
Misoginia pode cair no Enem 2026? Entenda como
| 20/08/26Entenda o que é misoginia, o debate sobre sua criminalização no Brasil e como o tema pode ser abordado no Enem 2026.
Entenda o que é misoginia, o debate sobre sua criminalização no Brasil e como o tema pode ser abordado no Enem 2026.
Em resumo:
Entenda mais abaixo!
A misoginia, caracterizada pelo ódio, desprezo ou aversão às mulheres por sua condição de mulher, voltou a ganhar destaque no Brasil em 2026.
O tema está relacionado a debates sobre violência contra a mulher, discursos de ódio na internet, desigualdade de gênero e, atualmente, à discussão no Congresso sobre a criminalização da misoginia.
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Para quem vai prestar o Enem, o assunto também merece atenção por sua relação com diferentes áreas do conhecimento e com temas sociais que podem aparecer na prova.
A seguir, entenda melhor o que é misoginia, confira se o tema pode cair no Enem 2026 e de que forma pode ser abordado no exame.

Misoginia é o ódio, desprezo, menosprezo, aversão ou discriminação contra mulheres em razão de sua condição de mulher. O termo tem origem no grego: miseo, relacionado a ódio, e gyne, mulher.
Na prática, a misoginia pode aparecer de diferentes maneiras. Ela pode estar presente em discursos que inferiorizam mulheres, na objetificação do corpo feminino, na tentativa de controlar seu comportamento e também em manifestações mais graves de violência.
É importante, porém, não tratar toda atitude grosseira ou todo conflito envolvendo uma mulher automaticamente como misoginia. O conceito está relacionado à desvalorização ou discriminação baseada no gênero feminino.
A misoginia pode se manifestar tanto em situações cotidianas quanto em episódios de violência. Alguns exemplos são:
Um ponto importante é que a misoginia pode se manifestar de forma explícita ou mais sutil. Uma fala aparentemente banal pode reproduzir estereótipos sobre mulheres; em situações mais graves, discursos de ódio podem estar associados a ameaças e outras formas de violência.
Veja mais: Misoginia, machismo e misandria: entenda a diferença
Sim. A misoginia não depende do gênero de quem pratica a conduta. Uma mulher também pode reproduzir discursos, comportamentos ou práticas de menosprezo e discriminação contra outras mulheres.
Isso pode acontecer, por exemplo, quando uma mulher reproduz estereótipos que inferiorizam outras mulheres ou defende que elas não deveriam ter determinado direito, ocupar determinado espaço ou tomar determinada decisão simplesmente por serem mulheres.
Por isso, o conceito não deve ser entendido como uma oposição simples entre homens e mulheres. O que caracteriza a misoginia é o conteúdo da atitude ou do discurso e sua relação com a discriminação ou o menosprezo das mulheres.
A misoginia ainda não é um crime autônomo e específico com essa denominação no Código Penal brasileiro. Isso não significa, porém, que condutas misóginas não possam ser punidas.
Dependendo do caso, ofensas, ameaças, perseguições, agressões e outras formas de violência contra mulheres podem ser enquadradas em crimes já previstos na legislação.
A legislação brasileira também prevê medidas específicas relacionadas ao combate à misoginia. A Lei nº 13.642/2018, por exemplo, atribuiu à Polícia Federal a investigação de crimes praticados pela internet que difundam conteúdo misógino, definido na norma como aquele que propaga ódio ou aversão às mulheres.
O tema ganhou força neste ano por causa do Projeto de Lei 896/2023, conhecico como “PL da Misoginia”, que pretende equiparar a misoginia ao crime de racismo, se tornando assim um crime inafiançável e imprescritível. O projeto foi aprovado pelo Senado em março de 2026 e avançou na Câmara dos Deputados nos meses seguintes.
Até o momento de publicação desta matéria, porém, a proposta ainda não havia virado lei e permanecia em tramitação na Câmara.
Por isso, para o estudante, é importante diferenciar: a misoginia já é objeto de proteção e punição por diferentes normas, mas a criação de um enquadramento específico para a prática ainda está em discussão no Congresso.
Saiba mais: O que é misoginia? Entenda o significado do termo
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Apesar do Inep não divulgar antecipadamente os assuntos específicos das questões ou da redação, misoginia é, sim, um tema que merece atenção e que pode cair no Enem 2026 ou mesmo em futuras edições da prova.
