, segurança, localização e compatibilidade com as necessidades da criança.
Depois de analisar a proposta pedagógica, os responsáveis podem pesquisar bolsas para Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio e comparar escolas particulares disponíveis na região.
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