A possibilidade, porém, faz sentido por dois motivos: a relevância social do tema e sua conexão com diferentes competências cobradas pelo exame.
Isso porque o assunto reúne diferentes áreas e temas atuais relevantes: atualidades, Sociologia, História, cidadania, direitos humanos, legislação, violência de gênero e debates sobre internet e discurso de ódio.
No entanto, atenção: a preparação deve ser feita entendendo as conexões do tema, e não tentando adivinhar uma questão específica. A prova pode abordar o assunto diretamente ou utilizar problemas relacionados a ele como contexto.
Sim. Essa é uma das possibilidades mais evidentes.
O Enem já abordou diretamente a violência contra as mulheres. Em 2015, o tema da redação foi “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”. A proposta pedia que o candidato produzisse um texto dissertativo-argumentativo e apresentasse uma proposta de intervenção que respeitasse os direitos humanos.
Isso não significa que o Enem simplesmente repetiria o mesmo tema. Pelo contrário: uma pauta pode voltar à prova por outro recorte.
No caso da misoginia, uma proposta poderia discutir, por exemplo:
Nesses casos, não bastaria escrever tudo o que sabe sobre misoginia. O candidato precisaria, primeiro, compreender o recorte apresentado pelos textos motivadores e então construir uma argumentação própria, utilizando repertórios para embasar a sua argumentação.
Para além do uso da palavra “misoginia”, em Ciências Humanas o assunto pode servir de contexto para questões de Sociologia, Filosofia e História, principalmente quando relacionado a:
Uma questão pode, por exemplo, apresentar um texto sobre desigualdade entre homens e mulheres e pedir que o candidato identifique o fenômeno social representado.
Nesse caso, conhecer misoginia pode ajudar, mas a questão continuará cobrando a habilidade de interpretar e relacionar informações, e não simplesmente a memorização de uma definição.
Já em Linguagens, a misoginia pode ser trabalhada a partir da análise de discursos e representações sociais presentes em textos jornalísticos, campanhas publicitárias, charges, redes sociais, literatura ou outros gêneros.
O candidato pode ser levado a identificar, por exemplo, como determinada escolha linguística reproduz um estereótipo, como um texto constrói uma representação da mulher ou qual efeito de sentido é produzido por determinada expressão.
Nesse caso, novamente, não é necessário que a questão diga explicitamente “esta questão é sobre misoginia”.

Em princípio, temas sociais podem servir de contexto interdisciplinar para questões de diferentes áreas. Mas é preciso tomar cuidado para não transformar qualquer possibilidade em previsão.
Uma questão de Matemática, por exemplo, poderia utilizar dados estatísticos sobre violência contra a mulher para cobrar porcentagem, interpretação de gráficos ou análise de dados. Isso seria uma aplicação possível, mas não há evidência de que o Inep vá fazer isso no Enem 2026.
O mesmo vale para Ciências da Natureza: o simples fato de misoginia ser um tema social não significa que necessariamente aparecerá em Biologia, Química ou Física.
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Para transformar a atualidade em repertório, vale revisar:
1. Conceito
Entender o que é misoginia e diferenciá-la de conceitos próximos, como machismo e sexismo.
2. História e sociedade
Estudar como relações de poder e desigualdades de gênero foram construídas e transformadas historicamente.
3. Violência contra a mulher
Relacionar misoginia a diferentes formas de violência e conhecer marcos da legislação brasileira, como a Lei Maria da Penha, Constituição Federal de 1988 que estabeleceu direitos iguais e a Lei do Feminicídio, que torna crime autônomo o assassinato de mulheres por razões de gênero.
4. Internet e discursos de ódio
Compreender como redes sociais e ambientes digitais podem ser utilizados para disseminar ataques e conteúdos misóginos.
5. Legislação atual
Conhecer a Lei nº 13.642/2018, a legislação de proteção às mulheres e a atual discussão do PL 896/2023, o “PL da Misoginia”.
6. Atualidades de 2026
Acompanhar a tramitação do projeto que pretende criminalizar condutas praticadas em razão de misoginia (até agosto de 2026, a proposta ainda estava em tramitação na Câmara).
7. Redação
Treinar a construção de argumentos e propostas de intervenção relacionadas a problemas sociais, sem recorrer a generalizações ou afirmações sem comprovação.
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